Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






Rock, tinta e sangue

Mais uma vez tudo girou e Édipo foi colocado deitado sobre uma espécie de maca, ligeiramente modificada pelo dono do estúdio. Ele girou a cabeça levemente para direita e viu o careca trazer mais dois corpos ensanguentados de dentro do que lhe pareceu ser um banheiro. Observou o assassino borrifar em si mesmo um pouco do Bom Ar Lavanda e logo guardá-lo em uma das muitas gavetas de metal. Tudo acontecendo de forma acelerada, como se o fim do mundo se aproximasse e o maldito homem gordo precisasse urgentemente sair por aí, agindo como um lunático.
Édipo não sentia as pernas, os braços doíam e do nariz uma cachoeira de sangue fluía sem fim. O homem empunhou uma faca, e com a lâmina já manchada de sangue, decapitou os três cadáveres que acumulou. Édipo chorou como uma criança ao perceber que chegara a sua vez. Virou a cabeça para fitar o teto forrado do estúdio e se concentrou no som que ainda ribombava incessante nos alto falantes. Demorou um pouco pra identificar, mas aquela voz era impossível não reconhecer: Ozzy Osbourne cantando “Mr. Crowley”. Esta foi a última música que Édipo ouviu antes de ter seu tímpano perfurado por uma lâmina. Um som idêntico a fogos de artifício explodiu dentro da sua cabeça e a partir daí mais nada…
…apenas o frio da morte.

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Wan Moura
Rock, tinta e sangue

Mais uma vez tudo girou e Édipo foi colocado deitado sobre uma espécie de maca, ligeiramente modificada pelo dono do estúdio. Ele girou a cabeça levemente para direita e viu o careca trazer mais dois corpos ensanguentados de dentro do que lhe pareceu ser um banheiro. Observou o assassino borrifar em si mesmo um pouco do Bom Ar Lavanda e logo guardá-lo em uma das muitas gavetas de metal. Tudo acontecendo de forma acelerada, como se o fim do mundo se aproximasse e o maldito homem gordo precisasse urgentemente sair por aí, agindo como um lunático.
Édipo não sentia as pernas, os braços doíam e do nariz uma cachoeira de sangue fluía sem fim. O homem empunhou uma faca, e com a lâmina já manchada de sangue, decapitou os três cadáveres que acumulou. Édipo chorou como uma criança ao perceber que chegara a sua vez. Virou a cabeça para fitar o teto forrado do estúdio e se concentrou no som que ainda ribombava incessante nos alto falantes. Demorou um pouco pra identificar, mas aquela voz era impossível não reconhecer: Ozzy Osbourne cantando “Mr. Crowley”. Esta foi a última música que Édipo ouviu antes de ter seu tímpano perfurado por uma lâmina. Um som idêntico a fogos de artifício explodiu dentro da sua cabeça e a partir daí mais nada…
…apenas o frio da morte.

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