Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Alexander Ribeiro
Natural do Rio de Janeiro. É servidor público municipal. Apesar de ser formado em cinema, foi na literatura que encontrou o meio ideal para expressar sua imaginação. Desde criança é fascinado pelo gênero fantástico, em especial, o horror. Artistas de diferentes mídias o influenciaram como Stephen King, H.P. Lovecraft, Neil Gaiman, Alan Moore, Grant Morrison, John Carpenter, Lucio Fulci, Dario Argento e Guilhermo del Toro.







Do Escuro Entre as Estrelas

Glauco levantou e se jogou na direção do rifle, mas quando tentou dispará-lo, não tinha mais balas . Então ele viu a coisa colocando o rosto de seu filho diante da boca, que abria, salivando diante da refeição. Kaique gritou. Seu pai, levantou-se, pegou a arma pelo cabo, a inverteu, e acertou a coronha na altura da coxa do monstro, que o olhou furioso e com a mão direita, deu um tapa em seu rosto com toda a força. Ele caiu ao chão um pouco atordoado e ouviu um grito de agonia do filho e quando olhou, viu a realidade perturbadora e inevitável : seu menino tinha começado a ser devorado. Ele paralisou e sentiu seu sangue gelar. A boca devorava o rosto de Kaique, em seguida, o crânio, até que não sobrou nada de sua cabeça. O desespero tomou conta do pai, que assistia a tudo, paralisado, enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto. Viu a boca devorar o tronco do menino, após a cabeça. Quando só sobrava um resto com membros, a coisa estava satisfeita e largou o que sobrava no chão, como um trapo velho. Glauco viu a cena e deu um grito desesperado. Em seguida, olhou para o ser, que o olhou de volta nos olhos, virou as costas e foi embora pela floresta. Parecia que já havia matado sua fome.

  Ele ficou ali no mato, em estado de choque, praticamente paralisado na mesma posição, durante mais de 3 horas. Depois, se levantou e foi arrastando o que sobrou do filho ate a sua casa. Chegando la, enterrou o garoto no quintal, da casa isolada. Fez uma cruz com alguns galhos e colocou sobre o túmulo improvisado. Ele se agachou e chorou sem parar. Chorou como se toda a água do seu corpo fosse sair pelas lágrimas. Pensava que nunca iria ver seu filho crescer, se casar, nunca teria netos … era uma dor que não podia ser descrita com palavras… foi então que lembrou do olhar da criatura antes de ir embora, e pensou “ele me deixou vivo para sofrer “

  Os dias seguintes foram terríveis. Ele tentava retomar a vida, mas não conseguia … só o que sentia era vazio e solidão. Também não ajudava o fato da sua casa ficar distante de tudo e praticamente dentro da mata. Assim não tinha contato com outras pessoas e o isolamento começou a afetar sua sanidade. Começou a ter delírios, vendo sua falecida mulher apodrecen-do, com vermes comendo sua carne, e segurando seu filho morto no colo, vestindo uma bata branca. Ela o culpava pelo destino de Kaique, o q o desesperava mais e mais … por vezes, ele tentou dar um tiro na cabeça, mas nunca teve coragem para apertar o gatilho. Ate que um dia, resolveu vencer o pavor que tinha daquele ser maldito, e caça-lo para vingar seu filho . E se ele morresse no processo, tudo bem, uma vez que viver já não fazia mais muito sentido.

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Alexander Ribeiro
Do Escuro Entre as Estrelas

Glauco levantou e se jogou na direção do rifle, mas quando tentou dispará-lo, não tinha mais balas . Então ele viu a coisa colocando o rosto de seu filho diante da boca, que abria, salivando diante da refeição. Kaique gritou. Seu pai, levantou-se, pegou a arma pelo cabo, a inverteu, e acertou a coronha na altura da coxa do monstro, que o olhou furioso e com a mão direita, deu um tapa em seu rosto com toda a força. Ele caiu ao chão um pouco atordoado e ouviu um grito de agonia do filho e quando olhou, viu a realidade perturbadora e inevitável : seu menino tinha começado a ser devorado. Ele paralisou e sentiu seu sangue gelar. A boca devorava o rosto de Kaique, em seguida, o crânio, até que não sobrou nada de sua cabeça. O desespero tomou conta do pai, que assistia a tudo, paralisado, enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto. Viu a boca devorar o tronco do menino, após a cabeça. Quando só sobrava um resto com membros, a coisa estava satisfeita e largou o que sobrava no chão, como um trapo velho. Glauco viu a cena e deu um grito desesperado. Em seguida, olhou para o ser, que o olhou de volta nos olhos, virou as costas e foi embora pela floresta. Parecia que já havia matado sua fome.

  Ele ficou ali no mato, em estado de choque, praticamente paralisado na mesma posição, durante mais de 3 horas. Depois, se levantou e foi arrastando o que sobrou do filho ate a sua casa. Chegando la, enterrou o garoto no quintal, da casa isolada. Fez uma cruz com alguns galhos e colocou sobre o túmulo improvisado. Ele se agachou e chorou sem parar. Chorou como se toda a água do seu corpo fosse sair pelas lágrimas. Pensava que nunca iria ver seu filho crescer, se casar, nunca teria netos … era uma dor que não podia ser descrita com palavras… foi então que lembrou do olhar da criatura antes de ir embora, e pensou “ele me deixou vivo para sofrer “

  Os dias seguintes foram terríveis. Ele tentava retomar a vida, mas não conseguia … só o que sentia era vazio e solidão. Também não ajudava o fato da sua casa ficar distante de tudo e praticamente dentro da mata. Assim não tinha contato com outras pessoas e o isolamento começou a afetar sua sanidade. Começou a ter delírios, vendo sua falecida mulher apodrecen-do, com vermes comendo sua carne, e segurando seu filho morto no colo, vestindo uma bata branca. Ela o culpava pelo destino de Kaique, o q o desesperava mais e mais … por vezes, ele tentou dar um tiro na cabeça, mas nunca teve coragem para apertar o gatilho. Ate que um dia, resolveu vencer o pavor que tinha daquele ser maldito, e caça-lo para vingar seu filho . E se ele morresse no processo, tudo bem, uma vez que viver já não fazia mais muito sentido.

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