Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Cannubis
Cannubis é natural de São Luís Ma mas agora vive perdida entre as vielas fétidas de sua mente sequelada. Odeia finais felizes e por isso vive embriagada de terror e de seus subgêneros, vomita na cara dos padrões impostos pela sociedade enquanto da vida a CANNUBiS seu filho, irmão e amante. Dirige pela periferia de São luis um Opala preto e tem como companhia o top five dos mais procurados do submundo, coleciona as capsulas de balas que mataram gente como kennedy, Jhon Lennon e Tupac... Foi depois de tomar um shot de bournon que ela emprestou suas mãos a um cão infernal para escrever “DEIXAI TODA ESPERANÇA, Ó VÓS QUE ENTRAIS!" no umbral dos portões infernais da comedia de Dante Alighieri. Quer um conselho? Não leiam com carinho pois aqui não se prega a paz. Como morbitvs vividvs diz: "Uma bandeira branca é como o pus de um ser putrefato".
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Eucaristia

É meio dia, o sol desempenha a função de carrasco açoitando o asfalto e destruindo qualquer fator de proteção solar.

Dalia caminha com dificuldade pelo cenário de destroços, desvia de objetos aleatórios que não combinam com o espaço em que estão inseridos como em uma pintura de Dalí.

Numa tentativa de amenizar os raios nocivos da estrela mãe, camadas de tecido morfado improvisam um tipo de proteção para a cabeça, como um turbante afro.

Teatros, bares, restaurantes, motéis… Vazios. Saqueados pela população antes da evacuação.

Enquanto caminha a memória rebobina as ultimas lembranças da civilização e as imagens surgem numa resolução de fita VHS: cadáveres amontoados nas portas de hospitais, fome em escala mundial.

Desespero. A ordem impressa na bandeira nacional totalmente perturbada por uma ameaça invisível em forma de peste. Uma releitura cubista do diabo de reproduzir a propria versão da humanidade onde as pessoas batem continencia para figuras grotescas e gritam (enquanto o ar tóxico não dilacera seus pulmões) o novo slogan do país: “Hail pandemônio: Caos acima de tudo, pânico na vida de todos.”

O vento assobia a marcha fúnebre enquanto bate nas janelas das casas vazias e traz os pensamentos de Dalia de volta para o presente, onde o chorume escorre dos morros feitos de lixo como se fosse a bile escapando pelos buracos de um corpo putrefato.

A cidade de São Luís está morta.

O silencio doloroso a acompanha pela cidade que impõe sobre o caos de destroços o peso de sua presença tumular.

Dália não sente a dor da perda. Sua alma secou pra todo choro assim como as nascentes poluídas dos rios secaram para a sede dos sobreviventes.

Ela segue a passos lentos, retorce o pescoço e seus olhos alcançam um outdoor que diz: “Jesus está voltando”, em letras vermelhas.

Olha para o céu, nada, nem nuvens nem pássaros, apenas o azul infinito contrastando com a profecia do outdoor e pontuando o vazio de sua existência.

Seus ombros expostos padecem sob a tortura do sol com queimaduras de segundo e terceiro grau, retorcendo a pele e exibindo lascas de gordura amarela onde grudam fiapos de tecido que desprendem de sua roupa.

Seus olhos negros como duas sementes de guaraná varrem o perímetro e pousam sobre uma das muitas construções depredadas, a antiga linha de supermercados São Marcos.

Dalia rasteja sobre o asfalto fervente rumo à promessa de alívio. Desliza o corpo franzino pelo espaço vago entre duas tábuas usadas para isolar as portas do supermercado e caminha em direção a penumbra que nocauteia a visão.

No interior do supermercado azulejos sujos revestem as paredes aquecidas pelo mormaço e aprisionam na atmosfera abafada um cheiro metálico que se desprende das prateleiras enferrujadas.

Ela caminha pelo chão fuliginoso guiada apenas pelos raios solares que atravessam os buracos no teto, observando ratos e baratas labinrinteando por entre as carinhas felizes das embalagens de batatas pringles espalhadas pelos corredores de gôndolas vazias.

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Cannubis
Eucaristia

É meio dia, o sol desempenha a função de carrasco açoitando o asfalto e destruindo qualquer fator de proteção solar.

Dalia caminha com dificuldade pelo cenário de destroços, desvia de objetos aleatórios que não combinam com o espaço em que estão inseridos como em uma pintura de Dalí.

Numa tentativa de amenizar os raios nocivos da estrela mãe, camadas de tecido morfado improvisam um tipo de proteção para a cabeça, como um turbante afro.

Teatros, bares, restaurantes, motéis… Vazios. Saqueados pela população antes da evacuação.

Enquanto caminha a memória rebobina as ultimas lembranças da civilização e as imagens surgem numa resolução de fita VHS: cadáveres amontoados nas portas de hospitais, fome em escala mundial.

Desespero. A ordem impressa na bandeira nacional totalmente perturbada por uma ameaça invisível em forma de peste. Uma releitura cubista do diabo de reproduzir a propria versão da humanidade onde as pessoas batem continencia para figuras grotescas e gritam (enquanto o ar tóxico não dilacera seus pulmões) o novo slogan do país: “Hail pandemônio: Caos acima de tudo, pânico na vida de todos.”

O vento assobia a marcha fúnebre enquanto bate nas janelas das casas vazias e traz os pensamentos de Dalia de volta para o presente, onde o chorume escorre dos morros feitos de lixo como se fosse a bile escapando pelos buracos de um corpo putrefato.

A cidade de São Luís está morta.

O silencio doloroso a acompanha pela cidade que impõe sobre o caos de destroços o peso de sua presença tumular.

Dália não sente a dor da perda. Sua alma secou pra todo choro assim como as nascentes poluídas dos rios secaram para a sede dos sobreviventes.

Ela segue a passos lentos, retorce o pescoço e seus olhos alcançam um outdoor que diz: “Jesus está voltando”, em letras vermelhas.

Olha para o céu, nada, nem nuvens nem pássaros, apenas o azul infinito contrastando com a profecia do outdoor e pontuando o vazio de sua existência.

Seus ombros expostos padecem sob a tortura do sol com queimaduras de segundo e terceiro grau, retorcendo a pele e exibindo lascas de gordura amarela onde grudam fiapos de tecido que desprendem de sua roupa.

Seus olhos negros como duas sementes de guaraná varrem o perímetro e pousam sobre uma das muitas construções depredadas, a antiga linha de supermercados São Marcos.

Dalia rasteja sobre o asfalto fervente rumo à promessa de alívio. Desliza o corpo franzino pelo espaço vago entre duas tábuas usadas para isolar as portas do supermercado e caminha em direção a penumbra que nocauteia a visão.

No interior do supermercado azulejos sujos revestem as paredes aquecidas pelo mormaço e aprisionam na atmosfera abafada um cheiro metálico que se desprende das prateleiras enferrujadas.

Ela caminha pelo chão fuliginoso guiada apenas pelos raios solares que atravessam os buracos no teto, observando ratos e baratas labinrinteando por entre as carinhas felizes das embalagens de batatas pringles espalhadas pelos corredores de gôndolas vazias.

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