Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






Apofenia

O sujeito joga os olhos pelo quarto e vê o relógio marcando meia noite e treze. Ao lado o calendário com imagens do Super Mario Bros. ostenta, rabiscado sobre o dia 2 de Julho de 1989, um “X” feito com giz de cera. O homem jura ter ouvido barulhos vindos do quarto do filho, mas não há nada fora do lugar.
A bombinha para asmáticos, os frascos dos remédios que não surtiram efeito, os pôsteres dos jogos que o garoto adorava, as revistas tenebrosas que alimentavam a imaginação, a data de seis meses atrás marcada com giz no calendário e o Cubo Mágico esquecido sob a cama. Tudo intacto desde o estrangulamento de Stanley pela mãe, portadora da Síndrome de Münchausen.
O homem fecha a porta com o choro travando a respiração, injetando dor nos pensamentos. No caminho de volta desliga a lâmpada do corredor quando a luz começa a oscilar; bebe outro gole de uísque e retorna para a sala sussurrando arrependimentos.
Dentro do quarto algo arranha a porta.
As sombras parecem mais vivas agora.

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Wan Moura
Apofenia

O sujeito joga os olhos pelo quarto e vê o relógio marcando meia noite e treze. Ao lado o calendário com imagens do Super Mario Bros. ostenta, rabiscado sobre o dia 2 de Julho de 1989, um “X” feito com giz de cera. O homem jura ter ouvido barulhos vindos do quarto do filho, mas não há nada fora do lugar.
A bombinha para asmáticos, os frascos dos remédios que não surtiram efeito, os pôsteres dos jogos que o garoto adorava, as revistas tenebrosas que alimentavam a imaginação, a data de seis meses atrás marcada com giz no calendário e o Cubo Mágico esquecido sob a cama. Tudo intacto desde o estrangulamento de Stanley pela mãe, portadora da Síndrome de Münchausen.
O homem fecha a porta com o choro travando a respiração, injetando dor nos pensamentos. No caminho de volta desliga a lâmpada do corredor quando a luz começa a oscilar; bebe outro gole de uísque e retorna para a sala sussurrando arrependimentos.
Dentro do quarto algo arranha a porta.
As sombras parecem mais vivas agora.

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