Rock, tinta e sangue - Wan Moura
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






Rock, tinta e sangue

Os sinos colidiram entre si mais uma vez. Emitiram um som quase inaudível, pois, o rock do Cradle of Filth repercutia no estúdio. Édipo fechou a porta e olhou em volta. Desenhos e fotos de tatuagens das mais variadas formas, tudo para facilitar ou atrapalhar o cliente na hora da escolha. O estúdio era modesto; Na sala de espera havia um balcão de mogno. Sobre ele alguns papéis amassados estavam espalhados e um peso de papel com formato de caveira se destacava. Contudo, o que prendeu a atenção de Édipo foi o cheiro azedo no ar. O local estava limpo, parecia ter sido feita uma boa faxina, entretanto, um odor pungente parecia esconder-se no ambiente.
— Olá?!… Sou o cliente das 19! — Gritou Édipo na direção do hall que julgou levar até a saleta do tatuador.
A música ecoa alto, agora é “The Trooper” do Iron Maiden, Édipo reconhece logo uma das músicas que ouvia na adolescência. Tamborila no balcão com as pontas dos dedos, quando um homem surge vindo pelo corredor. Ele usa uma máscara de pano que cobre o nariz e a boca. O couro cabeludo não ostenta um fio de cabelo sequer. Seus olhos brilham como um par de esmeraldas que giram nas órbitas como se procurassem o ângulo correto. Sua respiração é entrecortada e faz com que Édipo o compare a um daqueles lutadores de sumô. A camisa que está usando destaca sua obesidade ostentada por no mínimo 150 Kg e em seus braços ele carrega inúmeras tatuagens, sendo uma delas o famoso Baphomet dentro de um pentagrama. Há ainda uma bermuda preta e coturnos pretos, mas Édipo se sente constrangido ao ver que o gordo lhe encara. Ele coloca um par de luvas, quase as rasgando pelo tamanho absurdo de suas mãos.
— És o Édipo? — A voz do homem saiu abafada pela máscara colada ao rosto.
— Sim, o próprio. Vim fazer minha tatuagem… onde está sua recepcionista mal educada?
— Descansando em paz — disse o homem, ainda tentando acomodar as mãos nas luvas pequenas demais para servirem — O que vais tatuar?

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Wan Moura
Rock, tinta e sangue

Os sinos colidiram entre si mais uma vez. Emitiram um som quase inaudível, pois, o rock do Cradle of Filth repercutia no estúdio. Édipo fechou a porta e olhou em volta. Desenhos e fotos de tatuagens das mais variadas formas, tudo para facilitar ou atrapalhar o cliente na hora da escolha. O estúdio era modesto; Na sala de espera havia um balcão de mogno. Sobre ele alguns papéis amassados estavam espalhados e um peso de papel com formato de caveira se destacava. Contudo, o que prendeu a atenção de Édipo foi o cheiro azedo no ar. O local estava limpo, parecia ter sido feita uma boa faxina, entretanto, um odor pungente parecia esconder-se no ambiente.
— Olá?!… Sou o cliente das 19! — Gritou Édipo na direção do hall que julgou levar até a saleta do tatuador.
A música ecoa alto, agora é “The Trooper” do Iron Maiden, Édipo reconhece logo uma das músicas que ouvia na adolescência. Tamborila no balcão com as pontas dos dedos, quando um homem surge vindo pelo corredor. Ele usa uma máscara de pano que cobre o nariz e a boca. O couro cabeludo não ostenta um fio de cabelo sequer. Seus olhos brilham como um par de esmeraldas que giram nas órbitas como se procurassem o ângulo correto. Sua respiração é entrecortada e faz com que Édipo o compare a um daqueles lutadores de sumô. A camisa que está usando destaca sua obesidade ostentada por no mínimo 150 Kg e em seus braços ele carrega inúmeras tatuagens, sendo uma delas o famoso Baphomet dentro de um pentagrama. Há ainda uma bermuda preta e coturnos pretos, mas Édipo se sente constrangido ao ver que o gordo lhe encara. Ele coloca um par de luvas, quase as rasgando pelo tamanho absurdo de suas mãos.
— És o Édipo? — A voz do homem saiu abafada pela máscara colada ao rosto.
— Sim, o próprio. Vim fazer minha tatuagem… onde está sua recepcionista mal educada?
— Descansando em paz — disse o homem, ainda tentando acomodar as mãos nas luvas pequenas demais para servirem — O que vais tatuar?

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