Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Alan Cassol
Uma vez levei um tapão na boca porque comi terra. Hoje, fico dando coice nas perninhas que fofocam pensamentos binários. Não afugento nada quando escrevo, mas divido farelinhos de vergonha na cara com quem quiser de um que não. Concordo com o Stieg Larsson





Queimando vivo ( Falcão-peregrino-kamikaze)

No lado mais escuro da cidade, uma raquítica e arguta coruja crocitou tão alto que espantou o seu iminente jantar. Foi um verdadeiro caos aquele acontecimento inesperado. Os ratos, com seus olhos cor de brasa, saltaram de dentro das latas de lixo e correram para as frestas do beco mais pasmoso da metrópole mais emporcalhada de um mundo tão velhaco quanto um gesto de caridade tendencioso, televisionado e fotografado.

Um pouco afastado dali, em um raro metro quadrado de terra que ainda suporta uma árvore, os urubus, que já estavam em alerta, ouviram o sinal da coruja e partiram em direção ao subúrbio da cidade, onde os habitantes queimam em seus quintais o lixo tóxico das coisas eles não precisavam mesmo quando elas estavam novas. Os mesmos habitantes que trabalham 43645496745634 milhões horas para comprar remédios que os salvam da própria rede de mazelas que criaram. Os habitantes que impelem Dióxido de Nitrogênio nos pulmões das suas crianças asmáticas como se fossem um bando de cospe-fogo dançarinos em um cortejo assoprando fogo ao vento sobre um verde vale florido numa ensolarada tarde de domingo.

Como foi combinado, cada urubu carregou uma estopa de pano nas garras e voaram ao encontro dos vários focos de fogo nos quintais e terrenos baldios da cidade. Eles então pousaram ao lado das chamas, posicionaram as estopas para que o fogo entrasse e contato com o pano, agarraram as estopas e partiram até o destino mais próximo.
No centro, nas áreas industrias, perto das igrejas corruptas… em todos os pontos “X” que a coruja marcou, os abutres largaram as estopas em cima das poças de óleo diesel formadas pelo vazamento dos tanques de combustível dos caminhões estacionados, o tanque de combustível sem manutenção que o habitante não se importa em dar a devida manutenção. As chamas agora não estão apenas nos quintais e terrenos baldios, elas estão espalhadas por todos os cantos da cidade que sorri um sorriso cínico igual a de um serial killer quando apanhado.

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Alan Cassol
Queimando vivo ( Falcão-peregrino-kamikaze)

No lado mais escuro da cidade, uma raquítica e arguta coruja crocitou tão alto que espantou o seu iminente jantar. Foi um verdadeiro caos aquele acontecimento inesperado. Os ratos, com seus olhos cor de brasa, saltaram de dentro das latas de lixo e correram para as frestas do beco mais pasmoso da metrópole mais emporcalhada de um mundo tão velhaco quanto um gesto de caridade tendencioso, televisionado e fotografado.

Um pouco afastado dali, em um raro metro quadrado de terra que ainda suporta uma árvore, os urubus, que já estavam em alerta, ouviram o sinal da coruja e partiram em direção ao subúrbio da cidade, onde os habitantes queimam em seus quintais o lixo tóxico das coisas eles não precisavam mesmo quando elas estavam novas. Os mesmos habitantes que trabalham 43645496745634 milhões horas para comprar remédios que os salvam da própria rede de mazelas que criaram. Os habitantes que impelem Dióxido de Nitrogênio nos pulmões das suas crianças asmáticas como se fossem um bando de cospe-fogo dançarinos em um cortejo assoprando fogo ao vento sobre um verde vale florido numa ensolarada tarde de domingo.

Como foi combinado, cada urubu carregou uma estopa de pano nas garras e voaram ao encontro dos vários focos de fogo nos quintais e terrenos baldios da cidade. Eles então pousaram ao lado das chamas, posicionaram as estopas para que o fogo entrasse e contato com o pano, agarraram as estopas e partiram até o destino mais próximo.
No centro, nas áreas industrias, perto das igrejas corruptas… em todos os pontos “X” que a coruja marcou, os abutres largaram as estopas em cima das poças de óleo diesel formadas pelo vazamento dos tanques de combustível dos caminhões estacionados, o tanque de combustível sem manutenção que o habitante não se importa em dar a devida manutenção. As chamas agora não estão apenas nos quintais e terrenos baldios, elas estão espalhadas por todos os cantos da cidade que sorri um sorriso cínico igual a de um serial killer quando apanhado.

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