Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Alexander Ribeiro
Natural do Rio de Janeiro. É servidor público municipal. Apesar de ser formado em cinema, foi na literatura que encontrou o meio ideal para expressar sua imaginação. Desde criança é fascinado pelo gênero fantástico, em especial, o horror. Artistas de diferentes mídias o influenciaram como Stephen King, H.P. Lovecraft, Neil Gaiman, Alan Moore, Grant Morrison, John Carpenter, Lucio Fulci, Dario Argento e Guilhermo del Toro.







Do Escuro Entre as Estrelas

O calor da floresta castigava o seu corpo, que suava em bicas. Mas Glauco já estava acostumado. Há quatro meses ele vinha passando noites explorando aquela região da mata, sempre acompanhado do velho rifle, que tinha sido de seu pai. Sempre a espreita, a procura de qualquer som suspeito, qualquer cheiro estranho, que indicasse a proximidade da criatura que povoava suas piores lembranças. Lembranças recheadas de sangue e desespero… as lembranças do assassinato de seu único filho por um ser terrível, que parecia ter fugido do seu pior pesadelo.

Tudo aconteceu num dia ensolarado, há exatos 5 meses. Ele, que vinha há dois anos ensinando o filho a caçar e a sobreviver na floresta, tinha resolvido tentar achar alguma paca por ali, para assar com batatas no almoço do dia seguinte. O pequeno Kaíque, com seus doze anos recém-completados, era sedento por aventuras, e como não poderia deixar de ser, estava bastante empolgado com a caça do dia. 

Caminhando sorrateiramente, os dois avistaram uma paca há cerca de 12 metros. Glauco sinalizou para o filho que estava ao lado dele, fazer silêncio e se agachar. Quando se abaixaram, o pai mexeu com a cabeça, indicando que seu pupilo deveria dar o tiro que ia ceifar a vida do pobre animal. O menino, então, bastante empolgado com a possibilidade, pegou o rifle do pai, encostou a coronha no ombro, virou a cabeça na diagonal, encostando a têmpora na alavanca do ferrolho, para poder colocar o olho na alça de mira. Com o alvo enquadrado, de repente lhe bateu uma dúvida: deveria matar tal ser, que lhe parecia tão indefeso ? Mas logo depois pensou que não queria decepcionar seu pai, queria que ele o visse como um homem. Sentiu um frio na barriga, e uma gota de suor escorreu por sua testa… era a ansiedade decorrente da primeira vez… sentia em seu âmago que aquele era um momento de ruptura completa com a inocência da infância. Sentindo a hesitação do filho, Glauco sussurrou: “Vamos,atire” Kaique atirou, e acertou em cheio na cabeça do bicho, que caiu no chão, morto. Tirou o olho da mira, e levantou a cabeça. Daquela distância, só dava pra ver o sangue respingado nas folhas. Glauco abriu um sorriso e disse: “Belo tiro” Glauco foi correndo ate o lugar em que o corpo da paca estava e Kaíque foi atrás dele com um certo receio do que iria ver. Ao chegar, o menino topou com a imagem do animal deitado de lado, com os olhos abertos e a cabeça estourada. Se sentiu mal com a visão, e vomitou. Vomitava não só por asco, mas porque a ideia de que havia tirado a vida de um ser vivo também lhe revirava as tripas. Glauco, diante da situação, riu, e falou: “Calma garoto hahaha “ lhe dava tapinhas nas costas “ com o tempo, isso aqui vai ser normal pra você… na primeira vez em que matei uma paca eu tremia feito vara verde.” Em silêncio, ele se lembrou q seu pai, quando viu q ele tremia, lhe deu um tapa na cara, lhe pegou pelo colarinho e disse “pára de tremer porque eu não criei filho frouxo !”. Apesar de entender q foi a forma de seu pai ensiná-lo a ser forte, ele não faria o mesmo com o filho, pois havia se sentido humilhado na ocasião.

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Alexander Ribeiro
Do Escuro Entre as Estrelas

O calor da floresta castigava o seu corpo, que suava em bicas. Mas Glauco já estava acostumado. Há quatro meses ele vinha passando noites explorando aquela região da mata, sempre acompanhado do velho rifle, que tinha sido de seu pai. Sempre a espreita, a procura de qualquer som suspeito, qualquer cheiro estranho, que indicasse a proximidade da criatura que povoava suas piores lembranças. Lembranças recheadas de sangue e desespero… as lembranças do assassinato de seu único filho por um ser terrível, que parecia ter fugido do seu pior pesadelo.

Tudo aconteceu num dia ensolarado, há exatos 5 meses. Ele, que vinha há dois anos ensinando o filho a caçar e a sobreviver na floresta, tinha resolvido tentar achar alguma paca por ali, para assar com batatas no almoço do dia seguinte. O pequeno Kaíque, com seus doze anos recém-completados, era sedento por aventuras, e como não poderia deixar de ser, estava bastante empolgado com a caça do dia. 

Caminhando sorrateiramente, os dois avistaram uma paca há cerca de 12 metros. Glauco sinalizou para o filho que estava ao lado dele, fazer silêncio e se agachar. Quando se abaixaram, o pai mexeu com a cabeça, indicando que seu pupilo deveria dar o tiro que ia ceifar a vida do pobre animal. O menino, então, bastante empolgado com a possibilidade, pegou o rifle do pai, encostou a coronha no ombro, virou a cabeça na diagonal, encostando a têmpora na alavanca do ferrolho, para poder colocar o olho na alça de mira. Com o alvo enquadrado, de repente lhe bateu uma dúvida: deveria matar tal ser, que lhe parecia tão indefeso ? Mas logo depois pensou que não queria decepcionar seu pai, queria que ele o visse como um homem. Sentiu um frio na barriga, e uma gota de suor escorreu por sua testa… era a ansiedade decorrente da primeira vez… sentia em seu âmago que aquele era um momento de ruptura completa com a inocência da infância. Sentindo a hesitação do filho, Glauco sussurrou: “Vamos,atire” Kaique atirou, e acertou em cheio na cabeça do bicho, que caiu no chão, morto. Tirou o olho da mira, e levantou a cabeça. Daquela distância, só dava pra ver o sangue respingado nas folhas. Glauco abriu um sorriso e disse: “Belo tiro” Glauco foi correndo ate o lugar em que o corpo da paca estava e Kaíque foi atrás dele com um certo receio do que iria ver. Ao chegar, o menino topou com a imagem do animal deitado de lado, com os olhos abertos e a cabeça estourada. Se sentiu mal com a visão, e vomitou. Vomitava não só por asco, mas porque a ideia de que havia tirado a vida de um ser vivo também lhe revirava as tripas. Glauco, diante da situação, riu, e falou: “Calma garoto hahaha “ lhe dava tapinhas nas costas “ com o tempo, isso aqui vai ser normal pra você… na primeira vez em que matei uma paca eu tremia feito vara verde.” Em silêncio, ele se lembrou q seu pai, quando viu q ele tremia, lhe deu um tapa na cara, lhe pegou pelo colarinho e disse “pára de tremer porque eu não criei filho frouxo !”. Apesar de entender q foi a forma de seu pai ensiná-lo a ser forte, ele não faria o mesmo com o filho, pois havia se sentido humilhado na ocasião.

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