Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Alexander Ribeiro
Natural do Rio de Janeiro. É servidor público municipal. Apesar de ser formado em cinema, foi na literatura que encontrou o meio ideal para expressar sua imaginação. Desde criança é fascinado pelo gênero fantástico, em especial, o horror. Artistas de diferentes mídias o influenciaram como Stephen King, H.P. Lovecraft, Neil Gaiman, Alan Moore, Grant Morrison, John Carpenter, Lucio Fulci, Dario Argento e Guilhermo del Toro.







A Coisa da Velha Mansão

milionário Henry Chains. A casa com sua arquitetura gótica e lúgubre, e com estátuas imunes ao tempo no quintal, o fascinava. Imediatamente voltou para a cidade e foi se informar sobre ela no pub local. Então vieram as macabras histórias… cético como ele era, achava graça em tudo, e transgredir superstições sempre foi um prazer pra ele, pois ele vinha de uma família evangélica, que associava a maioria das coisas mundanas ao diabo… o que o revoltava e o reprimia durante sua infância e parte da juventude. Portanto, ele não teve dúvidas e foi ate a imobiliária da cidade. Chegando lá, revelou o seu interesse, e o próprio agente imobiliário, um homem de meia idade, tentou fazê-lo desistir da ideia, com mais historias macabras e afirmando que alguma coisa horrível morava no porão daquela casa. O homem dizia que preferia não ganhar dinheiro a alugar aquela casa maldita pra alguém. Ele riu e insistiu e o agente fechou o negócio, mesmo contra a sua vontade. Ironicamente, ele ainda disse ao agente que ele era um “péssimo homem de negócios”.

No seu primeiro dia na casa se dedicou a limpá-la, uma vez que ninguém aceitava trabalhar no local. Só conseguiu limpar a sala, a cozinha, a sala de jantar e o quarto principal no primeiro dia, uma vez que era impossível dar conta dela toda em um dia só. A noite, descansou lendo um livro de Hemingway em frente a lareira, ate que não aguentava de tanto cansaço e foi praticamente se arrastando pra seu quarto, até cair na cama e pegar no sono. Durante a noite acordou ao sentir um estranho cheiro… um odor indescritível que parecia ser um meio termo entre cheiro de Éter e cheiro de carne podre. Em seguida, ouviu um som que começou parecido a um cachorro chorando e evoluiu ate uma espécie de rosnado que não parecia ser de nenhum animal que ele havia conhecido em sua vida. Ele levantou assustado e chegou a vasculhar a casa em busca de algo, mas não encontrou nada e voltou a dormir, querendo acreditar que aquilo não passava de algum trote dos adolescentes da cidade ou de algum adulto fanfarrão .

Em sua segunda noite na casa, ele novamente acordou com o mesmo cheiro e o rosnado agora foi mais alto, e mais assustador. Ele chegou a sentir um arrepio na espinha quando o ouviu. Apreensivo, acordou e ao descer à sala para verificar se tinha alguma coisa, achou uma estranha mancha úmida no chão da sala, e ao se agachar sobre ela e passar o dedo na mancha, ele notou um liquido viscoso com um cheiro que lhe causou ânsia de vomito. Pela primeira vez, ele se perguntou se as histórias sobre a casa seriam reais, para em seguida, reafirmar para si mesmo que aquilo não passava de alguma brincadeira de mau gosto, talvez com a intenção de mandar “o estrangeiro” embora da cidade… Verificou toda a casa e não achou mais nada de estranho e resolveu voltar a dormir. Porém, assustado, sua mente foi tomada por macabros pesadelos em que um ritual macabro se desenrolava a sua frente: pessoas faziam sexo e se autoflagelavam durante o ato, se cortando com facas. Ao centro da sala havia um altar de sacrifício de pedra ao qual uma jovem estava amarrada. Após todos os casais chegarem ao orgasmo, um deles, um homem de cabelos grisalhos, e aparentando ter cinquenta e poucos anos , se levantou, tirou um punhal de baixo da cama e cortou a jugular da jovem, e seu sangue escorreu por uma canaleta até o centro de um pentagrama. E na hora um estranho ser de aparência grotesca e indescritível, se ergueu do pentagrama. Ao se deparar com a perturbadora visão, ele acordou e não conseguiu mais dormir. Aquilo não parecia um pesadelo, mas uma lembrança… mas como ele podia se lembrar de algo que ele não presenciou? Não, não… racional como era, ele repetia pra si mesmo, que era apenas um pesadelo, a consequência dos barulhos que ele vinha ouvindo, e das historias que lhe contaram no pub… nada mais que consequência da tensão.

