Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






O Hospedeiro

Júlio Denbrough sempre odiou ter de utilizar banheiro público. Pensar em toda aquela sujeira se impregnando em sua pele, o odor fétido cauterizando suas narinas e ainda ter que ver toda a podridão que o intestino humano é capaz de gerar, o fazia estremecer da cabeça aos pés. Todavia, estava diante de uma emergência e totalmente sem opção. Sobre a cabeça de Júlio, o sol rasgava as nuvens com seus raios escaldantes, transformando o único banheiro químico da obra em que o eletricista trabalhava no Maranhão, num micro-ondas. Ainda assim, o pobre homem de 28 anos obteve a coragem necessária para adentrar e explorar aquela selva de plástico imunda. Lá dentro, ele mordeu os lábios e beliscou-se. Seus olhos lacrimejaram e sua cabeça latejou, pois, tudo ao seu redor estava sujo. O odor de urina e fezes se mostrava onipresente naquele minúsculo cubículo abafado, mas Júlio se manteve firme. Após uma minuciosa averiguação de cada detalhe asqueroso do ambiente, o homem finalmente desafivelou o cinto de sua calça fazendo-a vir a baixo e, sentou-se confortavelmente para iniciar sua tarefa.

Denbrough ainda se preparava para dar início ao processo de expulsão de fezes quando ouviu um som perturbador. O som de marretadas e serras elétricas não foi suficiente para camuflar o ruído de algo dentro do líquido azulado e fedorento. Ele levantou e olhou dentro daquele buraco negro no centro de onde antes estava sentado — usando a luz do display de seu Iphone para dissipar as trevas ali contidas — mas não olhou nada além de fezes e moscas, entremeadas a pedaços de papel higiênico. Um ar frio percorreu suas tripas, e uma ânsia de vômito o obrigou a mais uma vez se acomodar no assento macio, ainda espantado com o som que ouviu. Alguns operários, já começavam a se amontoar em frente ao pequeno banheiro quando mais uma vez Júlio ouviu o som aquoso de antes. Ele se pôs de pé rapidamente, com as calças ainda abaixadas até os calcanhares protegidos pelo seu par de botas. Do lado de fora, socos e pontapés, acompanhados de palavrões e gargalhadas, iam de encontro à porta de fibra reforçada. Denbrough dividia a atenção entre o som da obra, dos possíveis companheiros que o forçariam a sair dali ainda que não tivesse concluído sua missão fisiológica e o som dentro do esgoto da caixa de detritos.

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Wan Moura
O Hospedeiro

Júlio Denbrough sempre odiou ter de utilizar banheiro público. Pensar em toda aquela sujeira se impregnando em sua pele, o odor fétido cauterizando suas narinas e ainda ter que ver toda a podridão que o intestino humano é capaz de gerar, o fazia estremecer da cabeça aos pés. Todavia, estava diante de uma emergência e totalmente sem opção. Sobre a cabeça de Júlio, o sol rasgava as nuvens com seus raios escaldantes, transformando o único banheiro químico da obra em que o eletricista trabalhava no Maranhão, num micro-ondas. Ainda assim, o pobre homem de 28 anos obteve a coragem necessária para adentrar e explorar aquela selva de plástico imunda. Lá dentro, ele mordeu os lábios e beliscou-se. Seus olhos lacrimejaram e sua cabeça latejou, pois, tudo ao seu redor estava sujo. O odor de urina e fezes se mostrava onipresente naquele minúsculo cubículo abafado, mas Júlio se manteve firme. Após uma minuciosa averiguação de cada detalhe asqueroso do ambiente, o homem finalmente desafivelou o cinto de sua calça fazendo-a vir a baixo e, sentou-se confortavelmente para iniciar sua tarefa.

Denbrough ainda se preparava para dar início ao processo de expulsão de fezes quando ouviu um som perturbador. O som de marretadas e serras elétricas não foi suficiente para camuflar o ruído de algo dentro do líquido azulado e fedorento. Ele levantou e olhou dentro daquele buraco negro no centro de onde antes estava sentado — usando a luz do display de seu Iphone para dissipar as trevas ali contidas — mas não olhou nada além de fezes e moscas, entremeadas a pedaços de papel higiênico. Um ar frio percorreu suas tripas, e uma ânsia de vômito o obrigou a mais uma vez se acomodar no assento macio, ainda espantado com o som que ouviu. Alguns operários, já começavam a se amontoar em frente ao pequeno banheiro quando mais uma vez Júlio ouviu o som aquoso de antes. Ele se pôs de pé rapidamente, com as calças ainda abaixadas até os calcanhares protegidos pelo seu par de botas. Do lado de fora, socos e pontapés, acompanhados de palavrões e gargalhadas, iam de encontro à porta de fibra reforçada. Denbrough dividia a atenção entre o som da obra, dos possíveis companheiros que o forçariam a sair dali ainda que não tivesse concluído sua missão fisiológica e o som dentro do esgoto da caixa de detritos.

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