Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Adriano Besen
Adriano Besen
Natural de Florianópolis (Santa Catarina)
Autor do livro infantil: A história de uma galinha
Foi colunista do jornal O Tropeiro
Publicado em Antologias, revistas, jornais, blogs e sites.
Escritor e Músico.
Pesquisador e Aventureiro.
Contador de histórias.
Apaixonado por livros.

Facebook: https://www.facebook.com/adriano.besen.7
Instagram: @adrianobesen






A CAVERNA DAS FEITICEIRAS

Em 1782, no sul do Brasil, uma pacata vila de pescadores ficou conhecida por acontecimentos sobrenaturais. Lá, existe uma trilha que passou a ser muito temida pelos moradores locais. Um caminho que ligava duas praias, hora cruzando por costões rochosos a beira mar, hora atravessando por dentro da floresta. Poucos tinham coragem de se aventurar por aquelas bandas. Era a Trilha das Feiticeiras; e só de mencionar esse nome, causava calafrios nas pessoas, que se benziam fazendo o sinal da Cruz. Essa trilha passava por uma caverna e naquele lugar, aconteciam coisas estranhas.

Inicialmente o local não tinha esse nome. Era conhecido apenas como “Caminho dos pescadores”. Era usado apenas pelos moradores da vila. A travessia durava em torno de uma hora, durante o dia. Com o passar do tempo, coisas macabras começaram a acontecer. Primeiro, os pescadores que utilizavam a trilha, passaram a ser surpreendidos por escandalosas risadas de mulheres. Eram gargalhadas assustadoras, típicas de bruxas; porém os homens acreditavam que se tratava de mulheres da vila que estavam reunidas nas proximidades. Passou-se a ouvir com frequência as gargalhadas sinistras, que ecoavam por toda a vila, vindas da mata; durante o dia e durante a noite também. Os boatos sobre a presença de bruxas começou a circular na vila.

Outras coisas estranhas aconteciam. Os homens costumavam usar mulas e cavalos para transportar mercadorias pela trilha, de uma praia para outra e quando os animais chegavam próximo da caverna, eles refugavam, se negando a seguir em frente e passar pelo local. Dizem que os animais tem a capacidade de perceber a presença do mal. Isso contribuía para que o medo das pessoas fosse aumentando. Como se não bastasse, os pescadores começaram a notar que nas noites de lua cheia, nas madrugadas de sexta-feira para sábado, as suas redes de pesca e suas embarcações eram danificadas. Suspeitavam que fosse obra das bruxas.

Frequentemente crianças e adultos saudáveis ficavam doentes. A vila, antes tão vigorosa e promissora, agora parecia estar sendo consumida pelas sombras. Foi então que algo ainda mais bizarro começou a acontecer. Durante a noite, uma luz de cor vermelha brilhava intensamente se movendo com velocidade pela mata; tinha um formato de esfera. Podia se ver tal fenômeno da vila, e alguns mais corajosos que se arriscavam a cruzar a trilha durante a

noite, relatavam que tinham sido perseguidos pela esfera de luz vermelha que sempre desaparecia ao chegar próximo da caverna.

Certa vez, um dos pescadores da vila bebeu demais e resolveu desafiar o desconhecido oculto. Decidiu percorrer a trilha e foi sozinho até a caverna, com a intenção de passar a noite por lá. Durante a madrugada, o homem acordou num sobressalto, ouvindo as já conhecidas e assustadoras gargalhadas de mulheres, dentro da caverna. Assustado, ele imediatamente ficou de pé, tremendo de medo. Pegou o lampião e iluminou para dentro da caverna, mas não enxergava nada. As gargalhadas vinham das profundezas escuras e em um suspiro de coragem, ele resolveu entrar em silêncio para desvendar o mistério.

O homem avançou lentamente por um apertado corredor rochoso da caverna e viu uma claridade no final daquele túnel negro. Apagou o lampião e se aproximou devagar. A luminosidade que ele havia percebido era uma fogueira, e o mais assustador de tudo, foi o que ele viu. Havia três pessoas dançando ao redor da fogueira. Uma menininha, uma jovem mulher e uma velha senhora. As três estavam usavam o mesmo tipo de roupa, vestidos vermelhos e cabelos longos. O homem ficou apavorado ao ver os olhos delas. Seus olhos eram brancos, opacos, como se elas fossem cegas. Aquilo foi aterrorizante e o homem saiu desesperado, crente que tinha visto bruxas.

