RITUAL - Wan Moura
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






RITUAL

Sandra já não resistia às investidas da avó. O corpo flácido jazia perante o peso da anciã, tremia sob as garras da poderosa Gertrudes. Até que ambas começaram a gritar.

Os vidros da casa estouraram.

As luzes da vizinhança se apagaram e a Deusa Lua reinou com sua luz pálida sobre a noite. Os ventos sacodiam os galhos das árvores e faziam rodopiar as folhas secas no chão. Cães uivaram num coro fantasmagórico e as corujas dividiram o céu com aves vistas apenas em outras eras. O cheiro de gordura queimada exalava no ar pesado da noite, raios soaram ao longe, meteoritos rasgaram a atmosfera e de algum lugar Pã gargalhou.

Foram longos minutos até que os gritos das duas mulheres cessaram. 

O Céu acomodou suas excentricidades.

Os animais da noite fizeram silêncio.

A Mãe Terra prendeu a respiração.

Os ventos pararam de soprar.

Nenhum inseto, Elemental, fantasma ou deidade ousou quebrar o clima de expectativa que tomava o ambiente.

Na minha língua, o gosto de cinzas e vela derretida ensaiava o fim do Ritual. Quando me lembro da sensação, minha pele se arrepia, meu coração acelera e minha alma se enche de prazer.

Quando as luzes voltaram e o mundo voltou a girar entrei no quarto. Os sons dos cacos de vidros sob meus passos me trouxeram à realidade, assim como ver os corpos das mulheres estirados sobre o chão. O odor de urina era pungente, além de enxofre e de carne queimada também.

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Wan Moura
RITUAL

Sandra já não resistia às investidas da avó. O corpo flácido jazia perante o peso da anciã, tremia sob as garras da poderosa Gertrudes. Até que ambas começaram a gritar.

Os vidros da casa estouraram.

As luzes da vizinhança se apagaram e a Deusa Lua reinou com sua luz pálida sobre a noite. Os ventos sacodiam os galhos das árvores e faziam rodopiar as folhas secas no chão. Cães uivaram num coro fantasmagórico e as corujas dividiram o céu com aves vistas apenas em outras eras. O cheiro de gordura queimada exalava no ar pesado da noite, raios soaram ao longe, meteoritos rasgaram a atmosfera e de algum lugar Pã gargalhou.

Foram longos minutos até que os gritos das duas mulheres cessaram. 

O Céu acomodou suas excentricidades.

Os animais da noite fizeram silêncio.

A Mãe Terra prendeu a respiração.

Os ventos pararam de soprar.

Nenhum inseto, Elemental, fantasma ou deidade ousou quebrar o clima de expectativa que tomava o ambiente.

Na minha língua, o gosto de cinzas e vela derretida ensaiava o fim do Ritual. Quando me lembro da sensação, minha pele se arrepia, meu coração acelera e minha alma se enche de prazer.

Quando as luzes voltaram e o mundo voltou a girar entrei no quarto. Os sons dos cacos de vidros sob meus passos me trouxeram à realidade, assim como ver os corpos das mulheres estirados sobre o chão. O odor de urina era pungente, além de enxofre e de carne queimada também.

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