Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Alan Cassol
Uma vez levei um tapão na boca porque comi terra. Hoje, fico dando coice nas perninhas que fofocam pensamentos binários. Não afugento nada quando escrevo, mas divido farelinhos de vergonha na cara com quem quiser de um que não. Concordo com o Stieg Larsson





Um pensamento noturno

A noite é o espelho da solidão humana. Não há noite sim e noite não, amanhã não é outro dia, e a alvorada vem para dar uma pequena pausa nas mentiras oriundas dos desejos desesperados. A cidade faz fumaça como se fosse um inalador imenso no seu poder de embaçar a visão e preencher os pulmões com gases alucinógenos: é o intervalo entre a casca da ferida e a carne viva. Ninguém se contenta até estragar tudo. Não acho que seja proposital esse mergulho nas palpáveis negações, mas não vejo a alucinação como algo interessante. Se me asfixia a existência, que eu exista mais e mais até desistirem de me tratar como parafuso de pendurar quadros na parede. Mas a noite, ela sim desliga os aparelhos. É nela que respiro a pureza das lástimas reais. Calado, vou palavrear com os seres noturnos.

 

 

Alan Cassol
Um pensamento noturno

A noite é o espelho da solidão humana. Não há noite sim e noite não, amanhã não é outro dia, e a alvorada vem para dar uma pequena pausa nas mentiras oriundas dos desejos desesperados. A cidade faz fumaça como se fosse um inalador imenso no seu poder de embaçar a visão e preencher os pulmões com gases alucinógenos: é o intervalo entre a casca da ferida e a carne viva. Ninguém se contenta até estragar tudo. Não acho que seja proposital esse mergulho nas palpáveis negações, mas não vejo a alucinação como algo interessante. Se me asfixia a existência, que eu exista mais e mais até desistirem de me tratar como parafuso de pendurar quadros na parede. Mas a noite, ela sim desliga os aparelhos. É nela que respiro a pureza das lástimas reais. Calado, vou palavrear com os seres noturnos.