Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Bruno Costa
Faz parte de um grupo de RPG chamado Erro Crítico. Foi onde interpretou, durante três anos, um vampiro cafetão do século XIV. Antes de completar 19 anos, Bruno trepou com a Loucura. Depois, traiu sua amante com dois comprimidos.
Às 10:00 horas: Antietanol.
Às 22:00 horas: Carbamazepina. (Nunca entendeu esse aqui)
Foi outro relacionamento que terminou rápido. Ele desprezou a receita ilegível. Mas não reatou com a sua companheira de bebida. Só com o álcool e a solidão. E de vez em quando, a Loucura ainda quer uma rapidinha no escuro.
Ex-Louco cheio de cicatrizes de catapora no rosto. Escreve com violência. Ler até passar mal. Cospe tanta fumaça quanto um incêndio criminoso. Filho do velho Mundo das Trevas. Odeia seres humanos castrados. Ri da própria desgraça. Sonha com a extinção em massa. E tem amor pelas putas assumidas.
Com uma mistura de frescura e brutalidade, ele sentou-se com Álvares de Azevedo numa Noite na Taverna, o Poeta bebeu sangue de virgem, enquanto Bruno bebia o mijo do Diabo. Claro que passou mal!
Nunca mais parou de vomitar.
O resultado foi uma sopa de letrinhas que formam palavrões. No estilo: vai tomar no cu, filho da puta! Que mijo horrível! Coloca mais, aí!
E-mail: bruno.grazoonp@gmail.com
Wattpad: @Grazoon
Facebook: https://www.facebook.com/bruno.grazoon






Futebol também é coisa do Diabo

Na madrugada, o cadáver do Diego tomava um banho de chuva. A ventania girava a corda que o prendia pelo pescoço. Suspenso na trave de dois metros e quarenta e quatro centímetros de altura, tamanho padrão em um estádio de futebol, ele esperava por uma visita. Apesar do temporal, logo, logo o seu pai chegaria para o banquete.

Enquanto isso, uma multidão se agrupava em torno da arena. Eles saíam dos becos e marchavam até o local do confronto iminente. Os espíritos ansiavam por um acerto de contas. Eles sentiam a presença do mal. A raiva ganhando substância em forma de tempestade. Estavam preparados para dar um fim à maldição daquele ser diabólico.    

O estádio Montese havia sido abandonado em 2014, pouco depois da Copa do Mundo no Brasil. A prefeitura achou melhor encerrar as atividades por motivos de segurança. Além de vítimas de incêndio, graças a combinação perfeita de bandeiras e fogos de artifício, assassinatos eram cometidos durante as partidas. A violência entre as torcidas organizadas virou uma tradição. Com diversos casos aparecendo em telejornais, a cobrança em cima do prefeito se tornou péssima para sua popularidade. E assim, a decisão mais radical teve que ser tomada.

Mas havia outro problema. O lugar era o estádio oficial do time Carnaúba, o qual vinha crescendo nos principais campeonatos cearenses. Uma ascensão que encontrou o seu fim quando o presidente do clube enfrentou vários processos judiciais envolvendo corrupção.

Como consequência desses eventos, a família Tavares passou por um aperto financeiro. Diego Tavares treinava na categoria sub-15 do Carnaúba. Já havia ganhado várias medalhas e era uma promessa para a nova geração. E além de se destacar como o goleiro que mais defendeu pênaltis durante a temporada, ele era reconhecido por sua postura e disciplina em campo. Contudo, nada disso importava para um clube à beira da falência.

O chefe da família Tavares era o empresário do garoto. Joel Messias Tavares, um homem que sempre quis ser jogador profissional, afinal, era o sonho de qualquer moleque da sua época. Mas a vida pedia um pouco mais de pé no chão e menos na grama. Joel seguiu sobrevivendo e sem tempo para sonhar alto. A paixão pelo futebol continuou lá das arquibancadas. Virou um torcedor fanático e ativo. Era sócio do clube e um vândalo de primeira categoria que brigava após os jogos. Até que o filhão nasceu, já com a certeza de que seria um torcedor do Carnaúba. Diego cresceu com a orientação do pai.

Era o único caminho. O garoto conquistaria tudo que Joel não conseguiu. Bem que Diego tentou, mas antes de completar quinze anos, ele foi sacrificado como um bode para uma celebração maior. A maré de azar tinha que ser freada. Os pecados tinham que ser expiados. E o mal sentia fome. Aliás, não era à toa que um bode preto era mascote do Carnaúba. Fato que aumentava superstições e boatos a respeito do time.

