Abduzidos - Wan Moura
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






Abduzidos

Dirigi de volta à pousada, no qual fui recebido pelos moradores me tratando como um louco. De alguma forma, ninguém recordava de mim ou de meus companheiros, agiam normalmente. Não comentaram nada sobre “A Luz do Diabo” ou sobre os enigmáticos Objetos Voadores, mesmo os corpos do garoto e da idosa apodrecendo no campo de várzea aos olhos de todos. Era como se estivessem sofrendo uma amnésia coletiva. Entrei em contato com a base em Belém, mas todos alegaram não saber de nenhuma Operação Prato ou qualquer outra suposta investigação sobre aparecimentos de óvnis ou luzes provocando queimaduras, nem ao menos disseram reconhecer minha identidade. Resumindo: eu estava só, apesar de meus relatórios e manchetes de jornais em várias cidades nordestinas. Arrumei todo o equipamento que me restou, assim como minhas anotações e parti de Colares assim que anoiteceu, tentando esquecer tudo aquilo.

Estava na estrada, próximo à saída daquele município paraense quando na escuridão da rodovia, visualizei um Objeto Luminoso com um brilho metálico, realizando manobras bruscas a uma altura de cem metros da pista e a uma distância aparente de trezentos metros do fusca, sem produzir ruído algum. O óvni possuía uma forma cônica, aparentemente com três metros de comprimento por dois metros de diâmetro; movimentando-se de maneira irregular, balançando lateralmente e efetuando paradas bruscas. Ele realizou uma volta no próprio eixo até permanecer flutuando sobre o fusca. Os faróis do veículo oscilaram até o motor desligar, eu abri a porta e corri em direção ao matagal, contudo, fui alcançado por um feixe de luz vermelho que atingiu meu pescoço e outro — de tom azulado — que atingiu minhas costas, deixando-me paraplégico.

Encontraram-me na manhã seguinte, com micro-perfurações no pescoço, sem o fusca e os nossos equipamentos. Minha identidade foi suprimida, assim como a do Cabo Amarantes e o Sargento Romero. Seus familiares desapareceram dos registros civis e eu fui exilado para o Uruguai e internado em um manicômio federal — sob a identidade falsa de WANDERSON MOURA — de onde escrevo este diário não oficial, mas verídico. Apesar de eu mesmo às vezes duvidar de tais acontecimentos, devido o pavor que testemunhei, tenho provas físicas dos testes realizados em mim. Inclusive os pequenos furos em todo meu pescoço, causado por aquela luz perfeitamente apelidada de “Luz do Diabo”. Além é claro, das minhas visões daqueles acontecimentos, dos gritos dos meus subordinados e os olhos daquelas criaturas. Eu os vi camuflados sob o medo daquele povo. Os moradores de Colares possuíam, além da relatada amnésia, os mesmos olhos negros daquelas criaturas, olhos tão antigos quanto o vazio do espaço sideral.

Fui desacreditado e exilado de minha terra, mas acreditem quando lhes digo: Eles estão entre nós.

 

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Wan Moura
Abduzidos

Dirigi de volta à pousada, no qual fui recebido pelos moradores me tratando como um louco. De alguma forma, ninguém recordava de mim ou de meus companheiros, agiam normalmente. Não comentaram nada sobre “A Luz do Diabo” ou sobre os enigmáticos Objetos Voadores, mesmo os corpos do garoto e da idosa apodrecendo no campo de várzea aos olhos de todos. Era como se estivessem sofrendo uma amnésia coletiva. Entrei em contato com a base em Belém, mas todos alegaram não saber de nenhuma Operação Prato ou qualquer outra suposta investigação sobre aparecimentos de óvnis ou luzes provocando queimaduras, nem ao menos disseram reconhecer minha identidade. Resumindo: eu estava só, apesar de meus relatórios e manchetes de jornais em várias cidades nordestinas. Arrumei todo o equipamento que me restou, assim como minhas anotações e parti de Colares assim que anoiteceu, tentando esquecer tudo aquilo.

Estava na estrada, próximo à saída daquele município paraense quando na escuridão da rodovia, visualizei um Objeto Luminoso com um brilho metálico, realizando manobras bruscas a uma altura de cem metros da pista e a uma distância aparente de trezentos metros do fusca, sem produzir ruído algum. O óvni possuía uma forma cônica, aparentemente com três metros de comprimento por dois metros de diâmetro; movimentando-se de maneira irregular, balançando lateralmente e efetuando paradas bruscas. Ele realizou uma volta no próprio eixo até permanecer flutuando sobre o fusca. Os faróis do veículo oscilaram até o motor desligar, eu abri a porta e corri em direção ao matagal, contudo, fui alcançado por um feixe de luz vermelho que atingiu meu pescoço e outro — de tom azulado — que atingiu minhas costas, deixando-me paraplégico.

Encontraram-me na manhã seguinte, com micro-perfurações no pescoço, sem o fusca e os nossos equipamentos. Minha identidade foi suprimida, assim como a do Cabo Amarantes e o Sargento Romero. Seus familiares desapareceram dos registros civis e eu fui exilado para o Uruguai e internado em um manicômio federal — sob a identidade falsa de WANDERSON MOURA — de onde escrevo este diário não oficial, mas verídico. Apesar de eu mesmo às vezes duvidar de tais acontecimentos, devido o pavor que testemunhei, tenho provas físicas dos testes realizados em mim. Inclusive os pequenos furos em todo meu pescoço, causado por aquela luz perfeitamente apelidada de “Luz do Diabo”. Além é claro, das minhas visões daqueles acontecimentos, dos gritos dos meus subordinados e os olhos daquelas criaturas. Eu os vi camuflados sob o medo daquele povo. Os moradores de Colares possuíam, além da relatada amnésia, os mesmos olhos negros daquelas criaturas, olhos tão antigos quanto o vazio do espaço sideral.

Fui desacreditado e exilado de minha terra, mas acreditem quando lhes digo: Eles estão entre nós.

 

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