Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Alan Cassol
Uma vez levei um tapão na boca porque comi terra. Hoje, fico dando coice nas perninhas que fofocam pensamentos binários. Não afugento nada quando escrevo, mas divido farelinhos de vergonha na cara com quem quiser de um que não. Concordo com o Stieg Larsson





O HOMEM DO UNIVERSO

Lá vai o homem do universo

Flutuando à deriva no espaço

O homem do universo observa o destino.

 

Ele reconhece a casa onde nasceu

Avista os amigos brincando na infância

Lembra da estrada que comeu o sangue do tombo.

 

O sorriso da menina da pré-escola

O frio na barriga antes do sinal bater

O cheiro do vento na volta pra casa.

 

A lembrança da mãe cruza as estrelas como um cometa cintilante

O homem do universo não pode chorar

As lagrimas congelam no espaço

A dor do homem do universo é avistada pelos girassóis doentes.

 

A chance que perdeu a batalha para o medo

O perdão que nunca foi pedido

A escolha certa no momento errado

O alforje cheio de sonhos embrulhados que nunca foram entregues.

 

O homem do universo lembra do espelho

Percebe que nunca teve a coragem de se ver 

Regozijou ao lembrar da vida que imaginou

A sorte de não viver a própria vida é o não precisar ter o trabalho de enviar o cartão de natal para ninguém

O homem do universo se arrepende por ter fechado os olhos ao olhar para o espelho.

 

O coração não pulsa

O tempo agora é só espaço

A lembrança é uma colagem embrulhada nos planetas

O homem do universo estica os braços

Não foi dessa vez. Nunca vai ser.

 

O homem do universo não pode trancar a respiração para ficar inconsciente

Não há pulmões para a ruptura

A saliva começa a borbulhar na boca do homem do universo

”A paz é a dor que não me deixa esquecer?”.

 

O homem do universo dá as costas para a Terra

Ele não pode chorar, não pode perdoar ou pedir perdão

Não pode devolver o abraço ao querido amigo que se foi

Um desejo de bom dia nunca mais será dito ao homem do universo

Ele será eterno agora, o corpo não vai decompor no espaço.

 

As crianças brincam com armas de plástico

Os adultos cortam o ar para fazer calçadas

Os cães lambem seus verdugos

As abelhas são derrotadas pelas vespas

A borboleta perece na melhor forma da vida

Os rifles comem o marfim

Eles olham para o céu e dizem:

 

“Lá vai o homem do universo

O homem do universo vai me perdoar

Quero ser o homem do universo

O homem do universo é que é feliz”.

 

Alan Cassol
O HOMEM DO UNIVERSO

Lá vai o homem do universo

Flutuando à deriva no espaço

O homem do universo observa o destino.

 

Ele reconhece a casa onde nasceu

Avista os amigos brincando na infância

Lembra da estrada que comeu o sangue do tombo.

 

O sorriso da menina da pré-escola

O frio na barriga antes do sinal bater

O cheiro do vento na volta pra casa.

 

A lembrança da mãe cruza as estrelas como um cometa cintilante

O homem do universo não pode chorar

As lagrimas congelam no espaço

A dor do homem do universo é avistada pelos girassóis doentes.

 

A chance que perdeu a batalha para o medo

O perdão que nunca foi pedido

A escolha certa no momento errado

O alforje cheio de sonhos embrulhados que nunca foram entregues.

 

O homem do universo lembra do espelho

Percebe que nunca teve a coragem de se ver 

Regozijou ao lembrar da vida que imaginou

A sorte de não viver a própria vida é o não precisar ter o trabalho de enviar o cartão de natal para ninguém

O homem do universo se arrepende por ter fechado os olhos ao olhar para o espelho.

 

O coração não pulsa

O tempo agora é só espaço

A lembrança é uma colagem embrulhada nos planetas

O homem do universo estica os braços

Não foi dessa vez. Nunca vai ser.

 

O homem do universo não pode trancar a respiração para ficar inconsciente

Não há pulmões para a ruptura

A saliva começa a borbulhar na boca do homem do universo

”A paz é a dor que não me deixa esquecer?”.

 

O homem do universo dá as costas para a Terra

Ele não pode chorar, não pode perdoar ou pedir perdão

Não pode devolver o abraço ao querido amigo que se foi

Um desejo de bom dia nunca mais será dito ao homem do universo

Ele será eterno agora, o corpo não vai decompor no espaço.

 

As crianças brincam com armas de plástico

Os adultos cortam o ar para fazer calçadas

Os cães lambem seus verdugos

As abelhas são derrotadas pelas vespas

A borboleta perece na melhor forma da vida

Os rifles comem o marfim

Eles olham para o céu e dizem:

 

“Lá vai o homem do universo

O homem do universo vai me perdoar

Quero ser o homem do universo

O homem do universo é que é feliz”.