Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Aislan Coulter
Escritor de horror, mistério e ficção-científica. É contra o preconceito linguístico, acredita que a mosca sobrevoou as cabeças dos cangaceiros, que Hitler enganou Stalin e que Nero incendiou Roma. Adepto e defensor do teste de empatia Voight-Kampff Principais influências: Stephen King, Clive Barker, William Hjortsberg, Bram Stocker, Anne Rice, Peter Straub, William Peter Blatty, Jason Dark, Jack Woods, Philip K. Dick, Chuck Palahniuk, Irvine Welsh, Jon Ronson, William Golding, Joseph Conrad…





Devaneias

Ele tentou golpeá-la, mas não a alcançou. Saiu e viu o cavalo arrebentado no chão — as moscas invadiam as entranhas do animal. Vomitou. As pernas não obedeciam, estava zonzo. Procurou abrigo atrás do boteco. Sentou-se, sacou a arma e esperou.
A fada abriu as asas e saltou.
Ventania deu dois disparos e pensou ter atingido a diaba. Soltou a arma na calçada e respirou fundo.
A fada se aproximou com rapidez e cheirou a alma do cangaceiro. Ele sentiu um forte arrepio seguido de náuseas. Correu. Um vento forte agarrou seu tornozelo — o tombo foi inevitável. Uma sensação de ardência tomou conta da panturrilha. Não conseguia se levantar. Levou a mão e não encontrou; o pé estava a alguns metros dali.
A Devaneia envolveu o corpo do cangaceiro em movimentos rápidos. Retalhou o rosto. A coxa de Madurana queimou — um imenso corte trouxe o músculo para fora. Ela voou sobre a mão esquerda de Ventania e desceu — os dedos ficaram no chão. Depois foi a vez das costelas. A fada subiu, retalhando todo o tronco.
Ventania olhou para o céu e esperou por algum tipo de sinal que o conduzisse ao paraíso. As pálpebras pesaram, e o sangue se perdia em cima do seu corpo. Tentou gritar sem boca e sem bochechas.
A fada desceu enfurecida, os lábios carnudos arreganhados mostravam as gengivas e os dentes — do tamanho de uma vagem.
E essa foi a última coisa que o cangaceiro viu.

 

 

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Aislan Coulter
Devaneias

Ele tentou golpeá-la, mas não a alcançou. Saiu e viu o cavalo arrebentado no chão — as moscas invadiam as entranhas do animal. Vomitou. As pernas não obedeciam, estava zonzo. Procurou abrigo atrás do boteco. Sentou-se, sacou a arma e esperou.
A fada abriu as asas e saltou.
Ventania deu dois disparos e pensou ter atingido a diaba. Soltou a arma na calçada e respirou fundo.
A fada se aproximou com rapidez e cheirou a alma do cangaceiro. Ele sentiu um forte arrepio seguido de náuseas. Correu. Um vento forte agarrou seu tornozelo — o tombo foi inevitável. Uma sensação de ardência tomou conta da panturrilha. Não conseguia se levantar. Levou a mão e não encontrou; o pé estava a alguns metros dali.
A Devaneia envolveu o corpo do cangaceiro em movimentos rápidos. Retalhou o rosto. A coxa de Madurana queimou — um imenso corte trouxe o músculo para fora. Ela voou sobre a mão esquerda de Ventania e desceu — os dedos ficaram no chão. Depois foi a vez das costelas. A fada subiu, retalhando todo o tronco.
Ventania olhou para o céu e esperou por algum tipo de sinal que o conduzisse ao paraíso. As pálpebras pesaram, e o sangue se perdia em cima do seu corpo. Tentou gritar sem boca e sem bochechas.
A fada desceu enfurecida, os lábios carnudos arreganhados mostravam as gengivas e os dentes — do tamanho de uma vagem.
E essa foi a última coisa que o cangaceiro viu.

 

 

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