O suspeito - Wan Moura
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






O suspeito

       Sob a cama vídeos, fotos, revistas e artigos de jornais.

       Descobriram a compulsão do homem, o distúrbio que possuía.

       O povo o linchou, o delegado ordenou punições nos bastidores, os presos por pensão alimentícia o visitaram.

       Jacinto recorda bem das desgraças que o acometeram quando os garotos disseram do que brincavam, apesar de o homem apelar a Deus e ao Diabo de que era inocente.

       A vergonha e o desemprego vieram, a difamação também, as surras e a prisão logo depois.

       Para a sociedade a voz dele era um poço de heresias e filias de infinitas variedades.

       O julgamento da mídia veio antes da voz do Povo.

       Treze anos, nove meses e quatro dias.

       Hoje, foi o último dia do purgatório de Jacinto.

       O Indulto de Natal bateu à porta, assim como o julgamento tardio de seu caso, o de número 13.9103DZ.

       O Juiz Alvarenga da comarca do Araçagi, decidiu por meio dos Direitos (dos)huMANOs que as provas contra o réu Jacinto, 62 anos, maranhense e viúvo, eram inconsistentes devido às testemunhas estarem sob efeito da pressão de um forte apelo por justiça oriundo dos pais das vítimas, pela mídia sensacionalista e a multidão com a sede invariável de fazer justiça com as próprias mãos.

       Jacinto saiu hoje da penitenciária como um presente para as crianças na Véspera deste Natal.

       A liberdade veio.

       Treze horas depois se foi.

       Jacinto foi encontrado no Parque do Bom Menino com o pênis dormindo na boca, o crânio trincado cuspindo fora o conteúdo encefálico que jurou proteger e uma faca entupindo o peito esquerdo. A virilha estava imersa em sangue e urina, fezes esculpiam a parte interna das coxas e sobre elas voava um moscaréu digno do Senhor das Moscas.

       Ao lado do cadáver encontraram um homem com um cachimbo de crack esfumaçando o juízo e uma barra de ferro reluzindo sangue, derramando ferrugem.

       O usuário gritava, lamentava e cuspia o morto.

       Quando em fim se acalmou e lhe perguntaram o porquê do assassinato ele disse, num tom queixoso e quase infantil:
“Ele Zelador… usava os dedos na gente… olhou eu e reconheceu… tentou de novo o que fazia… eu matei. Cresci, matei, chorei e nos vinguei!”.

 

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Wan Moura
O suspeito

       Sob a cama vídeos, fotos, revistas e artigos de jornais.

       Descobriram a compulsão do homem, o distúrbio que possuía.

       O povo o linchou, o delegado ordenou punições nos bastidores, os presos por pensão alimentícia o visitaram.

       Jacinto recorda bem das desgraças que o acometeram quando os garotos disseram do que brincavam, apesar de o homem apelar a Deus e ao Diabo de que era inocente.

       A vergonha e o desemprego vieram, a difamação também, as surras e a prisão logo depois.

       Para a sociedade a voz dele era um poço de heresias e filias de infinitas variedades.

       O julgamento da mídia veio antes da voz do Povo.

       Treze anos, nove meses e quatro dias.

       Hoje, foi o último dia do purgatório de Jacinto.

       O Indulto de Natal bateu à porta, assim como o julgamento tardio de seu caso, o de número 13.9103DZ.

       O Juiz Alvarenga da comarca do Araçagi, decidiu por meio dos Direitos (dos)huMANOs que as provas contra o réu Jacinto, 62 anos, maranhense e viúvo, eram inconsistentes devido às testemunhas estarem sob efeito da pressão de um forte apelo por justiça oriundo dos pais das vítimas, pela mídia sensacionalista e a multidão com a sede invariável de fazer justiça com as próprias mãos.

       Jacinto saiu hoje da penitenciária como um presente para as crianças na Véspera deste Natal.

       A liberdade veio.

       Treze horas depois se foi.

       Jacinto foi encontrado no Parque do Bom Menino com o pênis dormindo na boca, o crânio trincado cuspindo fora o conteúdo encefálico que jurou proteger e uma faca entupindo o peito esquerdo. A virilha estava imersa em sangue e urina, fezes esculpiam a parte interna das coxas e sobre elas voava um moscaréu digno do Senhor das Moscas.

       Ao lado do cadáver encontraram um homem com um cachimbo de crack esfumaçando o juízo e uma barra de ferro reluzindo sangue, derramando ferrugem.

       O usuário gritava, lamentava e cuspia o morto.

       Quando em fim se acalmou e lhe perguntaram o porquê do assassinato ele disse, num tom queixoso e quase infantil:
“Ele Zelador… usava os dedos na gente… olhou eu e reconheceu… tentou de novo o que fazia… eu matei. Cresci, matei, chorei e nos vinguei!”.

 

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