Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Cannubis
Cannubis é natural de São Luís Ma mas agora vive perdida entre as vielas fétidas de sua mente sequelada. Odeia finais felizes e por isso vive embriagada de terror e de seus subgêneros, vomita na cara dos padrões impostos pela sociedade enquanto da vida a CANNUBiS seu filho, irmão e amante. Dirige pela periferia de São luis um Opala preto e tem como companhia o top five dos mais procurados do submundo, coleciona as capsulas de balas que mataram gente como kennedy, Jhon Lennon e Tupac... Foi depois de tomar um shot de bournon que ela emprestou suas mãos a um cão infernal para escrever “DEIXAI TODA ESPERANÇA, Ó VÓS QUE ENTRAIS!" no umbral dos portões infernais da comedia de Dante Alighieri. Quer um conselho? Não leiam com carinho pois aqui não se prega a paz. Como morbitvs vividvs diz: "Uma bandeira branca é como o pus de um ser putrefato".
@arj.Wanessa - instagram
@CANNUBiS.cg - wattpad







iô pã

O ancião se aproxima a passos firmes, num trote calmo e apesar de sua aparência frágil noto a
ereção em sua túnica puída.
Velas. Música. O falo ereto.
Aqui é onde começa o inferno, a fé morre como uma canção que finda com uma nota aguda de
lamento.
As mãos ásperas do velho deslizam em minha pele e manobram meu corpo com agilidade.
Seus dedos dedilham-me como a um instrumento de mil cordas.
Seu olhar cansado rasteja sobre mim como uma lesma, deixando um rastro de pelos
arrepiados.
Suas mãos erguem minhas pernas para que seu membro rígido penetre em meu sexo,
rasgando uma membrana até então intocada, fazendo-me verter sangue.
A transgressão do sexto mandamento sendo exibida diante de dezenas de voyers com as
mãos unidas em prece. Seus olhos reluzem na penumbra como se a chama das velas
queimasse de dentro pra fora.
A cada investida do ancião, uma espécie de conexão milenar se ativa em mim e complementa
a conjunção carnal.
Sua pele enrugada infla e preenche as fissuras entre as camadas de pele que formam as
rugas, metamorfoseando seu aspecto senil.
Chifres caprinos despontam acima das têmporas em sincronia com o crescimento puntiforme
das orelhas. O rosto se contorce numa máscara de dor enquanto seus ossos se reestruturam e
tornam-se angulosos.
A musculatura torna-se rígida e forma protuberâncias acima do zigomático e do queixo, por
onde escorre suor ate se acumular na grossa camada de pelos que cresce a esmo em seu
peito nu.
O membro mais rígido do que nunca se agiganta em meu ventre, fincando raízes como uma
planta selvagem em solo fértil.
Aplausos, uivos e gritos são ouvidos por todos os lados.
A película que manchava os olhos do ancião se dissolvem e revelam um par de íris de um tom
único de amarelo.
Olhos enormes de comer gente.
Meu coração acelerado bombeia quantidades exorbitantes de sangue para meu cérebro. Sinto
meu rosto queimar a medida que a sensação de insetos fervilhando em meu sexo relaxam meu
corpo.
A dança frenética da poeira cósmica de nossos corpos, revivendo o Gênesis. O espetáculo da
criação encenado por uma mortal e por Ele; a representação de tudo o que se entende por
natureza viril e masculinidade.
A metamorfose se completa e o Deus com aspecto de fera ruge num tom gutural. Todos se
prostam diante dEle enquanto bate os cascos no chão.
Pã, o cervo alfa.
A terra arada ganha as sementes que asseguram o futuro biológico da humanidade. A Deusa
lua em seu aspecto materno, surge exuberante por trás das nuvens escuras e presenteia a
todos com sua presença majestosa.
A criança-promessa ja pulsa em meu ventre, o peso de sua semi-existencia ecoa pela
eternidade e tudo faz sentido.
O filho de Pã, herdeiro do poder que rege o universo, cresce nobre e forte como os Celtas e
Saxões previram em tempos antigos no ventre de uma mortal.

Páginas: 1 2

Cannubis
iô pã

O ancião se aproxima a passos firmes, num trote calmo e apesar de sua aparência frágil noto a
ereção em sua túnica puída.
Velas. Música. O falo ereto.
Aqui é onde começa o inferno, a fé morre como uma canção que finda com uma nota aguda de
lamento.
As mãos ásperas do velho deslizam em minha pele e manobram meu corpo com agilidade.
Seus dedos dedilham-me como a um instrumento de mil cordas.
Seu olhar cansado rasteja sobre mim como uma lesma, deixando um rastro de pelos
arrepiados.
Suas mãos erguem minhas pernas para que seu membro rígido penetre em meu sexo,
rasgando uma membrana até então intocada, fazendo-me verter sangue.
A transgressão do sexto mandamento sendo exibida diante de dezenas de voyers com as
mãos unidas em prece. Seus olhos reluzem na penumbra como se a chama das velas
queimasse de dentro pra fora.
A cada investida do ancião, uma espécie de conexão milenar se ativa em mim e complementa
a conjunção carnal.
Sua pele enrugada infla e preenche as fissuras entre as camadas de pele que formam as
rugas, metamorfoseando seu aspecto senil.
Chifres caprinos despontam acima das têmporas em sincronia com o crescimento puntiforme
das orelhas. O rosto se contorce numa máscara de dor enquanto seus ossos se reestruturam e
tornam-se angulosos.
A musculatura torna-se rígida e forma protuberâncias acima do zigomático e do queixo, por
onde escorre suor ate se acumular na grossa camada de pelos que cresce a esmo em seu
peito nu.
O membro mais rígido do que nunca se agiganta em meu ventre, fincando raízes como uma
planta selvagem em solo fértil.
Aplausos, uivos e gritos são ouvidos por todos os lados.
A película que manchava os olhos do ancião se dissolvem e revelam um par de íris de um tom
único de amarelo.
Olhos enormes de comer gente.
Meu coração acelerado bombeia quantidades exorbitantes de sangue para meu cérebro. Sinto
meu rosto queimar a medida que a sensação de insetos fervilhando em meu sexo relaxam meu
corpo.
A dança frenética da poeira cósmica de nossos corpos, revivendo o Gênesis. O espetáculo da
criação encenado por uma mortal e por Ele; a representação de tudo o que se entende por
natureza viril e masculinidade.
A metamorfose se completa e o Deus com aspecto de fera ruge num tom gutural. Todos se
prostam diante dEle enquanto bate os cascos no chão.
Pã, o cervo alfa.
A terra arada ganha as sementes que asseguram o futuro biológico da humanidade. A Deusa
lua em seu aspecto materno, surge exuberante por trás das nuvens escuras e presenteia a
todos com sua presença majestosa.
A criança-promessa ja pulsa em meu ventre, o peso de sua semi-existencia ecoa pela
eternidade e tudo faz sentido.
O filho de Pã, herdeiro do poder que rege o universo, cresce nobre e forte como os Celtas e
Saxões previram em tempos antigos no ventre de uma mortal.

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