Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






Rock, tinta e sangue

Édipo ligou a televisão, olhou para o relógio de parede e viu os ponteiros se alinharem, marcando meio-dia. Tempo suficiente para descansar antes da sessão.
[***]
Ainda sorrindo Rita desligou o telefone. Era o terceiro cliente desaforado que pretendia atrasar sua volta pra casa, e apesar de tratá-los mal, apenas dois desistiram. Rita assinalou o nome Édipo ao lado do horário marcado e sorriu mais uma vez ao ler tal nome. Rir é a única forma que encontrou para disfarçar a raiva de ter que trabalhar no último dia de Dezembro. Olhou o relógio e este marcava agora meio dia e um. Lembrou-se da avó que deixou no interior do Maranhão antes de se embrenhar na selva de pedra que é São Paulo, para trabalhar como recepcionista. Para a idosa tanto o meio dia como a meia noite, assim como às seis da tarde, são os momentos em que o mal se mostra mais presente na vida das pessoas. Horas em que as tragédias acontecem.
Rita levantou de sua cadeira cantarolando “Walk” da banda PANTERA, cujo heavy metal balança as pequenas caixas do sistema de som do estúdio de tatuagem. A garota já tencionava sair para o almoço quando pequenos sinos retiniram acima da porta. Rita foi lançada ao chão assim que um estranho entrou. A recepcionista tentou correr, mas foi pega pelos cabelos. O homem a puxou para si e desferiu um soco em seu abdômen. Ela sentiu o gosto de sangue vir à tona e naquele momento, a jovem fez uma promessa para si mesma, mais uma dentre muitas que não realizaria:
“Se eu escapar dessa, nunca mais trabalho no… último dia…”
O desconhecido a esfaqueou. A lâmina entrou com facilidade em suas costas rasgando músculos e veias, ceifando a vida da jovem em cada perfuração. O invasor a deixou agonizando na recepção e prosseguiu para a pequena sala aos fundos, onde um jovem vendedor tatuava o nome de seu amor na perna. Ele iria se casar e tentar ser feliz, já o tatuador iria adicionar mais um trabalho bem feito ao currículo. Porém, não haveria redenção para os alvos do homem que escolhera aquele estúdio como altar para um ritual de carnificina.
Sangue e tinta se misturaram logo que a faca entrou novamente em ação.
[***]

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Wan Moura
Rock, tinta e sangue

Édipo ligou a televisão, olhou para o relógio de parede e viu os ponteiros se alinharem, marcando meio-dia. Tempo suficiente para descansar antes da sessão.
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Ainda sorrindo Rita desligou o telefone. Era o terceiro cliente desaforado que pretendia atrasar sua volta pra casa, e apesar de tratá-los mal, apenas dois desistiram. Rita assinalou o nome Édipo ao lado do horário marcado e sorriu mais uma vez ao ler tal nome. Rir é a única forma que encontrou para disfarçar a raiva de ter que trabalhar no último dia de Dezembro. Olhou o relógio e este marcava agora meio dia e um. Lembrou-se da avó que deixou no interior do Maranhão antes de se embrenhar na selva de pedra que é São Paulo, para trabalhar como recepcionista. Para a idosa tanto o meio dia como a meia noite, assim como às seis da tarde, são os momentos em que o mal se mostra mais presente na vida das pessoas. Horas em que as tragédias acontecem.
Rita levantou de sua cadeira cantarolando “Walk” da banda PANTERA, cujo heavy metal balança as pequenas caixas do sistema de som do estúdio de tatuagem. A garota já tencionava sair para o almoço quando pequenos sinos retiniram acima da porta. Rita foi lançada ao chão assim que um estranho entrou. A recepcionista tentou correr, mas foi pega pelos cabelos. O homem a puxou para si e desferiu um soco em seu abdômen. Ela sentiu o gosto de sangue vir à tona e naquele momento, a jovem fez uma promessa para si mesma, mais uma dentre muitas que não realizaria:
“Se eu escapar dessa, nunca mais trabalho no… último dia…”
O desconhecido a esfaqueou. A lâmina entrou com facilidade em suas costas rasgando músculos e veias, ceifando a vida da jovem em cada perfuração. O invasor a deixou agonizando na recepção e prosseguiu para a pequena sala aos fundos, onde um jovem vendedor tatuava o nome de seu amor na perna. Ele iria se casar e tentar ser feliz, já o tatuador iria adicionar mais um trabalho bem feito ao currículo. Porém, não haveria redenção para os alvos do homem que escolhera aquele estúdio como altar para um ritual de carnificina.
Sangue e tinta se misturaram logo que a faca entrou novamente em ação.
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