Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Aislan Coulter
Escritor de horror, mistério e ficção-científica. É contra o preconceito linguístico, acredita que a mosca sobrevoou as cabeças dos cangaceiros, que Hitler enganou Stalin e que Nero incendiou Roma. Adepto e defensor do teste de empatia Voight-Kampff Principais influências: Stephen King, Clive Barker, William Hjortsberg, Bram Stocker, Anne Rice, Peter Straub, William Peter Blatty, Jason Dark, Jack Woods, Philip K. Dick, Chuck Palahniuk, Irvine Welsh, Jon Ronson, William Golding, Joseph Conrad…





Devaneias

— Pur Deus du céu qui num sabia, capitão. Rezo pá nossu Salvadô todas as noites i issu mi apareci.
— Tu tá mi dizenu qui essas fadas são comu as muléres da vida qui têm acumpanhadu São Lozim?
— Iguaizinhas, capitão. Até confundi cum santa Ritinha, num sabi? Aquela que trabaio na casa…
— Eu sei di quem tu tá falanu, hômi. Óli, tu sabi qui num adimitu essi tipo di coisa nu meu bandu.
— Capitão, purecí sol qui alumia, tô mintinu não sinhô.
— Tu buliu cum qui num devia. Tá amaldiçuadu, hômi.
— Capitão, pur Deus du céu…
— Tragu mintirosu na bala, visse, Ventania! Careci di si ixplica não? Tenhu respeito pur ti. Tu podi toma teu rumo. Siga teu trechu, hômi! Carregui pra longe essa maldição.
— Mai capitão, pur Deus du céu, pela Santa Virgi du Rosáriu…
— Si tu fica vai servi di exemplu. Suma daqui, hômi! Num diga a ninguém qui tivêmu essa prosa.
O cangaceiro avançou para o oeste. Foi se encontrar com os Agoeiros. No desfiladeiro, contou a verdadeira história aos videntes.
Ventania ouviu as instruções. O feiticeiro entregou a garrafa e repetiu:
— Bota a alma du cabra aqui. Dispois tu vai ponhá o teu sangui.
— Sim, sinhô.
— Tu dévi di guarda séti sexta-feira di santidade qui é pá módi agrada o ladu di lá tumbém.
— Sim, sinhô.
Naquela noite, o assassino de fadas, Madurana Severo Leopoldo, vulgo Ventania, encontrou o estreito caminho para o sepulcro. Ele precisava de uma alma. Uma única alma dentro da maldita garrafa. O cabra havia matado muita gente, mas a ideia de carregar uma alma para o resto da vida o assombrava.
A cidade mais próxima ficava a trinta quilômetros e foi pra lá que seguiu.

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Aislan Coulter
Devaneias

— Pur Deus du céu qui num sabia, capitão. Rezo pá nossu Salvadô todas as noites i issu mi apareci.
— Tu tá mi dizenu qui essas fadas são comu as muléres da vida qui têm acumpanhadu São Lozim?
— Iguaizinhas, capitão. Até confundi cum santa Ritinha, num sabi? Aquela que trabaio na casa…
— Eu sei di quem tu tá falanu, hômi. Óli, tu sabi qui num adimitu essi tipo di coisa nu meu bandu.
— Capitão, purecí sol qui alumia, tô mintinu não sinhô.
— Tu buliu cum qui num devia. Tá amaldiçuadu, hômi.
— Capitão, pur Deus du céu…
— Tragu mintirosu na bala, visse, Ventania! Careci di si ixplica não? Tenhu respeito pur ti. Tu podi toma teu rumo. Siga teu trechu, hômi! Carregui pra longe essa maldição.
— Mai capitão, pur Deus du céu, pela Santa Virgi du Rosáriu…
— Si tu fica vai servi di exemplu. Suma daqui, hômi! Num diga a ninguém qui tivêmu essa prosa.
O cangaceiro avançou para o oeste. Foi se encontrar com os Agoeiros. No desfiladeiro, contou a verdadeira história aos videntes.
Ventania ouviu as instruções. O feiticeiro entregou a garrafa e repetiu:
— Bota a alma du cabra aqui. Dispois tu vai ponhá o teu sangui.
— Sim, sinhô.
— Tu dévi di guarda séti sexta-feira di santidade qui é pá módi agrada o ladu di lá tumbém.
— Sim, sinhô.
Naquela noite, o assassino de fadas, Madurana Severo Leopoldo, vulgo Ventania, encontrou o estreito caminho para o sepulcro. Ele precisava de uma alma. Uma única alma dentro da maldita garrafa. O cabra havia matado muita gente, mas a ideia de carregar uma alma para o resto da vida o assombrava.
A cidade mais próxima ficava a trinta quilômetros e foi pra lá que seguiu.

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