Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






Apofenia

O menino abraça os joelhos, fixa o olhar num dos cantos do quarto e relembra o que a mãe dizia quando a visitava no hospital: “É tudo produto da nossa imaginação.”
A recordação o conforta até algo deslizar de uma parede a outra.
O garoto treme. Escuta estalos no teto, arranhões no chão, sussurros próximos ao ouvido. Uma gargalhada.
Vultos rastejam nas paredes; entram no guarda-roupa, escorrem para debaixo da cama e escavam o colchão.
Stanley deseja gritar, no entanto a voz se esconde na garganta. Sente o azedume desgastar a língua como as limonadas que toma antes de ver Caverna do Dragão.
Os sussurros se tornam gritos agudos.
O jovem cerra os punhos e fecha os olhos.
As sombras se aproximam pelo forro de madeira, desprendem um odor de comida estragada.
Stanley joga o lençol para o lado e liga o abajur; a luz falha como a respiração de um asmático em crise.
Olhos apavorados correm pelo quarto. O pânico pulsa, rasteja pela coluna. A frieza do medo o toca na nuca com arrepios.
O menino levanta da cama. Corre e aciona o interruptor próximo da porta; a luz do quarto brilha como o Sol. Stanley caminha até o guarda-roupa. Conta até três e abre as portas.
Roupas, tênis, pôsteres da Nintendo, fotos dos pais. Tudo empoeirado no mesmo lugar de sempre.
O silêncio reina.
Stanley abandona o quarto ainda com o medo pulsando nas veias. Chega ao corredor, desce a escada até a sala de estar. O clarão azulado sinaliza que o pai ainda jaz vendo TV. Ele o vê esparramado na poltrona e o chama.
Não há resposta.
Tenta outra vez.
Nada.

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Wan Moura
Apofenia

O menino abraça os joelhos, fixa o olhar num dos cantos do quarto e relembra o que a mãe dizia quando a visitava no hospital: “É tudo produto da nossa imaginação.”
A recordação o conforta até algo deslizar de uma parede a outra.
O garoto treme. Escuta estalos no teto, arranhões no chão, sussurros próximos ao ouvido. Uma gargalhada.
Vultos rastejam nas paredes; entram no guarda-roupa, escorrem para debaixo da cama e escavam o colchão.
Stanley deseja gritar, no entanto a voz se esconde na garganta. Sente o azedume desgastar a língua como as limonadas que toma antes de ver Caverna do Dragão.
Os sussurros se tornam gritos agudos.
O jovem cerra os punhos e fecha os olhos.
As sombras se aproximam pelo forro de madeira, desprendem um odor de comida estragada.
Stanley joga o lençol para o lado e liga o abajur; a luz falha como a respiração de um asmático em crise.
Olhos apavorados correm pelo quarto. O pânico pulsa, rasteja pela coluna. A frieza do medo o toca na nuca com arrepios.
O menino levanta da cama. Corre e aciona o interruptor próximo da porta; a luz do quarto brilha como o Sol. Stanley caminha até o guarda-roupa. Conta até três e abre as portas.
Roupas, tênis, pôsteres da Nintendo, fotos dos pais. Tudo empoeirado no mesmo lugar de sempre.
O silêncio reina.
Stanley abandona o quarto ainda com o medo pulsando nas veias. Chega ao corredor, desce a escada até a sala de estar. O clarão azulado sinaliza que o pai ainda jaz vendo TV. Ele o vê esparramado na poltrona e o chama.
Não há resposta.
Tenta outra vez.
Nada.

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