Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Ana Rosenrot
Ana Rosenrot, de Jacareí – SP, é escritora, editora, cineasta trash e pesquisadora de cinema, integrou antologias nacionais e internacionais e participou de várias edições do projeto "A Arte do Terror". Assina a "Coluna CULTíssimo", especializada em cinema e universo cult. No cinema, trabalha com produções independentes, longas e curtas-metragens, quase sempre voltados para o terror e o trash. Recebeu também 7 estatuetas do Prêmio "Corvo de Gesso" (2013-14-15-17), conhecido como "O Oscar do Cinema Trash" e foi curadora das duas edições da “Monstro – Mostra de Cinema Fantástico de Jacareí”(2015-16).
É criadora e editora da Revista LiteraLivre, uma publicação bimestral que uni escritores independentes e autora do livro "Cinema e Cult – vol. 1", lançado em 2018.
http://cultissimo.wixsite.com/anarosenrot/
https://www.facebook.com/AnaRosenrott/
Instagram: @anarosenrot





A Garota do Site

Sem conseguir desviar o olhar, ele pôde ver a vida da moça se acabando, sua pele ficando roxa, o brilho de seus olhos se apagando, enquanto ela tentava desesperadamente respirar e o assassino apertava seu pescoço mais e mais.

Conforme a garota morria, Marcos, preso na mente do assassino, compartilhava a hedionda sensação de prazer sádico que o monstro sentia, seu riso alto ecoando no beco

escuro. E enquanto o corpo da moça, já sem vida, escorregava para o chão, sua visão foi escurecendo e ele finalmente se livrou do terrível contato mental, desmaiando.

Acordou na manhã seguinte, deitado no chão do beco, sentindo-se incrivelmente fraco e com o corpo dolorido. Por um momento, acreditou que toda aquela loucura havia sido somente um pesadelo, ou o efeito da bebida, mas ao perceber que segurava nas mãos um cravo amarelo todo amassado, ficou convencido que, de alguma forma, aquilo tudo aconteceu realmente.

Voltou para a casa quase correndo, foi direto ao computador acessar o site de namoro já imaginando o que encontraria: o perfil e todas as mensagens trocadas entre ele e Letícia – esse era o seu nome – haviam desaparecido. E bastou somente uma pesquisa, para ele saber exatamente de onde a conhecia: sua foto apareceu em todos os jornais e sites de notícia há três anos, quando ela morreu, assassinada num beco, no dia 2 de novembro – Dia de Los Muertos.

A notícia dizia que Letícia havia sido estrangulada e que a polícia não conseguira encontrar nenhuma testemunha ou suspeito pelo crime e por isso ninguém foi preso.

Mas Marcos sabia que havia uma testemunha: ele; que presenciou o crime e conhecia muito bem o assassino, porque esteve dentro de sua mente perturbada.

Claro que não poderia chegar na delegacia e contar sua experiência sobrenatural ou os policiais o mandariam para o hospício e jogariam a chave fora. Ele só precisava ir até um telefone público e fazer uma denúncia anônima. E foi o que fez.

Depois disso, acompanhou diariamente os canais de notícia e jornais, ansioso por qualquer nota sobre a solução da morte de Letícia, sua namorada morta.

Até que um dia, depois de um mês de espera, ele se depara com a notícia: “Crime solucionado: famoso médico é preso pelo assassinato de Letícia Miranda”.

A matéria não contava maiores detalhes sobre prisão e para Marcos, isso não fazia diferença. O importante era saber que houve justiça e que o assassino, cidadão respeitado, que certamente mataria novamente, foi desmascarado.

Dois anos depois, Marcos se casou com Paula, uma amiga de infância e eles esperam a primeira filha, que se chamará Letícia.

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Ana Rosenrot
A Garota do Site

Sem conseguir desviar o olhar, ele pôde ver a vida da moça se acabando, sua pele ficando roxa, o brilho de seus olhos se apagando, enquanto ela tentava desesperadamente respirar e o assassino apertava seu pescoço mais e mais.

Conforme a garota morria, Marcos, preso na mente do assassino, compartilhava a hedionda sensação de prazer sádico que o monstro sentia, seu riso alto ecoando no beco

escuro. E enquanto o corpo da moça, já sem vida, escorregava para o chão, sua visão foi escurecendo e ele finalmente se livrou do terrível contato mental, desmaiando.

Acordou na manhã seguinte, deitado no chão do beco, sentindo-se incrivelmente fraco e com o corpo dolorido. Por um momento, acreditou que toda aquela loucura havia sido somente um pesadelo, ou o efeito da bebida, mas ao perceber que segurava nas mãos um cravo amarelo todo amassado, ficou convencido que, de alguma forma, aquilo tudo aconteceu realmente.

Voltou para a casa quase correndo, foi direto ao computador acessar o site de namoro já imaginando o que encontraria: o perfil e todas as mensagens trocadas entre ele e Letícia – esse era o seu nome – haviam desaparecido. E bastou somente uma pesquisa, para ele saber exatamente de onde a conhecia: sua foto apareceu em todos os jornais e sites de notícia há três anos, quando ela morreu, assassinada num beco, no dia 2 de novembro – Dia de Los Muertos.

A notícia dizia que Letícia havia sido estrangulada e que a polícia não conseguira encontrar nenhuma testemunha ou suspeito pelo crime e por isso ninguém foi preso.

Mas Marcos sabia que havia uma testemunha: ele; que presenciou o crime e conhecia muito bem o assassino, porque esteve dentro de sua mente perturbada.

Claro que não poderia chegar na delegacia e contar sua experiência sobrenatural ou os policiais o mandariam para o hospício e jogariam a chave fora. Ele só precisava ir até um telefone público e fazer uma denúncia anônima. E foi o que fez.

Depois disso, acompanhou diariamente os canais de notícia e jornais, ansioso por qualquer nota sobre a solução da morte de Letícia, sua namorada morta.

Até que um dia, depois de um mês de espera, ele se depara com a notícia: “Crime solucionado: famoso médico é preso pelo assassinato de Letícia Miranda”.

A matéria não contava maiores detalhes sobre prisão e para Marcos, isso não fazia diferença. O importante era saber que houve justiça e que o assassino, cidadão respeitado, que certamente mataria novamente, foi desmascarado.

Dois anos depois, Marcos se casou com Paula, uma amiga de infância e eles esperam a primeira filha, que se chamará Letícia.

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