Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Alan Cassol
Uma vez levei um tapão na boca porque comi terra. Hoje, fico dando coice nas perninhas que fofocam pensamentos binários. Não afugento nada quando escrevo, mas divido farelinhos de vergonha na cara com quem quiser de um que não. Concordo com o Stieg Larsson





A gota

Na mesma noite, na cela D, João, mais conhecido como O Chaveiro da Morte, estava passando por problemas intestinais. O infeliz não desgrudava seu traseiro grande e branco da privada.

Nos tempos de liberdade, o chaveiro Joa, como era chamado por seus colegas de trabalho, se vangloriava por ter invadido 47 residências e assassinar mais de 30 pessoas. João foi apanhado quando tentava invadir a casa do próprio chefe. Depois de imobilizá-lo com uma barra de ferro na cabeça, o patrão obrigou João a engolir mais de 50 chaves antes de chamar a polícia. Resultado: A lesão causada por meia centena de chaves de metal embrulhadas nas tripas, fez com que o rabo de João se tornasse um verdadeiro tanque de guerra desgovernado.

João percebeu um líquido gelado entrar pelo cu e se alojar no intestino grosso e delgado. Ele deu um salto para frente e se levantou com extrema rapidez com a ajuda dos braços. Uma dor aguda tomou conta da barriga de João, fazendo com que ele escorasse o corpo na parede. Quando finalmente reuniu forças para gritar por ajuda, sentiu o impacto das tripas explodindo e, na sequência, uma bola do tamanho de uma melancia grande se apresentou dentro da barriga. João caiu de joelhos e se apoiou com as mãos no chão. Por onde o líquido gelado entrou, a bola começou a sair. O rabo de João começou a rasgar, um rombo até o Cóccix, outro partindo ao meio o saco escrotal. Uma grande bolsa de sangue emergiu do ânus arrombado do Chaveiro da Morte e se espatifou no chão. Pedaços de tripas, fígado, rins, estômago e fezes se misturaram com o sangue pútrido no chão. Os olhos de João estavam esbugalhados com a pior dor que um homem já sentiu.

Marcelo gritava e chorava enquanto tampava o nariz. Álvaro tremia as mãos tentando abrir a cela do mais novo defunto do corredor prisional.

Uma grande quantidade de pessoas estava fazendo os serviços que são feitos após uma morte não natural. Marcelo observava atentamente a movimentação.

− Pergunta pra ele – Álvaro apontou o dedo na direção da cela de Marcelo. – Os dois viviam de conversa.

Um investigador se aproximou de Marcelo e perguntou se ele tinha alguma ideia do que aconteceu na cela D.

− Não tenho a mínima noção, detetive de bosta. – Marcelo sorriu ironicamente.

− Deixem este preso de bosta pra lá, ele não sabe de nada. – disse o “detetive de bosta”.

− Eu sei de algo – todos se voltaram para Marcelo – Amanhã serão as minhas tripas que vocês vão guardar em um saco preto – Marcelo sorriu alucinadamente.

Páginas: 1 2 3 4 5

Alan Cassol
A gota

Na mesma noite, na cela D, João, mais conhecido como O Chaveiro da Morte, estava passando por problemas intestinais. O infeliz não desgrudava seu traseiro grande e branco da privada.

Nos tempos de liberdade, o chaveiro Joa, como era chamado por seus colegas de trabalho, se vangloriava por ter invadido 47 residências e assassinar mais de 30 pessoas. João foi apanhado quando tentava invadir a casa do próprio chefe. Depois de imobilizá-lo com uma barra de ferro na cabeça, o patrão obrigou João a engolir mais de 50 chaves antes de chamar a polícia. Resultado: A lesão causada por meia centena de chaves de metal embrulhadas nas tripas, fez com que o rabo de João se tornasse um verdadeiro tanque de guerra desgovernado.

João percebeu um líquido gelado entrar pelo cu e se alojar no intestino grosso e delgado. Ele deu um salto para frente e se levantou com extrema rapidez com a ajuda dos braços. Uma dor aguda tomou conta da barriga de João, fazendo com que ele escorasse o corpo na parede. Quando finalmente reuniu forças para gritar por ajuda, sentiu o impacto das tripas explodindo e, na sequência, uma bola do tamanho de uma melancia grande se apresentou dentro da barriga. João caiu de joelhos e se apoiou com as mãos no chão. Por onde o líquido gelado entrou, a bola começou a sair. O rabo de João começou a rasgar, um rombo até o Cóccix, outro partindo ao meio o saco escrotal. Uma grande bolsa de sangue emergiu do ânus arrombado do Chaveiro da Morte e se espatifou no chão. Pedaços de tripas, fígado, rins, estômago e fezes se misturaram com o sangue pútrido no chão. Os olhos de João estavam esbugalhados com a pior dor que um homem já sentiu.

Marcelo gritava e chorava enquanto tampava o nariz. Álvaro tremia as mãos tentando abrir a cela do mais novo defunto do corredor prisional.

Uma grande quantidade de pessoas estava fazendo os serviços que são feitos após uma morte não natural. Marcelo observava atentamente a movimentação.

− Pergunta pra ele – Álvaro apontou o dedo na direção da cela de Marcelo. – Os dois viviam de conversa.

Um investigador se aproximou de Marcelo e perguntou se ele tinha alguma ideia do que aconteceu na cela D.

− Não tenho a mínima noção, detetive de bosta. – Marcelo sorriu ironicamente.

− Deixem este preso de bosta pra lá, ele não sabe de nada. – disse o “detetive de bosta”.

− Eu sei de algo – todos se voltaram para Marcelo – Amanhã serão as minhas tripas que vocês vão guardar em um saco preto – Marcelo sorriu alucinadamente.

Páginas: 1 2 3 4 5