Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Alan Cassol
Uma vez levei um tapão na boca porque comi terra. Hoje, fico dando coice nas perninhas que fofocam pensamentos binários. Não afugento nada quando escrevo, mas divido farelinhos de vergonha na cara com quem quiser de um que não. Concordo com o Stieg Larsson





A gota

Os investigadores pediram a transferência de Marcelo o quanto antes por motivo de segurança até que a investigação fosse concluída. Marcelo era o único preso remanescente no local.

Álvaro chegou em seu apartamento quase ao meio-dia, sentou-se no sofá e abriu uma garrafa de cerveja. Um pensamento visitou a sua mente: “será que pode ter algo a ver com aquele p…, não, não posso estar pensando tamanha loucura”. Dez minutos depois, Álvaro já estava roncando no sofá. A garrafa de cerveja ficou metade cheia.

A mancha de sangue que ficou impregnada na jaqueta de Álvaro quando ele encostou no corpo de João começou a tomar conta de todas as vestimentas dele. Álvaro acordou com a sensação de estar sendo esmagado por uma prensa hidráulica. As roupas ensanguentadas começaram a pressionar o corpo até o carcereiro ter o privilégio de sentir todos os seus ossos se esmigalhando até virar centenas de pequenos punhais dentro do corpo. O carcereiro de 51 anos estava morto.

Ao perceberem a falta de Álvaro no trabalho à noite, o guarda Alex foi chamado às pressas para cobrir o turno.
Marcelo estava deitado no chão, ele não pregava o olho há duas noites. Por volta das 3h da madrugada, “ela” começou a saltitar dentro do cérebro de Marcelo. Parecia que algo estava dançando dentro da cabeça do infeliz prisioneiro. Ele acordou no mesmo instante e começou a coçar desesperadamente a cabeça. Chegou até a batê-la contra a parede. Uma coceira “incoçável” deve ser uma das piores sensações humanas.

Marcelo foi chamado para pegar um pouco de sol por volta das 14h. Lá, ele recebeu o aviso de que seria transferido na manhã seguinte. “Tanto faz. Amanhã,a minha cela será uma eterna sala escura”.

Marcelo se encontrava de pé, com as mãos nas grades e olhando para a parede do corredor. Uma súbita falta de energia fez o corredor ficar na mais completa escuridão ao mesmo tempo em que a cela de Marcelo se abriu. Ele saiu desconfiado e se dirigiu até a porta da entrada principal. Ao abrir a porta, ele se deparou com o guarda Alex caído ao lado de uma enorme poça de sangue. O sangue formou algo parecido com uma serpente e foi de encontro a Marcelo. Depois de ter dado 6 passos para trás, ele parou. A serpente de sangue subiu pela parede do corredor e chegou até o teto, fazendo com que as luzes começassem a piscar até voltar ao estado de iluminação normal. O sangue se fixou em formato de um círculo de 2 metros de diâmetro no teto. Por mais que Marcelo não quisesse acreditar no que estava vendo, o círculo começou a descer como uma gosma e, aos poucos, uma enorme cruz de sangue foi se formando ao encontro da cabeça de Marcelo. Com extrema violência, ela cravou-se no meio do crânio e rasgou o corpo de Marcelo ao meio.

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Alan Cassol
A gota

Os investigadores pediram a transferência de Marcelo o quanto antes por motivo de segurança até que a investigação fosse concluída. Marcelo era o único preso remanescente no local.

Álvaro chegou em seu apartamento quase ao meio-dia, sentou-se no sofá e abriu uma garrafa de cerveja. Um pensamento visitou a sua mente: “será que pode ter algo a ver com aquele p…, não, não posso estar pensando tamanha loucura”. Dez minutos depois, Álvaro já estava roncando no sofá. A garrafa de cerveja ficou metade cheia.

A mancha de sangue que ficou impregnada na jaqueta de Álvaro quando ele encostou no corpo de João começou a tomar conta de todas as vestimentas dele. Álvaro acordou com a sensação de estar sendo esmagado por uma prensa hidráulica. As roupas ensanguentadas começaram a pressionar o corpo até o carcereiro ter o privilégio de sentir todos os seus ossos se esmigalhando até virar centenas de pequenos punhais dentro do corpo. O carcereiro de 51 anos estava morto.

Ao perceberem a falta de Álvaro no trabalho à noite, o guarda Alex foi chamado às pressas para cobrir o turno.
Marcelo estava deitado no chão, ele não pregava o olho há duas noites. Por volta das 3h da madrugada, “ela” começou a saltitar dentro do cérebro de Marcelo. Parecia que algo estava dançando dentro da cabeça do infeliz prisioneiro. Ele acordou no mesmo instante e começou a coçar desesperadamente a cabeça. Chegou até a batê-la contra a parede. Uma coceira “incoçável” deve ser uma das piores sensações humanas.

Marcelo foi chamado para pegar um pouco de sol por volta das 14h. Lá, ele recebeu o aviso de que seria transferido na manhã seguinte. “Tanto faz. Amanhã,a minha cela será uma eterna sala escura”.

Marcelo se encontrava de pé, com as mãos nas grades e olhando para a parede do corredor. Uma súbita falta de energia fez o corredor ficar na mais completa escuridão ao mesmo tempo em que a cela de Marcelo se abriu. Ele saiu desconfiado e se dirigiu até a porta da entrada principal. Ao abrir a porta, ele se deparou com o guarda Alex caído ao lado de uma enorme poça de sangue. O sangue formou algo parecido com uma serpente e foi de encontro a Marcelo. Depois de ter dado 6 passos para trás, ele parou. A serpente de sangue subiu pela parede do corredor e chegou até o teto, fazendo com que as luzes começassem a piscar até voltar ao estado de iluminação normal. O sangue se fixou em formato de um círculo de 2 metros de diâmetro no teto. Por mais que Marcelo não quisesse acreditar no que estava vendo, o círculo começou a descer como uma gosma e, aos poucos, uma enorme cruz de sangue foi se formando ao encontro da cabeça de Marcelo. Com extrema violência, ela cravou-se no meio do crânio e rasgou o corpo de Marcelo ao meio.

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