Tudo que passava do ponto tomava uma proporção lendária. O sentimento de rivalidade na arena Montese era tão intenso que alguns diziam que existia uma influência a mais na energia dos torcedores. As vibrações, as vaias e os xingamentos faziam o estádio tremer sob os pés do povão. A emoção era descrita como avassaladora. O time que perdia era tomado por uma ira sem fim. E então, a brutalidade estourava e pintava os bancos com sangue e ódio.

Montese carregava uma maldição. Cada banco, tijolo e coluna estavam impregnados com essa mácula. Cada carnaubense, ou qualquer fanático por futebol, tinha um jeitinho especial para ajudar o time do coração a ganhar: uma cueca da sorte, uma promessa a um santo católico, um pé de coelho ou um pacto com Satanás. Valia tudo! Até mesmo a diretoria do clube entrou nessa onda de simpatias. E o anjo caído que assumiu o pacto infernal com os diretores era conhecido como Azazel, o responsável pelo pecado da ira.

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Bruno Costa
Futebol também é coisa do Diabo

Na madrugada, o cadáver do Diego tomava um banho de chuva. A ventania girava a corda que o prendia pelo pescoço. Suspenso na trave de dois metros e quarenta e quatro centímetros de altura, tamanho padrão em um estádio de futebol, ele esperava por uma visita. Apesar do temporal, logo, logo o seu pai chegaria para o banquete.

Enquanto isso, uma multidão se agrupava em torno da arena. Eles saíam dos becos e marchavam até o local do confronto iminente. Os espíritos ansiavam por um acerto de contas. Eles sentiam a presença do mal. A raiva ganhando substância em forma de tempestade. Estavam preparados para dar um fim à maldição daquele ser diabólico.    

O estádio Montese havia sido abandonado em 2014, pouco depois da Copa do Mundo no Brasil. A prefeitura achou melhor encerrar as atividades por motivos de segurança. Além de vítimas de incêndio, graças a combinação perfeita de bandeiras e fogos de artifício, assassinatos eram cometidos durante as partidas. A violência entre as torcidas organizadas virou uma tradição. Com diversos casos aparecendo em telejornais, a cobrança em cima do prefeito se tornou péssima para sua popularidade. E assim, a decisão mais radical teve que ser tomada.

Mas havia outro problema. O lugar era o estádio oficial do time Carnaúba, o qual vinha crescendo nos principais campeonatos cearenses. Uma ascensão que encontrou o seu fim quando o presidente do clube enfrentou vários processos judiciais envolvendo corrupção.

Como consequência desses eventos, a família Tavares passou por um aperto financeiro. Diego Tavares treinava na categoria sub-15 do Carnaúba. Já havia ganhado várias medalhas e era uma promessa para a nova geração. E além de se destacar como o goleiro que mais defendeu pênaltis durante a temporada, ele era reconhecido por sua postura e disciplina em campo. Contudo, nada disso importava para um clube à beira da falência.

O chefe da família Tavares era o empresário do garoto. Joel Messias Tavares, um homem que sempre quis ser jogador profissional, afinal, era o sonho de qualquer moleque da sua época. Mas a vida pedia um pouco mais de pé no chão e menos na grama. Joel seguiu sobrevivendo e sem tempo para sonhar alto. A paixão pelo futebol continuou lá das arquibancadas. Virou um torcedor fanático e ativo. Era sócio do clube e um vândalo de primeira categoria que brigava após os jogos. Até que o filhão nasceu, já com a certeza de que seria um torcedor do Carnaúba. Diego cresceu com a orientação do pai.

Era o único caminho. O garoto conquistaria tudo que Joel não conseguiu. Bem que Diego tentou, mas antes de completar quinze anos, ele foi sacrificado como um bode para uma celebração maior. A maré de azar tinha que ser freada. Os pecados tinham que ser expiados. E o mal sentia fome. Aliás, não era à toa que um bode preto era mascote do Carnaúba. Fato que aumentava superstições e boatos a respeito do time.

Tudo que passava do ponto tomava uma proporção lendária. O sentimento de rivalidade na arena Montese era tão intenso que alguns diziam que existia uma influência a mais na energia dos torcedores. As vibrações, as vaias e os xingamentos faziam o estádio tremer sob os pés do povão. A emoção era descrita como avassaladora. O time que perdia era tomado por uma ira sem fim. E então, a brutalidade estourava e pintava os bancos com sangue e ódio.

Montese carregava uma maldição. Cada banco, tijolo e coluna estavam impregnados com essa mácula. Cada carnaubense, ou qualquer fanático por futebol, tinha um jeitinho especial para ajudar o time do coração a ganhar: uma cueca da sorte, uma promessa a um santo católico, um pé de coelho ou um pacto com Satanás. Valia tudo! Até mesmo a diretoria do clube entrou nessa onda de simpatias. E o anjo caído que assumiu o pacto infernal com os diretores era conhecido como Azazel, o responsável pelo pecado da ira.

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