Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Alexander Ribeiro
Natural do Rio de Janeiro. É servidor público municipal. Apesar de ser formado em cinema, foi na literatura que encontrou o meio ideal para expressar sua imaginação. Desde criança é fascinado pelo gênero fantástico, em especial, o horror. Artistas de diferentes mídias o influenciaram como Stephen King, H.P. Lovecraft, Neil Gaiman, Alan Moore, Grant Morrison, John Carpenter, Lucio Fulci, Dario Argento e Guilhermo del Toro.







O Visitante no Canto

O evento terminou por volta de uma hora da manhã e quando todos os convidados tinham ido embora, Mariana se despediu do seu editor e dos administradores do centro cultural, e seguiu para o estacionamento, que ficava num terreno ao lado. Entrou no lugar, pagou na cabine o valor que devia e foi até seu carro. Ao entrar no veículo, colocou a chave na ignição, e antes que ligasse o carro, sentiu um cheiro de enxofre no ar. Na mesma hora um frio invadiu sua barriga e suas mãos começaram a tremer. Era aquele mesmo cheiro que sentiu em seu quarto naquela noite, em sua infância. Ela ficou paralisada de medo. Então olhou no espelho retrovisor, e viu aqueles olhos vermelhos com pupilas felinas olhando pra ela. Ela ouviu de novo aquele murmúrio baixinho que ouviu naquele dia. Engoliu em seco e novamente fechou os olhos e implorou a Deus que aquilo não fosse real. Ao abrir os olhos não havia mais nada no retrovisor. Se virou e olhou o banco, e confirmou que não havia ninguém la. Então, encostou a cabeça no banco, fechou os olhos e suspirou profundamente em alívio. “Eh apenas minha imaginação fértil de escritora”, ela disse mentalmente para si mesma, e deu um sorriso. Depois se refez, ligou o carro e foi embora dali.

O faxineiro do estacionamento, no dia seguinte, pela manhã, varria o lugar, e ao varrer a vaga onde estava o carro de Mariana, se deparou com algo que nunca tinha visto : ao lado da vaga havia um pequeno pedaço de terra, que separava aquela vaga da seguinte. Ali, havia uma pegada que não parecia humana. Tratava-se de um pé que parecia humano mas tinha apenas dois dedos grossos, cada um deles da largura de três dedos humanos. O homem, que era evangélico, soltou um “sangue de Jesus tem poder”, e passou a vassoura, para apagar a pegada, como se assim fosse fazer o mal ir embora dali. A pegada nunca seria esquecida por ele, que contaria a história para inúmeras pessoas nos anos que se seguiram para assim dissipar seu medo. Mariana, por sua vez, nunca mais veria aquela sombra em sua vida, e envelheceria acreditando que tudo não passou de um produto de sua imaginação fértil.

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Alexander Ribeiro
O Visitante no Canto

O evento terminou por volta de uma hora da manhã e quando todos os convidados tinham ido embora, Mariana se despediu do seu editor e dos administradores do centro cultural, e seguiu para o estacionamento, que ficava num terreno ao lado. Entrou no lugar, pagou na cabine o valor que devia e foi até seu carro. Ao entrar no veículo, colocou a chave na ignição, e antes que ligasse o carro, sentiu um cheiro de enxofre no ar. Na mesma hora um frio invadiu sua barriga e suas mãos começaram a tremer. Era aquele mesmo cheiro que sentiu em seu quarto naquela noite, em sua infância. Ela ficou paralisada de medo. Então olhou no espelho retrovisor, e viu aqueles olhos vermelhos com pupilas felinas olhando pra ela. Ela ouviu de novo aquele murmúrio baixinho que ouviu naquele dia. Engoliu em seco e novamente fechou os olhos e implorou a Deus que aquilo não fosse real. Ao abrir os olhos não havia mais nada no retrovisor. Se virou e olhou o banco, e confirmou que não havia ninguém la. Então, encostou a cabeça no banco, fechou os olhos e suspirou profundamente em alívio. “Eh apenas minha imaginação fértil de escritora”, ela disse mentalmente para si mesma, e deu um sorriso. Depois se refez, ligou o carro e foi embora dali.

O faxineiro do estacionamento, no dia seguinte, pela manhã, varria o lugar, e ao varrer a vaga onde estava o carro de Mariana, se deparou com algo que nunca tinha visto : ao lado da vaga havia um pequeno pedaço de terra, que separava aquela vaga da seguinte. Ali, havia uma pegada que não parecia humana. Tratava-se de um pé que parecia humano mas tinha apenas dois dedos grossos, cada um deles da largura de três dedos humanos. O homem, que era evangélico, soltou um “sangue de Jesus tem poder”, e passou a vassoura, para apagar a pegada, como se assim fosse fazer o mal ir embora dali. A pegada nunca seria esquecida por ele, que contaria a história para inúmeras pessoas nos anos que se seguiram para assim dissipar seu medo. Mariana, por sua vez, nunca mais veria aquela sombra em sua vida, e envelheceria acreditando que tudo não passou de um produto de sua imaginação fértil.

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