O suspeito - Wan Moura
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






O suspeito

       Treze anos, nove meses e quatro dias. O tempo de uma vida; poderia ter tido filhos, feito um curso superior, visto as vitórias do time do coração, o velório dos pais, a Copa do Mundo no Brasil, o impeachment da Roussef e a ascensão de um presidente ilegítimo idêntico ao Drácula.

       Boa parte da vida passou na Penitenciária de Pedrinhas, onde o pouco de humanidade que retinha na alma se perdeu.
Conheceu o sabor dos cabos de vassouras, esfregões, rodos, pincéis, garrafas pet e detergentes.

       Sentiu a solidez de negros, brancos e até de alguns carcereiros.

       Às vezes vinham um por vez e em outras num conjunto de membros distorcidos e entrançados, secos e molhados, mas nunca com carinho.

       O caos carnal.

       Durante o tempo que passou isolado da sociedade, visitava a enfermaria todos os dias; depois de nove meses o ânus já devorava uma bola de bilhar e um tubo de creme dental juntos, com folga.

       Os pontos já não seguravam e as feridas teimavam em não cicatrizar.

       Todas as noites, quando as luzes dos pavilhões se apagavam e com elas as dores noturnas se aproximavam, Jacinto recordava de João, Pedro, Márcio, Henrique, Paulo, Douglas e Marconis.

       De forma igual lembrava da Miranda, Jacinda, Luana, Roberta, Paulinha e em especial as trigêmeas Adalgiza, Leandra e Tamara.

       Naquela época era o zelador da Escolinha Luluzinha.

       Lá trabalhou por treze meses.

       Tudo desmoronou quando um dia Luana chegou com um olho roxo e duas costelas quebradas.

       Logo as perguntas começaram.

       Conversas com investigadores e delegados, psiquiatras e os tais psicólogos.

       E então as meninas agiram como as condenadas no tribunal de Salém.

       A casa do zelador foi invadida; a porta carcomida por cupins foi abaixo, a estante feita de madeira foi violada e o colchão destruído.

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Wan Moura
O suspeito

       Treze anos, nove meses e quatro dias. O tempo de uma vida; poderia ter tido filhos, feito um curso superior, visto as vitórias do time do coração, o velório dos pais, a Copa do Mundo no Brasil, o impeachment da Roussef e a ascensão de um presidente ilegítimo idêntico ao Drácula.

       Boa parte da vida passou na Penitenciária de Pedrinhas, onde o pouco de humanidade que retinha na alma se perdeu.
Conheceu o sabor dos cabos de vassouras, esfregões, rodos, pincéis, garrafas pet e detergentes.

       Sentiu a solidez de negros, brancos e até de alguns carcereiros.

       Às vezes vinham um por vez e em outras num conjunto de membros distorcidos e entrançados, secos e molhados, mas nunca com carinho.

       O caos carnal.

       Durante o tempo que passou isolado da sociedade, visitava a enfermaria todos os dias; depois de nove meses o ânus já devorava uma bola de bilhar e um tubo de creme dental juntos, com folga.

       Os pontos já não seguravam e as feridas teimavam em não cicatrizar.

       Todas as noites, quando as luzes dos pavilhões se apagavam e com elas as dores noturnas se aproximavam, Jacinto recordava de João, Pedro, Márcio, Henrique, Paulo, Douglas e Marconis.

       De forma igual lembrava da Miranda, Jacinda, Luana, Roberta, Paulinha e em especial as trigêmeas Adalgiza, Leandra e Tamara.

       Naquela época era o zelador da Escolinha Luluzinha.

       Lá trabalhou por treze meses.

       Tudo desmoronou quando um dia Luana chegou com um olho roxo e duas costelas quebradas.

       Logo as perguntas começaram.

       Conversas com investigadores e delegados, psiquiatras e os tais psicólogos.

       E então as meninas agiram como as condenadas no tribunal de Salém.

       A casa do zelador foi invadida; a porta carcomida por cupins foi abaixo, a estante feita de madeira foi violada e o colchão destruído.

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