Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Cannubis
Cannubis é natural de São Luís Ma mas agora vive perdida entre as vielas fétidas de sua mente sequelada. Odeia finais felizes e por isso vive embriagada de terror e de seus subgêneros, vomita na cara dos padrões impostos pela sociedade enquanto da vida a CANNUBiS seu filho, irmão e amante. Dirige pela periferia de São luis um Opala preto e tem como companhia o top five dos mais procurados do submundo, coleciona as capsulas de balas que mataram gente como kennedy, Jhon Lennon e Tupac... Foi depois de tomar um shot de bournon que ela emprestou suas mãos a um cão infernal para escrever “DEIXAI TODA ESPERANÇA, Ó VÓS QUE ENTRAIS!" no umbral dos portões infernais da comedia de Dante Alighieri. Quer um conselho? Não leiam com carinho pois aqui não se prega a paz. Como morbitvs vividvs diz: "Uma bandeira branca é como o pus de um ser putrefato".
@arj.Wanessa - instagram
@CANNUBiS.cg - wattpad







Rei da noite

 

O brilho prateado da lua atravessa a copa das árvores iluminando a pista molhada onde reflete minha silhueta.

Meu coturno de solado gasto esmaga a lama formada pelo barro que se desprende da encosta e deixa marcado na estrada o peso de meus passos.

Há muitas expectativas pela promessa de ação, cada célula de meu corpo vibra e o resultado é algo que a muito não sentia, uma ereção dolorida que pulsa dentro da calça.

Um gole no cantil e a seiva alcoólica desce queimando pela garganta, fazendo girar as engrenagens da criatividade.

De punhos cerrados rente ao corpo, meus braços não se movem com o balanço da caminhada, caracteristica de um organismo acostumado a carregar o peso de todos os mortos pela eternidade.

Relâmpagos riscam o céu e iluminam a linha do horizonte enegrecido pela noite. Meus olhos focam no fim da rodovia 66 e avistam o letreiro em néon do bar Azul.

A respiração se torna difícil como se o ar se tornasse rarefeito a medida que me aproximo do bar. Mantenho o ritmo. O foco nos meus objetivos é o combustível que abastece meu corpo.

Caminho como quem conta as pedras da estrada, disputando espaço com ratos e mendigos que se amontoam diante de um banquete de lixo.

Percebo a movimentação do bar à beira de estrada, ouço os acordes inconfundíveis do violão do velho Bob.

Sinto como se fossem meus próprios dedos deslizando pelas cordas daquele instrumento que nem o próprio Bob sabe mas fora talhado pela foice da morte.

Ao ranger das portas do saloon olho para o pulso em busca do relógio e me deparo com a inércia dos ponteiros, definitivamente algumas coisas nunca mudam.

Observo o bar, tudo igual desde a última vez, até a madeira podre do piso rangendo sob meus pés. Ignoro as caras ruborizadas pelo álcool e atravesso a atmosfera carregada de conversas murmuradas movidas à bebida barata.

Páginas: 1 2 3 4 5

Cannubis
Rei da noite

 

O brilho prateado da lua atravessa a copa das árvores iluminando a pista molhada onde reflete minha silhueta.

Meu coturno de solado gasto esmaga a lama formada pelo barro que se desprende da encosta e deixa marcado na estrada o peso de meus passos.

Há muitas expectativas pela promessa de ação, cada célula de meu corpo vibra e o resultado é algo que a muito não sentia, uma ereção dolorida que pulsa dentro da calça.

Um gole no cantil e a seiva alcoólica desce queimando pela garganta, fazendo girar as engrenagens da criatividade.

De punhos cerrados rente ao corpo, meus braços não se movem com o balanço da caminhada, caracteristica de um organismo acostumado a carregar o peso de todos os mortos pela eternidade.

Relâmpagos riscam o céu e iluminam a linha do horizonte enegrecido pela noite. Meus olhos focam no fim da rodovia 66 e avistam o letreiro em néon do bar Azul.

A respiração se torna difícil como se o ar se tornasse rarefeito a medida que me aproximo do bar. Mantenho o ritmo. O foco nos meus objetivos é o combustível que abastece meu corpo.

Caminho como quem conta as pedras da estrada, disputando espaço com ratos e mendigos que se amontoam diante de um banquete de lixo.

Percebo a movimentação do bar à beira de estrada, ouço os acordes inconfundíveis do violão do velho Bob.

Sinto como se fossem meus próprios dedos deslizando pelas cordas daquele instrumento que nem o próprio Bob sabe mas fora talhado pela foice da morte.

Ao ranger das portas do saloon olho para o pulso em busca do relógio e me deparo com a inércia dos ponteiros, definitivamente algumas coisas nunca mudam.

Observo o bar, tudo igual desde a última vez, até a madeira podre do piso rangendo sob meus pés. Ignoro as caras ruborizadas pelo álcool e atravesso a atmosfera carregada de conversas murmuradas movidas à bebida barata.

Páginas: 1 2 3 4 5