Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Cannubis
Cannubis é natural de São Luís Ma mas agora vive perdida entre as vielas fétidas de sua mente sequelada. Odeia finais felizes e por isso vive embriagada de terror e de seus subgêneros, vomita na cara dos padrões impostos pela sociedade enquanto da vida a CANNUBiS seu filho, irmão e amante. Dirige pela periferia de São luis um Opala preto e tem como companhia o top five dos mais procurados do submundo, coleciona as capsulas de balas que mataram gente como kennedy, Jhon Lennon e Tupac... Foi depois de tomar um shot de bournon que ela emprestou suas mãos a um cão infernal para escrever “DEIXAI TODA ESPERANÇA, Ó VÓS QUE ENTRAIS!" no umbral dos portões infernais da comedia de Dante Alighieri. Quer um conselho? Não leiam com carinho pois aqui não se prega a paz. Como morbitvs vividvs diz: "Uma bandeira branca é como o pus de um ser putrefato".
@arj.Wanessa - instagram
@CANNUBiS.cg - wattpad







iô pã


Ergo as pálpebras com dificuldade e minhas retinas capturam imagens que parecem um
cenário pensado por Tim Burton.
Há velas negras por toda parte e suas chamas balançam num ritmo frenético, projetando
sombras que rastejam no chão de pedra como demônios.
Homens e mulheres encapuzados estão dispostos num vasto salão circular e entoam em
uníssono uma enxurrada de sílabas desconexas.
Essa plateia infernal mantém os olhos em mim enquanto tento afrouxar as amarras que me
prendem a uma cadeira de madeira. Meus pulsos latejam sob os nós de uma corda e meu
sangue desliza para a ponta dos dedos até coagular embaixo das unhas.
Em minha boca se acumulam gritos de desespero, mas estes, são silenciados por uma
mordaça encardida. A inquietação cede espaço a curiosidade quando ouço as primeiras notas
de Planet Caravan, o verdadeiro ponto de equilíbrio entre o caos e o nirvana se espalhando
pelo salão através da música.
O batuque calmo e ritmado destila toda a nostalgia que há em mim e faz com que minhas
lágrimas que até então escorriam quentes e ásperas, deslizem suavemente pelos contornos de
meu rosto.
As faces sem expressão que me rodeiam rolam para a mesma direção e curvam-se numa
posição submissa.
Meus olhos varrem o perímetro e esbarram em um par de olhos manchados por uma película
leitosa. O ancião que rege a cerimônia me olha de volta, os vincos profundos ao redor de seus
olhos e boca lhe dão um aspecto cadavérico e uma semelhança assustadora com uma múmia
egípcia.
Meu choro frio se aquece novamente, suas mãos enrugadas afastam a mordaça de minha
boca e uma onda de agonia se apodera de meu corpo.
O grito de pânico é inevitável.
Suas unhas imundas invadem meus lábios e sinto um gosto acre latejar em minha língua; o
ungüento tem cheiro de cigarro molhado e pelo que sobrou em seus dedos, vejo que possui
uma coloração em tom de ferrugem.
Apesar do gosto horrível, meu corpo se torna mais leve e a mais incrível das sensações
sequestra meus sentidos para um estado totalmente fora da realidade, me fazendo mergulhar
em minha própria consciência.
Danço pelas vielas tortuosas de minha mente, dedicando-me a saborear cada nota do sabor
que emana de meu corpo.
Com os pensamentos perdidos entre as possibilidades do uni e multiverso, não percebo
quando retiram meu corpo do assento da cadeira, somente me dou conta de que não estou
mais sentada quando a frieza de uma superfície de mármore toca minhas costas, lambendo
minha pele nua, eriçando meus pelos.

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Cannubis
iô pã


Ergo as pálpebras com dificuldade e minhas retinas capturam imagens que parecem um
cenário pensado por Tim Burton.
Há velas negras por toda parte e suas chamas balançam num ritmo frenético, projetando
sombras que rastejam no chão de pedra como demônios.
Homens e mulheres encapuzados estão dispostos num vasto salão circular e entoam em
uníssono uma enxurrada de sílabas desconexas.
Essa plateia infernal mantém os olhos em mim enquanto tento afrouxar as amarras que me
prendem a uma cadeira de madeira. Meus pulsos latejam sob os nós de uma corda e meu
sangue desliza para a ponta dos dedos até coagular embaixo das unhas.
Em minha boca se acumulam gritos de desespero, mas estes, são silenciados por uma
mordaça encardida. A inquietação cede espaço a curiosidade quando ouço as primeiras notas
de Planet Caravan, o verdadeiro ponto de equilíbrio entre o caos e o nirvana se espalhando
pelo salão através da música.
O batuque calmo e ritmado destila toda a nostalgia que há em mim e faz com que minhas
lágrimas que até então escorriam quentes e ásperas, deslizem suavemente pelos contornos de
meu rosto.
As faces sem expressão que me rodeiam rolam para a mesma direção e curvam-se numa
posição submissa.
Meus olhos varrem o perímetro e esbarram em um par de olhos manchados por uma película
leitosa. O ancião que rege a cerimônia me olha de volta, os vincos profundos ao redor de seus
olhos e boca lhe dão um aspecto cadavérico e uma semelhança assustadora com uma múmia
egípcia.
Meu choro frio se aquece novamente, suas mãos enrugadas afastam a mordaça de minha
boca e uma onda de agonia se apodera de meu corpo.
O grito de pânico é inevitável.
Suas unhas imundas invadem meus lábios e sinto um gosto acre latejar em minha língua; o
ungüento tem cheiro de cigarro molhado e pelo que sobrou em seus dedos, vejo que possui
uma coloração em tom de ferrugem.
Apesar do gosto horrível, meu corpo se torna mais leve e a mais incrível das sensações
sequestra meus sentidos para um estado totalmente fora da realidade, me fazendo mergulhar
em minha própria consciência.
Danço pelas vielas tortuosas de minha mente, dedicando-me a saborear cada nota do sabor
que emana de meu corpo.
Com os pensamentos perdidos entre as possibilidades do uni e multiverso, não percebo
quando retiram meu corpo do assento da cadeira, somente me dou conta de que não estou
mais sentada quando a frieza de uma superfície de mármore toca minhas costas, lambendo
minha pele nua, eriçando meus pelos.

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