Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Alan Cassol
Uma vez levei um tapão na boca porque comi terra. Hoje, fico dando coice nas perninhas que fofocam pensamentos binários. Não afugento nada quando escrevo, mas divido farelinhos de vergonha na cara com quem quiser de um que não. Concordo com o Stieg Larsson





A gota

− Agora eu vos perdoo – disse a face que se formou na poça de sangue.

A casa de madeira branca e marrom ficava pouco mais que 3 quilômetros do centro da cidade. Na varanda estava sentado um homem de 58 anos. Ele se colocou a olhar para o horizonte após ter caído em prantos ao relembrar a história que o jornal estampou na capa. A nota do jornal: “Hoje, completa 1 mês do trágico suicídio do jovem padre Márcio Alterman, filho do famoso milionário do ramo de créditos pessoais, Aparício Alterman. O jovem foi encontrado pendurado por uma corda no altar da igreja em que transmitia a palavra sagrada. Nossos mais sinceros votos de prosperidade para toda a família Alterman”.

Márcio levava a palavra de Deus não só para os que frequentavam a igreja, ele também praticava o bondoso ato de levar uma palavra de conforto para os presidiários. O corredor do carcereiro Álvaro também recebeu a visita do jovem padre.

Naquela época, Álvaro acabara de se separar da esposa. Ele colocou a culpa na igreja e no padre Márcio. Para ele, as frequentes visitas de sua mulher à igreja, fizeram com que ela visse o alcoolismo como um problema incurável. Ela deixou Álvaro porque ele a traia com a irmã.

A visita do padre Márcio à prisão em que Marcelo se encontrava foi vista como uma oportunidade de vingança para Álvaro.

− Ouçam, meninas, tenho uma surpresa – Álvaro anunciava a visita do padre Márcio enquanto o amarrava contra as grades da cela A.

Bafo de Leão não demorou mais do que um minuto pra cravar o seu pau velho no rabo do jovem padre. O carcereiro abriu as celas de João e Marcelo e os chamou para a brincadeira. Todos estupraram o pobre padre inúmeras vezes. O faxineiro ficou de vigia, afinal, uns trocados a mais faria uma grande diferença para ele no fim do mês. Depois que todos saciaram a desprezível vontade, Marcelo largou um baita chute na boca de Márcio. Uma gorda gota de sangue caiu na perna da cama de Bafo de Leão.

A gota que ficou alojada na cela A, carregou a mais pura raiva que uma pessoa pode levar para a eternidade. O padre Márcio foi até a igreja e se enforcou sob o teto que cobria o altar da igreja.

− Oh, Deus, me perdoe, pois eu pequei.

O padre foi para um lugar desconhecido, mas sua gota de sangue, não.

A gota fodeu com a vida de todos.

 

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Alan Cassol
A gota

− Agora eu vos perdoo – disse a face que se formou na poça de sangue.

A casa de madeira branca e marrom ficava pouco mais que 3 quilômetros do centro da cidade. Na varanda estava sentado um homem de 58 anos. Ele se colocou a olhar para o horizonte após ter caído em prantos ao relembrar a história que o jornal estampou na capa. A nota do jornal: “Hoje, completa 1 mês do trágico suicídio do jovem padre Márcio Alterman, filho do famoso milionário do ramo de créditos pessoais, Aparício Alterman. O jovem foi encontrado pendurado por uma corda no altar da igreja em que transmitia a palavra sagrada. Nossos mais sinceros votos de prosperidade para toda a família Alterman”.

Márcio levava a palavra de Deus não só para os que frequentavam a igreja, ele também praticava o bondoso ato de levar uma palavra de conforto para os presidiários. O corredor do carcereiro Álvaro também recebeu a visita do jovem padre.

Naquela época, Álvaro acabara de se separar da esposa. Ele colocou a culpa na igreja e no padre Márcio. Para ele, as frequentes visitas de sua mulher à igreja, fizeram com que ela visse o alcoolismo como um problema incurável. Ela deixou Álvaro porque ele a traia com a irmã.

A visita do padre Márcio à prisão em que Marcelo se encontrava foi vista como uma oportunidade de vingança para Álvaro.

− Ouçam, meninas, tenho uma surpresa – Álvaro anunciava a visita do padre Márcio enquanto o amarrava contra as grades da cela A.

Bafo de Leão não demorou mais do que um minuto pra cravar o seu pau velho no rabo do jovem padre. O carcereiro abriu as celas de João e Marcelo e os chamou para a brincadeira. Todos estupraram o pobre padre inúmeras vezes. O faxineiro ficou de vigia, afinal, uns trocados a mais faria uma grande diferença para ele no fim do mês. Depois que todos saciaram a desprezível vontade, Marcelo largou um baita chute na boca de Márcio. Uma gorda gota de sangue caiu na perna da cama de Bafo de Leão.

A gota que ficou alojada na cela A, carregou a mais pura raiva que uma pessoa pode levar para a eternidade. O padre Márcio foi até a igreja e se enforcou sob o teto que cobria o altar da igreja.

− Oh, Deus, me perdoe, pois eu pequei.

O padre foi para um lugar desconhecido, mas sua gota de sangue, não.

A gota fodeu com a vida de todos.

 

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