Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Ana Rosenrot
Ana Rosenrot, de Jacareí – SP, é escritora, editora, cineasta trash e pesquisadora de cinema, integrou antologias nacionais e internacionais e participou de várias edições do projeto "A Arte do Terror". Assina a "Coluna CULTíssimo", especializada em cinema e universo cult. No cinema, trabalha com produções independentes, longas e curtas-metragens, quase sempre voltados para o terror e o trash. Recebeu também 7 estatuetas do Prêmio "Corvo de Gesso" (2013-14-15-17), conhecido como "O Oscar do Cinema Trash" e foi curadora das duas edições da “Monstro – Mostra de Cinema Fantástico de Jacareí”(2015-16).
É criadora e editora da Revista LiteraLivre, uma publicação bimestral que uni escritores independentes e autora do livro "Cinema e Cult – vol. 1", lançado em 2018.
http://cultissimo.wixsite.com/anarosenrot/
https://www.facebook.com/AnaRosenrott/
Instagram: @anarosenrot





A Televisão

Após um dia estressante no trabalho, Camila chega a sua casa, prepara uma grande quantidade de pipocas e se senta confortavelmente para aproveitar seu passatempo predileto: assistir filmes na televisão.

Ela come as pipocas ruidosamente, sem tirar os olhos da tela para não perder nem um segundo do filme, quando, de repente, sua T.V. para de funcionar.

Camila se levanta, frustrada, esbravejando:

— Porcaria de televisão velha! – fala enquanto vai batendo no aparelho cada vez mais forte, até desistir, aceitando que ele pifou de vez.

Desanimada, ela sai para olhar as lojas, admirando os aparelhos de T.V. nas vitrines: lindos, sofisticados, de alta definição, mas sabe que não pode nem pensar em comprar nenhum deles, pois está com pouquíssimo dinheiro. Após andar por algum tempo, ela passa em frente a uma loja de assistência técnica e resolve entrar para procurar um aparelho de T.V. simples e barato – até sobrar uma grana para comprar um novo.

A loja era pequena e sortida, com muitos televisores para vender, de todos os tamanhos, marcas e preços; Camila só não gostou muito do vendedor: um homem estranho, antipático, que fazia questão de ignorá-la completamente; mas mesmo assim ela se aproxima, abre um sorriso e pergunta:

— Boa tarde! Eu queria comprar uma televisão, qual o senhor me indica?

O vendedor, sem responder nem tirar os olhos do jornal que está lendo, indica, com uma batidinha, um aparelho de T.V. cinza, pequeno, exposto sobre o balcão com um anúncio indicando o preço: R$ 200,00.

Animada, Camila decide comprar o aparelho baratinho (para quebrar o galho) mesmo gastando tudo o que tem na carteira, entrega o dinheiro em notas miúdas ao vendedor – que as recolhe impassível −, segura o aparelho leve nos braços, agradece e sai da loja, enquanto o vendedor fica olhando-a sair com um sorriso sinistro.

Camila volta para a casa com a televisão “nova”, conecta os cabos, colocando-a para funcionar sem perda de tempo. Minutos depois, a T.V. já está instalada e ela assiste a um filme, quando, do nada, o aparelho começa a chiar e a imagem é substituída por chuviscos.

Indignada, Camila se levanta gritando:

— Não acredito! Acabei de comprar e já está dando problema, mas que merda! Pensei que essa porcaria tivesse sido pelo menos revisada antes de ser vendida! – e bate várias vezes no aparelho que volta a funcionar, mas parece ter mudado de canal. Ela olha fixamente para a tela percebendo que a imagem transmitida é a do corredor de sua casa e vê, estarrecida, a figura fantasmagórica e horrível de uma moça vestida de branco atravessar lentamente o corredor e entrar no banheiro, neste momento ela ouve a porta do banheiro se fechar e assustada vai até lá, procura, não acha nada e volta para o quarto; a televisão está chiando, depois começa a emitir um sussurro sibilante, incompreensível; Camila se aproxima para tentar ouvir, quando surge na tela a imagem da moça do corredor com o rosto desfigurado e meio escondido pelos cabelos negros e pegajosos; Camila dá um grito e acorda: havia tido um pesadelo.

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Ana Rosenrot
A Televisão

Após um dia estressante no trabalho, Camila chega a sua casa, prepara uma grande quantidade de pipocas e se senta confortavelmente para aproveitar seu passatempo predileto: assistir filmes na televisão.

Ela come as pipocas ruidosamente, sem tirar os olhos da tela para não perder nem um segundo do filme, quando, de repente, sua T.V. para de funcionar.

Camila se levanta, frustrada, esbravejando:

— Porcaria de televisão velha! – fala enquanto vai batendo no aparelho cada vez mais forte, até desistir, aceitando que ele pifou de vez.

Desanimada, ela sai para olhar as lojas, admirando os aparelhos de T.V. nas vitrines: lindos, sofisticados, de alta definição, mas sabe que não pode nem pensar em comprar nenhum deles, pois está com pouquíssimo dinheiro. Após andar por algum tempo, ela passa em frente a uma loja de assistência técnica e resolve entrar para procurar um aparelho de T.V. simples e barato – até sobrar uma grana para comprar um novo.

A loja era pequena e sortida, com muitos televisores para vender, de todos os tamanhos, marcas e preços; Camila só não gostou muito do vendedor: um homem estranho, antipático, que fazia questão de ignorá-la completamente; mas mesmo assim ela se aproxima, abre um sorriso e pergunta:

— Boa tarde! Eu queria comprar uma televisão, qual o senhor me indica?

O vendedor, sem responder nem tirar os olhos do jornal que está lendo, indica, com uma batidinha, um aparelho de T.V. cinza, pequeno, exposto sobre o balcão com um anúncio indicando o preço: R$ 200,00.

Animada, Camila decide comprar o aparelho baratinho (para quebrar o galho) mesmo gastando tudo o que tem na carteira, entrega o dinheiro em notas miúdas ao vendedor – que as recolhe impassível −, segura o aparelho leve nos braços, agradece e sai da loja, enquanto o vendedor fica olhando-a sair com um sorriso sinistro.

Camila volta para a casa com a televisão “nova”, conecta os cabos, colocando-a para funcionar sem perda de tempo. Minutos depois, a T.V. já está instalada e ela assiste a um filme, quando, do nada, o aparelho começa a chiar e a imagem é substituída por chuviscos.

Indignada, Camila se levanta gritando:

— Não acredito! Acabei de comprar e já está dando problema, mas que merda! Pensei que essa porcaria tivesse sido pelo menos revisada antes de ser vendida! – e bate várias vezes no aparelho que volta a funcionar, mas parece ter mudado de canal. Ela olha fixamente para a tela percebendo que a imagem transmitida é a do corredor de sua casa e vê, estarrecida, a figura fantasmagórica e horrível de uma moça vestida de branco atravessar lentamente o corredor e entrar no banheiro, neste momento ela ouve a porta do banheiro se fechar e assustada vai até lá, procura, não acha nada e volta para o quarto; a televisão está chiando, depois começa a emitir um sussurro sibilante, incompreensível; Camila se aproxima para tentar ouvir, quando surge na tela a imagem da moça do corredor com o rosto desfigurado e meio escondido pelos cabelos negros e pegajosos; Camila dá um grito e acorda: havia tido um pesadelo.

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