Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






Fétido

Nelson Avaritia atravessa o salão sem dizer uma palavra. Passa por entre jovens possuídos, aleijados, gays e estupradores convertidos. Sobe os degraus que o levam ao púlpito, retira o pó do terno e ajusta a gravata; aperta bem o nó, de modo que a carótida pulsa com dificuldade. Corre a língua sobre os lábios, saúda uma de suas auxiliares com uma piscadela e cola o cabelo ao crânio com a palma da mão.

O rosto adota feições sérias, as pálpebras cobrem os olhos incandescentes, o queixo toca o peito e os dedos das mãos se entrelaçam. As luzes ferem a pele, a língua queima e os dentes sobem e descem mordendo o nada. A parte interna das bochechas arde, o palato superior solta um gosto amargo, o corpo fervilha.

O fedor de ovo podre paira no ar.

Nelson coleciona pensamentos sórdidos, diabólicos.

O desejo de romper sua prisão de ossos e devorar seus seguidores alimenta o ódio crescente.

Mas é preciso ter paciência.

Diante de Avaritia o mar de gente se espreme. Disputa os potes contendo o esperma miraculoso e ostentam escrituras de terrenos adquiridos no céu. Adoram e observam o religioso com pares de olhos dormentes e sem vida.

Choram, gritam, fingem louvores. Esperam as profecias da noite, um caminho a seguir.

A voz da multidão cresce e se amontoa no ambiente emitindo palavras desconhecidas. Eles disputam para ouvir, e se possível até tocar, o homem de branco diante deles. Não reclamam dos odores que se desprendem do pastor e nem de sua aparência indigesta.

Arrumam desculpas cegas para tudo: o hálito que fede a bosta é por conta de uma gastrite, a carne com bolhas de sangue é o resultado de uma alergia a vinho e o rosto que bruxuleia entre jovialidade e velhice em diversas ocasiões, é apenas uma ilusão de ótica causada pelas luzes fluorescentes.

Ignorância é uma bênção e Avaritia personifica a perfeição para o povo de São Luís. Surgiu como o verdadeiro líder para o rebanho. O salvador das nações que livrará a todos da danação eterna.

Mãos ossudas se desatam e numa imitação nazista, se espalmam em direção ao povo. O burburinho se desfaz, olhos se fixam em sua direção.

Aleijados voltam a andar, cegos voltam a ver e ateus continuam ateus.

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Wan Moura
Fétido

Nelson Avaritia atravessa o salão sem dizer uma palavra. Passa por entre jovens possuídos, aleijados, gays e estupradores convertidos. Sobe os degraus que o levam ao púlpito, retira o pó do terno e ajusta a gravata; aperta bem o nó, de modo que a carótida pulsa com dificuldade. Corre a língua sobre os lábios, saúda uma de suas auxiliares com uma piscadela e cola o cabelo ao crânio com a palma da mão.

O rosto adota feições sérias, as pálpebras cobrem os olhos incandescentes, o queixo toca o peito e os dedos das mãos se entrelaçam. As luzes ferem a pele, a língua queima e os dentes sobem e descem mordendo o nada. A parte interna das bochechas arde, o palato superior solta um gosto amargo, o corpo fervilha.

O fedor de ovo podre paira no ar.

Nelson coleciona pensamentos sórdidos, diabólicos.

O desejo de romper sua prisão de ossos e devorar seus seguidores alimenta o ódio crescente.

Mas é preciso ter paciência.

Diante de Avaritia o mar de gente se espreme. Disputa os potes contendo o esperma miraculoso e ostentam escrituras de terrenos adquiridos no céu. Adoram e observam o religioso com pares de olhos dormentes e sem vida.

Choram, gritam, fingem louvores. Esperam as profecias da noite, um caminho a seguir.

A voz da multidão cresce e se amontoa no ambiente emitindo palavras desconhecidas. Eles disputam para ouvir, e se possível até tocar, o homem de branco diante deles. Não reclamam dos odores que se desprendem do pastor e nem de sua aparência indigesta.

Arrumam desculpas cegas para tudo: o hálito que fede a bosta é por conta de uma gastrite, a carne com bolhas de sangue é o resultado de uma alergia a vinho e o rosto que bruxuleia entre jovialidade e velhice em diversas ocasiões, é apenas uma ilusão de ótica causada pelas luzes fluorescentes.

Ignorância é uma bênção e Avaritia personifica a perfeição para o povo de São Luís. Surgiu como o verdadeiro líder para o rebanho. O salvador das nações que livrará a todos da danação eterna.

Mãos ossudas se desatam e numa imitação nazista, se espalmam em direção ao povo. O burburinho se desfaz, olhos se fixam em sua direção.

Aleijados voltam a andar, cegos voltam a ver e ateus continuam ateus.

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