O caso do zumbi paulista - Allan Fear
Allan Fear
Eu sou Allan Fear, um escritor de contos, em sua maioria de terror. Desde a adolescência que gostava de escrever e desenhar, confesso que tenho um gosto um tanto excêntrico pelo horror. Vivo tendo idéias horripilantes o tempo todo. Gosto de escrever contos tanto para crianças quanto para adultos.
Eu tenho algumas obras publicadas pela editora Clube de Autores e continuo escrevendo. Recentemente dei vida a meu alter ego inumano, o Sr. Medo, que narra alguns de meus contos para um canal no You Tube.
Eu gosto muito de ler livros de mistério, HQ's, ver filmes e ouvir antigas canções de Heavy metal, mas o que me inspira mesmo a escrever é a boa e velha música clássica.
E-mail: noitesdehalloween@gmail.com
Site: https://noitesdehalloween.wixsite.com/allanfear





O caso do zumbi paulista

Não sei por quanto tempo perdi os sentidos e fiquei desmaiado, só lembro-me que de repente recobrei a consciência, mas não podia me mexer, estava com todo o corpo paralisado.

Eu estava deitado, isso eu sabia, mas não conseguia me mexer, meus olhos estavam fechados, tudo era um breu desgraçado.
Então prestei atenção e percebi que havia pessoas ao meu redor, choramingando, sussurrando, murmurando. Eu tentava falar, mas não conseguia.

– Que diabos está havendo porra? – Por fim a voz saiu de minha boca e pude me mover e então ouvi coros de gritos apavorados.

Olhei ao redor e vi meus amigos, meus parentes, como a tia Dalva e o primo Tomás, e percebi onde eu estava. Era uma sala com coroa de flores, pessoas vestidas de preto. Eu estava deitado em um caixão. Isso mesmo, os filhos da puta estavam me velando, já preparando para me enterrar. Um coroa não pode desmaiar que já pensam que empacotou.

Nunca xinguei tanto, bati o recorde de palavrões, atirei as flores de defuntos em cada um deles, Tia Dalva caiu dura no chão ao me ver saindo do caixão.

Deixei-os lá, assustados, incrédulos, apavorados e voltei para minha casa. Meu estomago roncava de fome. Uma fina chuva de verão salpicava a rua.

Cidade do interior é uma porra, você não pode nem desmaiar que já querem te enterrar. A sorte é que não tenho nem um centavo, senão já teriam dividido tudo entre eles.

Em casa, tirei um frango assado da geladeira e o devorei em minutos ainda frio. Fui para o banheiro me livrar daquela sensação de defunto, aquela estranheza desagradável, tinha a sensação de formol e fedia a hospital, precisava de um banho.

Mas, quando entrei no banheiro e olhei no espelho, eu vi que tinha algodão no meu nariz. Os tirei, estranhando que não havia atrapalhado a minha respiração. Mas que respiração? Notei que eu não estava respirando.

Tirei a camisa e vi o grande T costurado com grandes pontos que iam do meu peito até a barrida. Era a marca da autopsia.
Para meu completo horror, notei que não sentia nada. Não havia dor. Ao checar o peito, reparei que meu coração não batia. Eu estava mesmo morto? Afinal, eu havia me tornado a porra de um morto-vivo?

De repente soltei um arroto monstruoso e comecei a vomitar todo o frango assado pelo banheiro. Manchando os azulejos branquinhos.

E então a fome voltou pior, como uma dor lancinante, desesperadora.

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Allan Fear
O caso do zumbi paulista

Não sei por quanto tempo perdi os sentidos e fiquei desmaiado, só lembro-me que de repente recobrei a consciência, mas não podia me mexer, estava com todo o corpo paralisado.

Eu estava deitado, isso eu sabia, mas não conseguia me mexer, meus olhos estavam fechados, tudo era um breu desgraçado.
Então prestei atenção e percebi que havia pessoas ao meu redor, choramingando, sussurrando, murmurando. Eu tentava falar, mas não conseguia.

– Que diabos está havendo porra? – Por fim a voz saiu de minha boca e pude me mover e então ouvi coros de gritos apavorados.

Olhei ao redor e vi meus amigos, meus parentes, como a tia Dalva e o primo Tomás, e percebi onde eu estava. Era uma sala com coroa de flores, pessoas vestidas de preto. Eu estava deitado em um caixão. Isso mesmo, os filhos da puta estavam me velando, já preparando para me enterrar. Um coroa não pode desmaiar que já pensam que empacotou.

Nunca xinguei tanto, bati o recorde de palavrões, atirei as flores de defuntos em cada um deles, Tia Dalva caiu dura no chão ao me ver saindo do caixão.

Deixei-os lá, assustados, incrédulos, apavorados e voltei para minha casa. Meu estomago roncava de fome. Uma fina chuva de verão salpicava a rua.

Cidade do interior é uma porra, você não pode nem desmaiar que já querem te enterrar. A sorte é que não tenho nem um centavo, senão já teriam dividido tudo entre eles.

Em casa, tirei um frango assado da geladeira e o devorei em minutos ainda frio. Fui para o banheiro me livrar daquela sensação de defunto, aquela estranheza desagradável, tinha a sensação de formol e fedia a hospital, precisava de um banho.

Mas, quando entrei no banheiro e olhei no espelho, eu vi que tinha algodão no meu nariz. Os tirei, estranhando que não havia atrapalhado a minha respiração. Mas que respiração? Notei que eu não estava respirando.

Tirei a camisa e vi o grande T costurado com grandes pontos que iam do meu peito até a barrida. Era a marca da autopsia.
Para meu completo horror, notei que não sentia nada. Não havia dor. Ao checar o peito, reparei que meu coração não batia. Eu estava mesmo morto? Afinal, eu havia me tornado a porra de um morto-vivo?

De repente soltei um arroto monstruoso e comecei a vomitar todo o frango assado pelo banheiro. Manchando os azulejos branquinhos.

E então a fome voltou pior, como uma dor lancinante, desesperadora.

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