Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Alexander Ribeiro
Natural do Rio de Janeiro. É servidor público municipal. Apesar de ser formado em cinema, foi na literatura que encontrou o meio ideal para expressar sua imaginação. Desde criança é fascinado pelo gênero fantástico, em especial, o horror. Artistas de diferentes mídias o influenciaram como Stephen King, H.P. Lovecraft, Neil Gaiman, Alan Moore, Grant Morrison, John Carpenter, Lucio Fulci, Dario Argento e Guilhermo del Toro.







Do Escuro Entre as Estrelas

 Parecia um homem, todo coberto de pêlos cinza, e tinha pelo menos três metros de altura. De onde eles estavam eles o viam de lado, o que evidenciava a sua mão, com garras amarelas, pontiagudas e longas. Apavorados, os dois se agacharam atrás de uma moita e tremiam de medo. De repente, o ser pegou a paca em suas mãos e a colocou na direção da sua barriga. Em seguida, eles ouviram outro rosnado assustador e de súbito, um som de mastigação, enquanto que sangue respingava do animal morto. De alguma forma, a criatura estava devorando a paca com a sua barriga, o que fez com que Glauco imediatamente se lembrasse das histórias que sua avó contava quando ele era criança …

Nesse momento, Kaíque, assustado, e nervoso, acabou vomitando de novo, e com o som do vômito, a criatura virou-se e olhou pra eles. Foi então que Glauco teve a certeza que as his-tórias da sua avó eram verdadeiras. Agora, vendo a criatura por inteiro, era possível ver uma boca cheia de dentes pontiagudos cheios de sangue na sua barriga. A boca ocupava toda a extensão do seu abdômen acima do seu umbigo. Era uma visão perturbadora. Dos lábios da grande boca escorria baba misturada com sangue, molhando e manchando os pelos acinzentados que cobriam todo o resto do seu corpo. Na sua cabeça, só havia um focinho que lembrava o de um rinoceronte só que menor, e acima deste, só um olho, vermelho como sangue, que deixavam os pêlos da nuca de Glauco eriçados, e que deixava os lábios de seu filho brancos de tanto medo. Não havia dúvida, aquela era a fera assustadora que povoou os sonhos de Glauco quando ele era criança, o Mapinguari… a criatura que fez com que ele tivesse medo de entrar na mata, até os 10 anos de idade. O que, em sua fase adulta, ele acreditou, que era apenas uma historia boba de sua avó e da região, não era … era terrivelmente real.

    Apesar de apavorado, ele precisava fazer alguma coisa, pois a coisa sabia da presença deles ali, então, agachado mesmo, Glauco levantou sua arma, mirou na cabeça da criatura, e apertou o gatilho. O ser virou a sua cabeça bruscamente para a direita quando atingido, e a sua boca abdominal se abriu em um grito de agonia, deixando-a ainda maior e mais assustadora. Não restava dúvida, o tiro tinha acertado apenas de raspão. Ele então atirou de novo, mas agora o monstro, astutamente, pulou para a sua esquerda, se desviando do disparo. Glauco disparou mais uma vez, mas dessa vez, a criatura deu um salto, que cobriu uma grande distância, e ia cair onde eles estavam. Rapidamente, Glauco gritou para o filho :

“Coooorrre, agora !!!”

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Alexander Ribeiro
Do Escuro Entre as Estrelas

 Parecia um homem, todo coberto de pêlos cinza, e tinha pelo menos três metros de altura. De onde eles estavam eles o viam de lado, o que evidenciava a sua mão, com garras amarelas, pontiagudas e longas. Apavorados, os dois se agacharam atrás de uma moita e tremiam de medo. De repente, o ser pegou a paca em suas mãos e a colocou na direção da sua barriga. Em seguida, eles ouviram outro rosnado assustador e de súbito, um som de mastigação, enquanto que sangue respingava do animal morto. De alguma forma, a criatura estava devorando a paca com a sua barriga, o que fez com que Glauco imediatamente se lembrasse das histórias que sua avó contava quando ele era criança …

Nesse momento, Kaíque, assustado, e nervoso, acabou vomitando de novo, e com o som do vômito, a criatura virou-se e olhou pra eles. Foi então que Glauco teve a certeza que as his-tórias da sua avó eram verdadeiras. Agora, vendo a criatura por inteiro, era possível ver uma boca cheia de dentes pontiagudos cheios de sangue na sua barriga. A boca ocupava toda a extensão do seu abdômen acima do seu umbigo. Era uma visão perturbadora. Dos lábios da grande boca escorria baba misturada com sangue, molhando e manchando os pelos acinzentados que cobriam todo o resto do seu corpo. Na sua cabeça, só havia um focinho que lembrava o de um rinoceronte só que menor, e acima deste, só um olho, vermelho como sangue, que deixavam os pêlos da nuca de Glauco eriçados, e que deixava os lábios de seu filho brancos de tanto medo. Não havia dúvida, aquela era a fera assustadora que povoou os sonhos de Glauco quando ele era criança, o Mapinguari… a criatura que fez com que ele tivesse medo de entrar na mata, até os 10 anos de idade. O que, em sua fase adulta, ele acreditou, que era apenas uma historia boba de sua avó e da região, não era … era terrivelmente real.

    Apesar de apavorado, ele precisava fazer alguma coisa, pois a coisa sabia da presença deles ali, então, agachado mesmo, Glauco levantou sua arma, mirou na cabeça da criatura, e apertou o gatilho. O ser virou a sua cabeça bruscamente para a direita quando atingido, e a sua boca abdominal se abriu em um grito de agonia, deixando-a ainda maior e mais assustadora. Não restava dúvida, o tiro tinha acertado apenas de raspão. Ele então atirou de novo, mas agora o monstro, astutamente, pulou para a sua esquerda, se desviando do disparo. Glauco disparou mais uma vez, mas dessa vez, a criatura deu um salto, que cobriu uma grande distância, e ia cair onde eles estavam. Rapidamente, Glauco gritou para o filho :

“Coooorrre, agora !!!”

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