Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Alexander Ribeiro
Natural do Rio de Janeiro. É servidor público municipal. Apesar de ser formado em cinema, foi na literatura que encontrou o meio ideal para expressar sua imaginação. Desde criança é fascinado pelo gênero fantástico, em especial, o horror. Artistas de diferentes mídias o influenciaram como Stephen King, H.P. Lovecraft, Neil Gaiman, Alan Moore, Grant Morrison, John Carpenter, Lucio Fulci, Dario Argento e Guilhermo del Toro.







O Tormento

Deitado no sofá da sala, Luciano relaxava assistindo a um filme de comédia. O dia tinha sido muito cansativo. Ele tinha se estressado com o péssimo atendimento no banco e depois, de tarde, se aborreceu no trabalho, com a grosseria desnecessária de seu chefe. Logo que chegou em casa, abriu um serviço de streaming atrás de um filme para assistir, pois era a forma mais relaxante de se entreter e esquecer os problemas.

Para seu tormento, seu celular vibrou. Era uma mensagem no whatsapp, – “merda!” – ele esbravejou, nervoso. Odiava ser incomodado justamente no seu momento de descanso. Com má vontade, pegou o celular, suspirou, pausou o filme, e foi verificar… afinal de contas, poderia ser uma mensagem do patrão. Quando abriu o aplicativo, se surpreendeu por que era alguém desconhecido, com um nickname chamado “22angel” e a mensagem enviada dizia: “O demônio está no seu quarto”. Achou muito esquisito. Então perguntou “quem está falando ? ” e a pessoa não respondeu. Ficou olhando para a tela do celular e riu baixinho, achando que tudo não se tratava de um trote. Mas, de repente, ele escutou um grunhido baixo vindo do quarto, e aquilo gelou sua alma. Com receio, levantou, e olhou pro corredor. No último quarto, uma luz vermelha, parecendo um neon, saia de baixo da porta. Ele foi andando sorrateiramente, com medo, e quando ia se aproximando, ouviu outro grunhido, dessa vez mais animalesco e mais alto. Começou a suas frio e teve que conter o ímpeto de sair correndo dali. Então, se aproximou, abriu a porta com sua mão, que tremia, e viu uma criatura assustadora, de pele cinza e pelos negros no peito, na cabeça e nas pernas. A criatura, que estava de pé do lado direito da cama, olhou pra ele com seus quatro olhos, dispostos na face em dois pares, um acima do outro, e cada um deles com a íris cintilante e vermelha como o próprio inferno. Um nariz fino e curvo, com a ponta empinada para cima, de onde saiam dois pequenos chifres negros e abaixo, uma boca cheia de dentes amarelos e pontiagudos. Ele sentiu seu corpo gelar e suas pernas tremerem. A criatura, então rosnou, e ao ouvir o rosnado, ele se sentiu como se tivesse sido tocado por toda a maldade do mundo. Seu queixo tremeu e ate uma lágrima escorreu por seu rosto, tamanho era o terror que sentiu. Ele não conseguia se mover, estava paralisado, a mercê do ser diante de si. De repente a criatura saltou em direção a ele com a boca aberta e salivando. Ele sentiu que seu fim tinha chegado.

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Alexander Ribeiro
O Tormento

Deitado no sofá da sala, Luciano relaxava assistindo a um filme de comédia. O dia tinha sido muito cansativo. Ele tinha se estressado com o péssimo atendimento no banco e depois, de tarde, se aborreceu no trabalho, com a grosseria desnecessária de seu chefe. Logo que chegou em casa, abriu um serviço de streaming atrás de um filme para assistir, pois era a forma mais relaxante de se entreter e esquecer os problemas.

Para seu tormento, seu celular vibrou. Era uma mensagem no whatsapp, – “merda!” – ele esbravejou, nervoso. Odiava ser incomodado justamente no seu momento de descanso. Com má vontade, pegou o celular, suspirou, pausou o filme, e foi verificar… afinal de contas, poderia ser uma mensagem do patrão. Quando abriu o aplicativo, se surpreendeu por que era alguém desconhecido, com um nickname chamado “22angel” e a mensagem enviada dizia: “O demônio está no seu quarto”. Achou muito esquisito. Então perguntou “quem está falando ? ” e a pessoa não respondeu. Ficou olhando para a tela do celular e riu baixinho, achando que tudo não se tratava de um trote. Mas, de repente, ele escutou um grunhido baixo vindo do quarto, e aquilo gelou sua alma. Com receio, levantou, e olhou pro corredor. No último quarto, uma luz vermelha, parecendo um neon, saia de baixo da porta. Ele foi andando sorrateiramente, com medo, e quando ia se aproximando, ouviu outro grunhido, dessa vez mais animalesco e mais alto. Começou a suas frio e teve que conter o ímpeto de sair correndo dali. Então, se aproximou, abriu a porta com sua mão, que tremia, e viu uma criatura assustadora, de pele cinza e pelos negros no peito, na cabeça e nas pernas. A criatura, que estava de pé do lado direito da cama, olhou pra ele com seus quatro olhos, dispostos na face em dois pares, um acima do outro, e cada um deles com a íris cintilante e vermelha como o próprio inferno. Um nariz fino e curvo, com a ponta empinada para cima, de onde saiam dois pequenos chifres negros e abaixo, uma boca cheia de dentes amarelos e pontiagudos. Ele sentiu seu corpo gelar e suas pernas tremerem. A criatura, então rosnou, e ao ouvir o rosnado, ele se sentiu como se tivesse sido tocado por toda a maldade do mundo. Seu queixo tremeu e ate uma lágrima escorreu por seu rosto, tamanho era o terror que sentiu. Ele não conseguia se mover, estava paralisado, a mercê do ser diante de si. De repente a criatura saltou em direção a ele com a boca aberta e salivando. Ele sentiu que seu fim tinha chegado.

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