Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Cannubis
Cannubis é natural de São Luís Ma mas agora vive perdida entre as vielas fétidas de sua mente sequelada. Odeia finais felizes e por isso vive embriagada de terror e de seus subgêneros, vomita na cara dos padrões impostos pela sociedade enquanto da vida a CANNUBiS seu filho, irmão e amante. Dirige pela periferia de São luis um Opala preto e tem como companhia o top five dos mais procurados do submundo, coleciona as capsulas de balas que mataram gente como kennedy, Jhon Lennon e Tupac... Foi depois de tomar um shot de bournon que ela emprestou suas mãos a um cão infernal para escrever “DEIXAI TODA ESPERANÇA, Ó VÓS QUE ENTRAIS!" no umbral dos portões infernais da comedia de Dante Alighieri. Quer um conselho? Não leiam com carinho pois aqui não se prega a paz. Como morbitvs vividvs diz: "Uma bandeira branca é como o pus de um ser putrefato".
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O Baú de Tia Helena

O baú de tia Helena No último fim de semana de setembro, no começo de um clima primaveril, a caixa baixa da quadra sete estava inteira na rua.

 O tom alaranjado do céu denunciava que o sol estava quase escapulindo nas bordas do horizonte para dar lugar a noite. Lucas e Ulisses sabiam as regras do fim do dia e já caminhavam pra casa.

 Visitas do interior ocupavam os cômodos da casa e impregnavam a atmosfera com o cheiro de roça e conversas sobre o clima da cidade grande.

O cigarro enrolado na palha de milho, passava pelos dedos dos mais velhos e reduzia o tom da conversa para um ritmo mais lento, demarcado pelas pausas para limpar a garganta.

Tia Helena havia chegado na manhã daquela sexta. Seu estilo irreverente sempre fora motivo de desconforto para os pequenos pois apesar do calor escaldante do Maranhão, ela usava vestidos de algodão cru, sempre tingidos de preto.

Os anéis de côco em seus dedos enrugados pareciam corais encrustados na carcaça de um velho navio naufragado. Os olhos cor de amêndoa já quase escondidos pelas camadas de pele flácida de suas pálpebras projetavam uma espécie de letreiro apagado onde se podia ler as marcas do tempo.

Uma ampulheta em constante processo de contagem.

Além da aparência medonha, um fato isolado fazia de tia Helena uma pessoa peculiar; após a morte de tio Alfredo, seu marido, ela havia adquirido o estranho hábito de carregar consigo um estranho baú de madeira rústica.

Os mistérios sobre a morte de tio Alfredo causavam calafrios nos familiares.

O corpo do velho negro de unhas compridas nunca fora velado ou sequer havia uma sepultura onde se pudesse ler um epitáfio com uma das muitas frases icônicas de tio Alfredo.

Logo o assunto virou um tabu, assim como tudo o que tinha haver com o velho casal.

Na casa, o incômodo causado pela presença sombria de tia Helena pairava no ar como uma densa cortina de fumaça. No céu a lua se erguia como um ponteiro do mais antigo dos relógios, indicando o avançar das horas e obrigando aos poucos os barulhos da casa a darem lugar ao acorde infinito do silêncio noturno.

 No quarto dos garotos, sob a luz fraca de uma lamparina á querosene o plano foi arquietatado. O objetivo era simples, saciar a curiosidade ácida que lhes corroída acerca do objeto misterioso: o baú de tia Helena.

As sombras distorcidas dos móveis da sala dançavam no chão de cimento queimado propiciando a majestosa presença do medo.

Os minutos se arrastam.

Uma rasga mortalha pia no alto da cumeeira fazendo saltar os olhos dos garotos. O suor desliza da testa para as bochechas iluminadas pela chama da lamparina.

Parados em frente a porta do quarto reservado a tia, as orações de Lucas e Ulisses são lançadas a qualquer santo de plantão.

A adrenalina pulsando.

A ameaça silenciosa.

O ranger das dobradiças.

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Cannubis
O Baú de Tia Helena

O baú de tia Helena No último fim de semana de setembro, no começo de um clima primaveril, a caixa baixa da quadra sete estava inteira na rua.

 O tom alaranjado do céu denunciava que o sol estava quase escapulindo nas bordas do horizonte para dar lugar a noite. Lucas e Ulisses sabiam as regras do fim do dia e já caminhavam pra casa.

 Visitas do interior ocupavam os cômodos da casa e impregnavam a atmosfera com o cheiro de roça e conversas sobre o clima da cidade grande.

O cigarro enrolado na palha de milho, passava pelos dedos dos mais velhos e reduzia o tom da conversa para um ritmo mais lento, demarcado pelas pausas para limpar a garganta.

Tia Helena havia chegado na manhã daquela sexta. Seu estilo irreverente sempre fora motivo de desconforto para os pequenos pois apesar do calor escaldante do Maranhão, ela usava vestidos de algodão cru, sempre tingidos de preto.

Os anéis de côco em seus dedos enrugados pareciam corais encrustados na carcaça de um velho navio naufragado. Os olhos cor de amêndoa já quase escondidos pelas camadas de pele flácida de suas pálpebras projetavam uma espécie de letreiro apagado onde se podia ler as marcas do tempo.

Uma ampulheta em constante processo de contagem.

Além da aparência medonha, um fato isolado fazia de tia Helena uma pessoa peculiar; após a morte de tio Alfredo, seu marido, ela havia adquirido o estranho hábito de carregar consigo um estranho baú de madeira rústica.

Os mistérios sobre a morte de tio Alfredo causavam calafrios nos familiares.

O corpo do velho negro de unhas compridas nunca fora velado ou sequer havia uma sepultura onde se pudesse ler um epitáfio com uma das muitas frases icônicas de tio Alfredo.

Logo o assunto virou um tabu, assim como tudo o que tinha haver com o velho casal.

Na casa, o incômodo causado pela presença sombria de tia Helena pairava no ar como uma densa cortina de fumaça. No céu a lua se erguia como um ponteiro do mais antigo dos relógios, indicando o avançar das horas e obrigando aos poucos os barulhos da casa a darem lugar ao acorde infinito do silêncio noturno.

 No quarto dos garotos, sob a luz fraca de uma lamparina á querosene o plano foi arquietatado. O objetivo era simples, saciar a curiosidade ácida que lhes corroída acerca do objeto misterioso: o baú de tia Helena.

As sombras distorcidas dos móveis da sala dançavam no chão de cimento queimado propiciando a majestosa presença do medo.

Os minutos se arrastam.

Uma rasga mortalha pia no alto da cumeeira fazendo saltar os olhos dos garotos. O suor desliza da testa para as bochechas iluminadas pela chama da lamparina.

Parados em frente a porta do quarto reservado a tia, as orações de Lucas e Ulisses são lançadas a qualquer santo de plantão.

A adrenalina pulsando.

A ameaça silenciosa.

O ranger das dobradiças.

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