Rock, tinta e sangue - Wan Moura
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






Rock, tinta e sangue

— Qual seu nome mesmo? — Pela segunda vez, a voz feminina do outro lado da linha perguntou, esvaindo toda a paciência dele.
— Édipo Santos Jr! Quer que eu soletre?
— Édipo?!
— Sim, moça. Édipo… talvez seja essa música aí ao fundo que esteja te atrapalhando…Tá tocando Raul?!
— Pode soletrar? — perguntou a mulher, ignorando totalmente a observação feita por Édipo.
— Tá de onda? Ou realmente…
Um pequeno silêncio reinou entre os dois, desfeito apenas quando os riffs de “Sultans of Swing” do Dire Straits surgiram do outro lado da linha. Nada de Raul Seixas.
— Tou de onda. — Ironizou a mulher, o que irritou Édipo.
— Sei, sei… tou cagando de tanto sorrir aqui.
— Sua sessão tá marcada pras 19h. Já têm algum desenho em mente?
— Tenho… o de uma puta vesga falando ao telefone.
— Tá de onda? — disse a mulher, com a voz meio soprada pelo canto da boca.
— Tou sim… a puta não é vesga. Ou você é?
Um breve suspiro, em seguida a mulher responde, segurando um sorriso entre os dentes.
— Não se atrase para a sessão Sr. Édipo Santos Jr.! Passar bem.
Após dizer e ouvir alguns insultos velados, e por fim testemunhar um sorriso escarnecedor que sumia ao passo que ambos desligavam o telefone, Édipo deixou seu corpo afundar no sofá de sua sala. Lá fora, no playground do condomínio, crianças e até alguns adultos estouravam bombinhas a toda hora. Todos estavam ansiosos pela virada do ano onde queimarão mais fogos e farão mais promessas que não se realizarão. Todos exceto Édipo, que não aguenta mais tantos abraços falsos, promessas quebradas e dias imersos na solidão. Ele resolveu inovar, tentar mudar o seu jeito de ser e ver as coisas. Passou uma semana inteira à procura de um estúdio de tatuagem, onde pudesse marcar na pele uma promessa que, desta vez se empenharia pra realizar. Assim, apesar dos desaforos que ouviu da recepcionista ao telefone escolheu o estúdio “Sangue em Tinta”, pois, era o único que estava atendendo no último dia do ano. Uma bendita segunda feira, onde mini explosões roubavam o silêncio que ele tanto apreciava.

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Rock, tinta e sangue

— Qual seu nome mesmo? — Pela segunda vez, a voz feminina do outro lado da linha perguntou, esvaindo toda a paciência dele.
— Édipo Santos Jr! Quer que eu soletre?
— Édipo?!
— Sim, moça. Édipo… talvez seja essa música aí ao fundo que esteja te atrapalhando…Tá tocando Raul?!
— Pode soletrar? — perguntou a mulher, ignorando totalmente a observação feita por Édipo.
— Tá de onda? Ou realmente…
Um pequeno silêncio reinou entre os dois, desfeito apenas quando os riffs de “Sultans of Swing” do Dire Straits surgiram do outro lado da linha. Nada de Raul Seixas.
— Tou de onda. — Ironizou a mulher, o que irritou Édipo.
— Sei, sei… tou cagando de tanto sorrir aqui.
— Sua sessão tá marcada pras 19h. Já têm algum desenho em mente?
— Tenho… o de uma puta vesga falando ao telefone.
— Tá de onda? — disse a mulher, com a voz meio soprada pelo canto da boca.
— Tou sim… a puta não é vesga. Ou você é?
Um breve suspiro, em seguida a mulher responde, segurando um sorriso entre os dentes.
— Não se atrase para a sessão Sr. Édipo Santos Jr.! Passar bem.
Após dizer e ouvir alguns insultos velados, e por fim testemunhar um sorriso escarnecedor que sumia ao passo que ambos desligavam o telefone, Édipo deixou seu corpo afundar no sofá de sua sala. Lá fora, no playground do condomínio, crianças e até alguns adultos estouravam bombinhas a toda hora. Todos estavam ansiosos pela virada do ano onde queimarão mais fogos e farão mais promessas que não se realizarão. Todos exceto Édipo, que não aguenta mais tantos abraços falsos, promessas quebradas e dias imersos na solidão. Ele resolveu inovar, tentar mudar o seu jeito de ser e ver as coisas. Passou uma semana inteira à procura de um estúdio de tatuagem, onde pudesse marcar na pele uma promessa que, desta vez se empenharia pra realizar. Assim, apesar dos desaforos que ouviu da recepcionista ao telefone escolheu o estúdio “Sangue em Tinta”, pois, era o único que estava atendendo no último dia do ano. Uma bendita segunda feira, onde mini explosões roubavam o silêncio que ele tanto apreciava.

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