Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Cannubis
Cannubis é natural de São Luís Ma mas agora vive perdida entre as vielas fétidas de sua mente sequelada. Odeia finais felizes e por isso vive embriagada de terror e de seus subgêneros, vomita na cara dos padrões impostos pela sociedade enquanto da vida a CANNUBiS seu filho, irmão e amante. Dirige pela periferia de São luis um Opala preto e tem como companhia o top five dos mais procurados do submundo, coleciona as capsulas de balas que mataram gente como kennedy, Jhon Lennon e Tupac... Foi depois de tomar um shot de bournon que ela emprestou suas mãos a um cão infernal para escrever “DEIXAI TODA ESPERANÇA, Ó VÓS QUE ENTRAIS!" no umbral dos portões infernais da comedia de Dante Alighieri. Quer um conselho? Não leiam com carinho pois aqui não se prega a paz. Como morbitvs vividvs diz: "Uma bandeira branca é como o pus de um ser putrefato".
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O Baú de Tia Helena

A velha dormia numa rede armada no meio do quarto abafado, o sono pesado atestado pelo ronco seco saído de uma boca aberta repuxada para dentro.

Na penteadeira no canto do quarto, a penumbra realça os contornos do objeto imaculado. Ulisses, lutando contra a tremedeira de suas mãos, alcança a superfície irregular, deslizando os dedos sobre os vincos de madeira talhada.

Lucas de boca aberta, espera a reação do irmão, os olhos ávidos por uma descoberta. A extravagância de um evento como aquele os excitava, algo proibido que mudava totalmente a rotina estabelecida de dois garotos pré-púberes.

Os suspiros sincronizados no momento que antecede o auge do entusiasmo.

A tampa do baú é levantada e um cheiro fuliginoso golpeia-lhes as narinas como se tivessem violado uma tumba egípcia.

Dentro do baú jazia um pó arenoso em tom de grafite com pequenos cascalhos cor de marfim.

 Sem tempo para quaisquer reações por parte dos garotos.

No mesmo instante um tremor assalta o controle de seus membros como um terremoto que prenuncia um tsunami. O baú desaba das mãos de Ulisses e a poeira negra se espalha pelo ar.

A maldição em forma de lepra consome em grau avançado o corpo dos garotos, os olhos se dissolvem numa consistência que lembra ovos mollet, as íris liquidas como as gemas manchando a brancura das claras.

A pele se transforma em um campo minado onde a cada centímetro explodem bolhas de pus e sangue.

Gritos de agonia queimam na garganta mas morrem como brasas sem calor na carne dilacerada pela decomposição em estagio avançado.

Órgãos apodrecidos deslizam para fora do esqueleto exposto e se espatifam no chão como frutas podres enquanto a salmoura purulenta lubrifica as juntas auxiliando na desconstrução dos corpos.

A esta altura a esperança pela vida é infecunda e se dissolve no desejo pela morte, o fim não é mais uma consequência e sim um alivio para o sofrimento.

A vida que inundava aqueles corpos infantis escorre pelos buracos criados pela enfermidade e evapora tão veloz quanto a queima de nitrato de celulose.

Da rede, tia Helena sorria com escárnio dos sobrinhos bisbilhoteiros.

A maldição finalmente fora acionada como uma alavanca emperrada a muitos anos. As cinzas de Alfredo laVey estavam agora espalhadas pela eternidade abrindo uma porta de acesso ao pior dos diabos.

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Cannubis
O Baú de Tia Helena

A velha dormia numa rede armada no meio do quarto abafado, o sono pesado atestado pelo ronco seco saído de uma boca aberta repuxada para dentro.

Na penteadeira no canto do quarto, a penumbra realça os contornos do objeto imaculado. Ulisses, lutando contra a tremedeira de suas mãos, alcança a superfície irregular, deslizando os dedos sobre os vincos de madeira talhada.

Lucas de boca aberta, espera a reação do irmão, os olhos ávidos por uma descoberta. A extravagância de um evento como aquele os excitava, algo proibido que mudava totalmente a rotina estabelecida de dois garotos pré-púberes.

Os suspiros sincronizados no momento que antecede o auge do entusiasmo.

A tampa do baú é levantada e um cheiro fuliginoso golpeia-lhes as narinas como se tivessem violado uma tumba egípcia.

Dentro do baú jazia um pó arenoso em tom de grafite com pequenos cascalhos cor de marfim.

 Sem tempo para quaisquer reações por parte dos garotos.

No mesmo instante um tremor assalta o controle de seus membros como um terremoto que prenuncia um tsunami. O baú desaba das mãos de Ulisses e a poeira negra se espalha pelo ar.

A maldição em forma de lepra consome em grau avançado o corpo dos garotos, os olhos se dissolvem numa consistência que lembra ovos mollet, as íris liquidas como as gemas manchando a brancura das claras.

A pele se transforma em um campo minado onde a cada centímetro explodem bolhas de pus e sangue.

Gritos de agonia queimam na garganta mas morrem como brasas sem calor na carne dilacerada pela decomposição em estagio avançado.

Órgãos apodrecidos deslizam para fora do esqueleto exposto e se espatifam no chão como frutas podres enquanto a salmoura purulenta lubrifica as juntas auxiliando na desconstrução dos corpos.

A esta altura a esperança pela vida é infecunda e se dissolve no desejo pela morte, o fim não é mais uma consequência e sim um alivio para o sofrimento.

A vida que inundava aqueles corpos infantis escorre pelos buracos criados pela enfermidade e evapora tão veloz quanto a queima de nitrato de celulose.

Da rede, tia Helena sorria com escárnio dos sobrinhos bisbilhoteiros.

A maldição finalmente fora acionada como uma alavanca emperrada a muitos anos. As cinzas de Alfredo laVey estavam agora espalhadas pela eternidade abrindo uma porta de acesso ao pior dos diabos.

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