Abduzidos - Wan Moura
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






Abduzidos

Foi a partir daí e de inúmeros outros relatos (como o do lavrador que foi perseguido por uma enorme bola de luz, fazendo-o cair desmaiado do cavalo e o da viatura da PM do município maranhense de Pinheiro, perseguida por um ÓVNI emitindo sinais luminosos, interpretados pelos policiais como uma tentativa de comunicação) que a Força Aérea resolveu agir e finalmente dar início à OPERAÇÃO PRATO, cujo objetivo era investigar os possíveis fenômenos e incidentes extraterrestres em parte do Nordeste do Brasil. Às vezes me pergunto se tudo o que eu vi e senti realmente foi real, por isso estou a registrar neste diário tudo o que descobrimos durante nossa operação, até então secreta. Tudo aquilo foi há vinte anos, mas ainda hoje ouço os pedidos de socorro do Cabo e do Sargento quando aquelas coisas nos capturaram.

Chegamos à cidade paraense de Colares (a 98 km de Belém), por volta das oito da manhã de uma segunda feira, já sentindo o clima tenebroso que emanava daquele povo amedrontado. As ruas estavam desertas e com todas as casas e pequenos estabelecimentos fechados, fazendo-nos sentir sob a redoma do pavor, onde a morte espreita pelas rótulas das janelas, isolados de toda e qualquer ajuda. Nós três seguimos para a pequena pousada previamente alugada pelo Coronel Weliton, responsável pela operação, e lá nos instalamos sem nenhum incômodo, recebendo as chaves de um idoso com o corpo parcialmente necrosado por queimaduras não tratadas. No momento em que nos recebeu ele partiu e nunca mais o vimos.

Às 16 horas, o Cabo Amarantes, jovem paulista de estatura mediana e uma coragem nunca vista antes, apanhou minha caderneta, nossos binóculos, o tripé com o telescópio e ainda preparou nosso fusca para seguirmos para o local dos avistamentos das luzes misteriosas. Já o Sargento Romero ficou encarregado de nosso armamento e estoque de munição para qualquer emergência. Estávamos prestes a entrar no fusca quando ouvimos gritos de socorro vindos do campo de várzea logo atrás da pousada. Rapidamente sacamos nossos revólveres 38 e corremos para auxiliar quem pedia por ajuda. Ao chegarmos lá, vimos um jovem despido e com grande parte do corpo coberto por queimaduras; tinha uma das mãos ensanguentada e a outra segurava algo como um pequeno réptil, coberto por manchas azuis. A Coisa se desvencilhou do rapaz e se lançou à relva, fugindo. Aos pés do jovem, uma idosa com uma enorme fenda recém-aberta em seu crânio e agonizando. Recordo perfeitamente de ter visto a mulher dar seu último suspiro, enquanto o jovem corria em nossa direção com olhos insanos e algo azulado escorrendo pelos cantos de sua boca. Gritamos para que ele não atacasse, mas este não obedeceu. O abatemos a menos de dois metros de onde estávamos.

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Foi a partir daí e de inúmeros outros relatos (como o do lavrador que foi perseguido por uma enorme bola de luz, fazendo-o cair desmaiado do cavalo e o da viatura da PM do município maranhense de Pinheiro, perseguida por um ÓVNI emitindo sinais luminosos, interpretados pelos policiais como uma tentativa de comunicação) que a Força Aérea resolveu agir e finalmente dar início à OPERAÇÃO PRATO, cujo objetivo era investigar os possíveis fenômenos e incidentes extraterrestres em parte do Nordeste do Brasil. Às vezes me pergunto se tudo o que eu vi e senti realmente foi real, por isso estou a registrar neste diário tudo o que descobrimos durante nossa operação, até então secreta. Tudo aquilo foi há vinte anos, mas ainda hoje ouço os pedidos de socorro do Cabo e do Sargento quando aquelas coisas nos capturaram.

Chegamos à cidade paraense de Colares (a 98 km de Belém), por volta das oito da manhã de uma segunda feira, já sentindo o clima tenebroso que emanava daquele povo amedrontado. As ruas estavam desertas e com todas as casas e pequenos estabelecimentos fechados, fazendo-nos sentir sob a redoma do pavor, onde a morte espreita pelas rótulas das janelas, isolados de toda e qualquer ajuda. Nós três seguimos para a pequena pousada previamente alugada pelo Coronel Weliton, responsável pela operação, e lá nos instalamos sem nenhum incômodo, recebendo as chaves de um idoso com o corpo parcialmente necrosado por queimaduras não tratadas. No momento em que nos recebeu ele partiu e nunca mais o vimos.

Às 16 horas, o Cabo Amarantes, jovem paulista de estatura mediana e uma coragem nunca vista antes, apanhou minha caderneta, nossos binóculos, o tripé com o telescópio e ainda preparou nosso fusca para seguirmos para o local dos avistamentos das luzes misteriosas. Já o Sargento Romero ficou encarregado de nosso armamento e estoque de munição para qualquer emergência. Estávamos prestes a entrar no fusca quando ouvimos gritos de socorro vindos do campo de várzea logo atrás da pousada. Rapidamente sacamos nossos revólveres 38 e corremos para auxiliar quem pedia por ajuda. Ao chegarmos lá, vimos um jovem despido e com grande parte do corpo coberto por queimaduras; tinha uma das mãos ensanguentada e a outra segurava algo como um pequeno réptil, coberto por manchas azuis. A Coisa se desvencilhou do rapaz e se lançou à relva, fugindo. Aos pés do jovem, uma idosa com uma enorme fenda recém-aberta em seu crânio e agonizando. Recordo perfeitamente de ter visto a mulher dar seu último suspiro, enquanto o jovem corria em nossa direção com olhos insanos e algo azulado escorrendo pelos cantos de sua boca. Gritamos para que ele não atacasse, mas este não obedeceu. O abatemos a menos de dois metros de onde estávamos.

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