Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Aislan Coulter
Escritor de horror, mistério e ficção-científica. É contra o preconceito linguístico, acredita que a mosca sobrevoou as cabeças dos cangaceiros, que Hitler enganou Stalin e que Nero incendiou Roma. Adepto e defensor do teste de empatia Voight-Kampff Principais influências: Stephen King, Clive Barker, William Hjortsberg, Bram Stocker, Anne Rice, Peter Straub, William Peter Blatty, Jason Dark, Jack Woods, Philip K. Dick, Chuck Palahniuk, Irvine Welsh, Jon Ronson, William Golding, Joseph Conrad…





Hóspede

— Santo Deus! — Milton saltou da cadeira.

A necromante sentiu os tumores do útero estourarem. O absorvente não conseguiu segurar. O sangue desceu pelas pernas e alcançou o chão.

— Se avexe, não! — exclamou o hóspede.

A voz possuía um timbre grave e pesado.

— Cadê u marditu du coroné!

Dennis se afastou da mesa.

— Coroné! — a língua trepidante. — É tu, é? — o espírito apontava para Milton.

— Não! Quer dizer… Não, senhor… — Milton tropeçou nas palavras.

— Quem está aí? — Dora estava curiosa.

— Tu fala cum uma auturidade que tu num tem, fía de uma rapariga! — esbravejou o demônio.

O espírito se agitou violentamente. Fez uma tremenda força com o abdômen, o intestino se encarregou de jogar o ar fedorento para fora.

— Pra mim deu! — a voz de Dennis saiu trêmula.

O corpo da necromante obedeceu ao hóspede, defecou.

— Oh, não… — Dora levou a mão ao nariz.

O espírito gargalhou.

O hóspede olhou para o madeiramento do telhado. Fitou a estrutura da sala. Estava confuso. A última cena que viu foi a da emboscada. Depois o facão decepou sua cabeça e os olhos cambalearam, lutando contra a paisagem sangrenta por três míseros segundos até se fecharem. Agora estava de volta. Queria vingança. Mas aqueles anfitriões pareciam distantes dos macacos da chacina.

— O que você quer? — indagou Dennis.

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Aislan Coulter
Hóspede

— Santo Deus! — Milton saltou da cadeira.

A necromante sentiu os tumores do útero estourarem. O absorvente não conseguiu segurar. O sangue desceu pelas pernas e alcançou o chão.

— Se avexe, não! — exclamou o hóspede.

A voz possuía um timbre grave e pesado.

— Cadê u marditu du coroné!

Dennis se afastou da mesa.

— Coroné! — a língua trepidante. — É tu, é? — o espírito apontava para Milton.

— Não! Quer dizer… Não, senhor… — Milton tropeçou nas palavras.

— Quem está aí? — Dora estava curiosa.

— Tu fala cum uma auturidade que tu num tem, fía de uma rapariga! — esbravejou o demônio.

O espírito se agitou violentamente. Fez uma tremenda força com o abdômen, o intestino se encarregou de jogar o ar fedorento para fora.

— Pra mim deu! — a voz de Dennis saiu trêmula.

O corpo da necromante obedeceu ao hóspede, defecou.

— Oh, não… — Dora levou a mão ao nariz.

O espírito gargalhou.

O hóspede olhou para o madeiramento do telhado. Fitou a estrutura da sala. Estava confuso. A última cena que viu foi a da emboscada. Depois o facão decepou sua cabeça e os olhos cambalearam, lutando contra a paisagem sangrenta por três míseros segundos até se fecharem. Agora estava de volta. Queria vingança. Mas aqueles anfitriões pareciam distantes dos macacos da chacina.

— O que você quer? — indagou Dennis.

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