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Alexander Ribeiro
A Coisa da Velha Mansão

milionário Henry Chains. A casa com sua arquitetura gótica e lúgubre, e com estátuas imunes ao tempo no quintal, o fascinava. Imediatamente voltou para a cidade e foi se informar sobre ela no pub local. Então vieram as macabras histórias… cético como ele era, achava graça em tudo, e transgredir superstições sempre foi um prazer pra ele, pois ele vinha de uma família evangélica, que associava a maioria das coisas mundanas ao diabo… o que o revoltava e o reprimia durante sua infância e parte da juventude. Portanto, ele não teve dúvidas e foi ate a imobiliária da cidade. Chegando lá, revelou o seu interesse, e o próprio agente imobiliário, um homem de meia idade, tentou fazê-lo desistir da ideia, com mais historias macabras e afirmando que alguma coisa horrível morava no porão daquela casa. O homem dizia que preferia não ganhar dinheiro a alugar aquela casa maldita pra alguém. Ele riu e insistiu e o agente fechou o negócio, mesmo contra a sua vontade. Ironicamente, ele ainda disse ao agente que ele era um “péssimo homem de negócios”.

No seu primeiro dia na casa se dedicou a limpá-la, uma vez que ninguém aceitava trabalhar no local. Só conseguiu limpar a sala, a cozinha, a sala de jantar e o quarto principal no primeiro dia, uma vez que era impossível dar conta dela toda em um dia só. A noite, descansou lendo um livro de Hemingway em frente a lareira, ate que não aguentava de tanto cansaço e foi praticamente se arrastando pra seu quarto, até cair na cama e pegar no sono. Durante a noite acordou ao sentir um estranho cheiro… um odor indescritível que parecia ser um meio termo entre cheiro de Éter e cheiro de carne podre. Em seguida, ouviu um som que começou parecido a um cachorro chorando e evoluiu ate uma espécie de rosnado que não parecia ser de nenhum animal que ele havia conhecido em sua vida. Ele levantou assustado e chegou a vasculhar a casa em busca de algo, mas não encontrou nada e voltou a dormir, querendo acreditar que aquilo não passava de algum trote dos adolescentes da cidade ou de algum adulto fanfarrão .

Em sua segunda noite na casa, ele novamente acordou com o mesmo cheiro e o rosnado agora foi mais alto, e mais assustador. Ele chegou a sentir um arrepio na espinha quando o ouviu. Apreensivo, acordou e ao descer à sala para verificar se tinha alguma coisa, achou uma estranha mancha úmida no chão da sala, e ao se agachar sobre ela e passar o dedo na mancha, ele notou um liquido viscoso com um cheiro que lhe causou ânsia de vomito. Pela primeira vez, ele se perguntou se as histórias sobre a casa seriam reais, para em seguida, reafirmar para si mesmo que aquilo não passava de alguma brincadeira de mau gosto, talvez com a intenção de mandar “o estrangeiro” embora da cidade… Verificou toda a casa e não achou mais nada de estranho e resolveu voltar a dormir. Porém, assustado, sua mente foi tomada por macabros pesadelos em que um ritual macabro se desenrolava a sua frente: pessoas faziam sexo e se autoflagelavam durante o ato, se cortando com facas. Ao centro da sala havia um altar de sacrifício de pedra ao qual uma jovem estava amarrada. Após todos os casais chegarem ao orgasmo, um deles, um homem de cabelos grisalhos, e aparentando ter cinquenta e poucos anos , se levantou, tirou um punhal de baixo da cama e cortou a jugular da jovem, e seu sangue escorreu por uma canaleta até o centro de um pentagrama. E na hora um estranho ser de aparência grotesca e indescritível, se ergueu do pentagrama. Ao se deparar com a perturbadora visão, ele acordou e não conseguiu mais dormir. Aquilo não parecia um pesadelo, mas uma lembrança… mas como ele podia se lembrar de algo que ele não presenciou? Não, não… racional como era, ele repetia pra si mesmo, que era apenas um pesadelo, a consequência dos barulhos que ele vinha ouvindo, e das historias que lhe contaram no pub… nada mais que consequência da tensão.

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