Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Cannubis
Cannubis é natural de São Luís Ma mas agora vive perdida entre as vielas fétidas de sua mente sequelada. Odeia finais felizes e por isso vive embriagada de terror e de seus subgêneros, vomita na cara dos padrões impostos pela sociedade enquanto da vida a CANNUBiS seu filho, irmão e amante. Dirige pela periferia de São luis um Opala preto e tem como companhia o top five dos mais procurados do submundo, coleciona as capsulas de balas que mataram gente como kennedy, Jhon Lennon e Tupac... Foi depois de tomar um shot de bournon que ela emprestou suas mãos a um cão infernal para escrever “DEIXAI TODA ESPERANÇA, Ó VÓS QUE ENTRAIS!" no umbral dos portões infernais da comedia de Dante Alighieri. Quer um conselho? Não leiam com carinho pois aqui não se prega a paz. Como morbitvs vividvs diz: "Uma bandeira branca é como o pus de um ser putrefato".
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@CANNUBiS.cg - wattpad







Eucaristia

Os olhos lambem o cenário empoeirado, as pupilas dilatadas com o esforço para enxergar no lusco-fusco até que as retinas captam movimento.

A cena é processada pela parte occiptal do cérebro e a imagem é convertida em uma série de informações que percorrem como ondas elétricas por suas terminações nervosas.

Os músculos de seu rosto enrijecem, a boca seca e toda a sua atenção é direcionada para a pele alva como marfim de um corpo estendido no chão.

Um feixe de luz do sol acentua a curva perfeita dos quadris delicados salpicados de sardas marrons que se estendem até os pequenos seios de auréolas rosadas.

Dalia observa cada detalhe da Vênus esculpida à mão a procura de qualquer sinal de vida. Seus olhos param no dorso da garota, onde o tórax ondula num ínfimo movimento de respiração pausando por longos segundos, estremecendo levemente.

Lampejos de uma vida passada vem à tona e ela reconhece o padrão daqueles movimentos, sabe exatamente quando a vida se despede para dar lugar ao vazio da morte.

Observa o corpo a sua frente com a sabedoria secular dos caçadores de sua família aflorando em sua pele, como quando nas temporadas de caça no interior do Maranhão.

Dalia. Excelente em tirar vidas mas não é uma vilã como os criminosos saídos da mente de tarantino. Assassina por necessidade, competente em seu ofício sem nunca usar efeitos especiais ou dublês, apenas miolos de veados e pacas espatifados com golpes certeiros.

A jovem no chão agora jaz com o olhar perdido, enxergando um horizonte invisível além de Dalia, vendo coisas que só os mortos vêem.

Linda como a lua.

Um arrepio gelado percorre sua espinha ao perceber que o olhar da jovem morta a provoca. Não importa se o segredo do lado escuro daquele corpo quase celeste é que não comporta mais vida.

O perfume da morte alça voo, um cheiro bom, rodopiando e permanecendo suspenso no ar até ser filtrado pelas narinas dilatadas de Dalia.

Uma moscas com asas verde-neon pousa em um dos olhos da garota, olhos de um azul intenso com manchas de sangue vivo nos cantos como se chorasse sangue.

“Jesus está voltando”

A falsa profecia do outdoor se manifesta em toda a sua complexidade. A ausência de um Deus no azul do céu tal qual a ausência de vida nos olhos da garota.

Do estômago a fome grita e rasga o silêncio com um som trovejante. Não a fome dos comerciais de barra de cereal; fome de verdade, fome que te obriga a ter um tipo de criatividade maligna para bolar um plano de sobrevivência para cada dia da semana.

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Cannubis
Eucaristia

Os olhos lambem o cenário empoeirado, as pupilas dilatadas com o esforço para enxergar no lusco-fusco até que as retinas captam movimento.

A cena é processada pela parte occiptal do cérebro e a imagem é convertida em uma série de informações que percorrem como ondas elétricas por suas terminações nervosas.

Os músculos de seu rosto enrijecem, a boca seca e toda a sua atenção é direcionada para a pele alva como marfim de um corpo estendido no chão.

Um feixe de luz do sol acentua a curva perfeita dos quadris delicados salpicados de sardas marrons que se estendem até os pequenos seios de auréolas rosadas.

Dalia observa cada detalhe da Vênus esculpida à mão a procura de qualquer sinal de vida. Seus olhos param no dorso da garota, onde o tórax ondula num ínfimo movimento de respiração pausando por longos segundos, estremecendo levemente.

Lampejos de uma vida passada vem à tona e ela reconhece o padrão daqueles movimentos, sabe exatamente quando a vida se despede para dar lugar ao vazio da morte.

Observa o corpo a sua frente com a sabedoria secular dos caçadores de sua família aflorando em sua pele, como quando nas temporadas de caça no interior do Maranhão.

Dalia. Excelente em tirar vidas mas não é uma vilã como os criminosos saídos da mente de tarantino. Assassina por necessidade, competente em seu ofício sem nunca usar efeitos especiais ou dublês, apenas miolos de veados e pacas espatifados com golpes certeiros.

A jovem no chão agora jaz com o olhar perdido, enxergando um horizonte invisível além de Dalia, vendo coisas que só os mortos vêem.

Linda como a lua.

Um arrepio gelado percorre sua espinha ao perceber que o olhar da jovem morta a provoca. Não importa se o segredo do lado escuro daquele corpo quase celeste é que não comporta mais vida.

O perfume da morte alça voo, um cheiro bom, rodopiando e permanecendo suspenso no ar até ser filtrado pelas narinas dilatadas de Dalia.

Uma moscas com asas verde-neon pousa em um dos olhos da garota, olhos de um azul intenso com manchas de sangue vivo nos cantos como se chorasse sangue.

“Jesus está voltando”

A falsa profecia do outdoor se manifesta em toda a sua complexidade. A ausência de um Deus no azul do céu tal qual a ausência de vida nos olhos da garota.

Do estômago a fome grita e rasga o silêncio com um som trovejante. Não a fome dos comerciais de barra de cereal; fome de verdade, fome que te obriga a ter um tipo de criatividade maligna para bolar um plano de sobrevivência para cada dia da semana.

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