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Adriano Besen
A CAVERNA DAS FEITICEIRAS

Em 1782, no sul do Brasil, uma pacata vila de pescadores ficou conhecida por acontecimentos sobrenaturais. Lá, existe uma trilha que passou a ser muito temida pelos moradores locais. Um caminho que ligava duas praias, hora cruzando por costões rochosos a beira mar, hora atravessando por dentro da floresta. Poucos tinham coragem de se aventurar por aquelas bandas. Era a Trilha das Feiticeiras; e só de mencionar esse nome, causava calafrios nas pessoas, que se benziam fazendo o sinal da Cruz. Essa trilha passava por uma caverna e naquele lugar, aconteciam coisas estranhas.

Inicialmente o local não tinha esse nome. Era conhecido apenas como “Caminho dos pescadores”. Era usado apenas pelos moradores da vila. A travessia durava em torno de uma hora, durante o dia. Com o passar do tempo, coisas macabras começaram a acontecer. Primeiro, os pescadores que utilizavam a trilha, passaram a ser surpreendidos por escandalosas risadas de mulheres. Eram gargalhadas assustadoras, típicas de bruxas; porém os homens acreditavam que se tratava de mulheres da vila que estavam reunidas nas proximidades. Passou-se a ouvir com frequência as gargalhadas sinistras, que ecoavam por toda a vila, vindas da mata; durante o dia e durante a noite também. Os boatos sobre a presença de bruxas começou a circular na vila.

Outras coisas estranhas aconteciam. Os homens costumavam usar mulas e cavalos para transportar mercadorias pela trilha, de uma praia para outra e quando os animais chegavam próximo da caverna, eles refugavam, se negando a seguir em frente e passar pelo local. Dizem que os animais tem a capacidade de perceber a presença do mal. Isso contribuía para que o medo das pessoas fosse aumentando. Como se não bastasse, os pescadores começaram a notar que nas noites de lua cheia, nas madrugadas de sexta-feira para sábado, as suas redes de pesca e suas embarcações eram danificadas. Suspeitavam que fosse obra das bruxas.

Frequentemente crianças e adultos saudáveis ficavam doentes. A vila, antes tão vigorosa e promissora, agora parecia estar sendo consumida pelas sombras. Foi então que algo ainda mais bizarro começou a acontecer. Durante a noite, uma luz de cor vermelha brilhava intensamente se movendo com velocidade pela mata; tinha um formato de esfera. Podia se ver tal fenômeno da vila, e alguns mais corajosos que se arriscavam a cruzar a trilha durante a

noite, relatavam que tinham sido perseguidos pela esfera de luz vermelha que sempre desaparecia ao chegar próximo da caverna.

Certa vez, um dos pescadores da vila bebeu demais e resolveu desafiar o desconhecido oculto. Decidiu percorrer a trilha e foi sozinho até a caverna, com a intenção de passar a noite por lá. Durante a madrugada, o homem acordou num sobressalto, ouvindo as já conhecidas e assustadoras gargalhadas de mulheres, dentro da caverna. Assustado, ele imediatamente ficou de pé, tremendo de medo. Pegou o lampião e iluminou para dentro da caverna, mas não enxergava nada. As gargalhadas vinham das profundezas escuras e em um suspiro de coragem, ele resolveu entrar em silêncio para desvendar o mistério.

O homem avançou lentamente por um apertado corredor rochoso da caverna e viu uma claridade no final daquele túnel negro. Apagou o lampião e se aproximou devagar. A luminosidade que ele havia percebido era uma fogueira, e o mais assustador de tudo, foi o que ele viu. Havia três pessoas dançando ao redor da fogueira. Uma menininha, uma jovem mulher e uma velha senhora. As três estavam usavam o mesmo tipo de roupa, vestidos vermelhos e cabelos longos. O homem ficou apavorado ao ver os olhos delas. Seus olhos eram brancos, opacos, como se elas fossem cegas. Aquilo foi aterrorizante e o homem saiu desesperado, crente que tinha visto bruxas.

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