Abduzidos - Wan Moura
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






Abduzidos

Após algum tempo sendo destroçado pelo pequeno parasita, enquanto permanecia de cabeça para baixo observando os pés (ou patas com pequenas garras aquilinas) eles me soltaram bruscamente. Sangue escorria de meu ânus, misturado a um líquido azulado e viscoso enquanto eu rastejava como um verme perante os seres esquálidos que pareciam me observar com desdém. Eu fiquei de pé lentamente e após notar a porta por onde havíamos vindo (parecia uma pálpebra gigante coberta por membranas brancas iguais a folhas secas) eu corri para lá. Eles não me perseguiram. Apenas se mantiveram observando minha tola tentativa de fugir. Atravessei um longo corredor tão branco que chegava a ofuscar, deixando para trás um rastro feito por gotas de sangue e líquido azulado com minhas dores estomacais ainda persistindo em me acompanhar na minha fuga, que logo foi frustrada ao me deparar com uma grande visão: No fim do corredor, encontrei uma enorme câmara transparente de onde pude vislumbrar algo que jamais irei esquecer. Diante de mim, através de algo semelhante a uma vidraça eu vi centenas de óvnis emanando luzes em tons dourados, vermelhos e azuis, e logo atrás de todo aquele batalhão pude ver a lua, com suas crateras e sua imensidão envolta por um nebuloso vermelho vivo. Naquele momento eu caí de joelhos e perdi toda e qualquer gotícula de esperança. Vi as estrelas tão próximas e ao mesmo tempo tão insignificantes, assim como nosso pequeno planeta azul que não passa de um laboratório para pesquisas de campo de seres superiores. Meus olhos encheram-se de lágrimas e apenas lembro-me de algo parecer mastigar minhas entranhas, até se libertar de meu corpo ao dilacerar meu abdômen. Desmaiei pela dor intensa e tudo se apagou.

Já era dia quando despertei. Acordei próximo ao fusca de nossa equipe, no centro de um grande círculo impresso no chão por algo que queimou toda a relva num raio de quinhentos metros. Eu estava só, ainda sem roupas e com uma vontade horrenda de vomitar, o que fiz ao relembrar a sensação de ter minha barriga rasgada de dentro pra fora. Coloquei minhas mãos sobre meu abdômen e não senti nada, tateei mais algumas vezes em busca de uma cicatriz ou algo equivalente e nada. Estava vivo, mas sem meus companheiros de investigação.

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Após algum tempo sendo destroçado pelo pequeno parasita, enquanto permanecia de cabeça para baixo observando os pés (ou patas com pequenas garras aquilinas) eles me soltaram bruscamente. Sangue escorria de meu ânus, misturado a um líquido azulado e viscoso enquanto eu rastejava como um verme perante os seres esquálidos que pareciam me observar com desdém. Eu fiquei de pé lentamente e após notar a porta por onde havíamos vindo (parecia uma pálpebra gigante coberta por membranas brancas iguais a folhas secas) eu corri para lá. Eles não me perseguiram. Apenas se mantiveram observando minha tola tentativa de fugir. Atravessei um longo corredor tão branco que chegava a ofuscar, deixando para trás um rastro feito por gotas de sangue e líquido azulado com minhas dores estomacais ainda persistindo em me acompanhar na minha fuga, que logo foi frustrada ao me deparar com uma grande visão: No fim do corredor, encontrei uma enorme câmara transparente de onde pude vislumbrar algo que jamais irei esquecer. Diante de mim, através de algo semelhante a uma vidraça eu vi centenas de óvnis emanando luzes em tons dourados, vermelhos e azuis, e logo atrás de todo aquele batalhão pude ver a lua, com suas crateras e sua imensidão envolta por um nebuloso vermelho vivo. Naquele momento eu caí de joelhos e perdi toda e qualquer gotícula de esperança. Vi as estrelas tão próximas e ao mesmo tempo tão insignificantes, assim como nosso pequeno planeta azul que não passa de um laboratório para pesquisas de campo de seres superiores. Meus olhos encheram-se de lágrimas e apenas lembro-me de algo parecer mastigar minhas entranhas, até se libertar de meu corpo ao dilacerar meu abdômen. Desmaiei pela dor intensa e tudo se apagou.

Já era dia quando despertei. Acordei próximo ao fusca de nossa equipe, no centro de um grande círculo impresso no chão por algo que queimou toda a relva num raio de quinhentos metros. Eu estava só, ainda sem roupas e com uma vontade horrenda de vomitar, o que fiz ao relembrar a sensação de ter minha barriga rasgada de dentro pra fora. Coloquei minhas mãos sobre meu abdômen e não senti nada, tateei mais algumas vezes em busca de uma cicatriz ou algo equivalente e nada. Estava vivo, mas sem meus companheiros de investigação.

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