Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Cannubis
Cannubis é natural de São Luís Ma mas agora vive perdida entre as vielas fétidas de sua mente sequelada. Odeia finais felizes e por isso vive embriagada de terror e de seus subgêneros, vomita na cara dos padrões impostos pela sociedade enquanto da vida a CANNUBiS seu filho, irmão e amante. Dirige pela periferia de São luis um Opala preto e tem como companhia o top five dos mais procurados do submundo, coleciona as capsulas de balas que mataram gente como kennedy, Jhon Lennon e Tupac... Foi depois de tomar um shot de bournon que ela emprestou suas mãos a um cão infernal para escrever “DEIXAI TODA ESPERANÇA, Ó VÓS QUE ENTRAIS!" no umbral dos portões infernais da comedia de Dante Alighieri. Quer um conselho? Não leiam com carinho pois aqui não se prega a paz. Como morbitvs vividvs diz: "Uma bandeira branca é como o pus de um ser putrefato".
@arj.Wanessa - instagram
@CANNUBiS.cg - wattpad







SUPPLICIUM

Subo as escadas e quase me distraio com os cartazes antigos dos shows de metal que rolaram

aqui na ilha. O indivíduo bêbado não percebe minha presença e continua babando na própria

camisa, olhando hipnotizado para um pilha de tampinha de cerveja no canto da mesa.

Sobre os motivos de meus clientes, quase nunca os sei, se não me contam na hora de fechar o

contrato, também não pergunto. Acertamos o preço, que nem sempre é alto. O dinheiro não

supera as súplicas por piedade, as tentativas frustradas de escapar ou o barulho dos crânios

estourando.

Hoje é como se eu soubesse o motivo sem ninguém ter me contado. A cara do sujeito é de

quem já deve ter arranjado muita briga por sair esbanjando não só as roupas caras ou o carro

do ano, mas o sobrenome, pois todo mundo sabe de quem aquele patife, aspirante a

pé-de-cana é filho.

Nesta cidade o sobrenome Sarney é como um distintivo que faz brutamontes baixarem a

guarda e mocinhas abrirem as pernas, estas, rezando para que seja a foda premiada que lhes

faça pegar barriga do sobrenome mais influente do Maranhão.

Olhando mais de perto, dou razão para os motivos que deduzi ou quaisquer outros motivos de

meu cliente. O jovem bebum não merece mais do que 10g de chumbo para ter o milagre da

não-existência.

Um olho roxo revela que podem ser verdadeiras minhas primeiras impressões. E quem diria…

É na nata da sociedade que encontra-se o leite mais azedo.

Páginas: 1 2 3 4

Cannubis
SUPPLICIUM

Subo as escadas e quase me distraio com os cartazes antigos dos shows de metal que rolaram

aqui na ilha. O indivíduo bêbado não percebe minha presença e continua babando na própria

camisa, olhando hipnotizado para um pilha de tampinha de cerveja no canto da mesa.

Sobre os motivos de meus clientes, quase nunca os sei, se não me contam na hora de fechar o

contrato, também não pergunto. Acertamos o preço, que nem sempre é alto. O dinheiro não

supera as súplicas por piedade, as tentativas frustradas de escapar ou o barulho dos crânios

estourando.

Hoje é como se eu soubesse o motivo sem ninguém ter me contado. A cara do sujeito é de

quem já deve ter arranjado muita briga por sair esbanjando não só as roupas caras ou o carro

do ano, mas o sobrenome, pois todo mundo sabe de quem aquele patife, aspirante a

pé-de-cana é filho.

Nesta cidade o sobrenome Sarney é como um distintivo que faz brutamontes baixarem a

guarda e mocinhas abrirem as pernas, estas, rezando para que seja a foda premiada que lhes

faça pegar barriga do sobrenome mais influente do Maranhão.

Olhando mais de perto, dou razão para os motivos que deduzi ou quaisquer outros motivos de

meu cliente. O jovem bebum não merece mais do que 10g de chumbo para ter o milagre da

não-existência.

Um olho roxo revela que podem ser verdadeiras minhas primeiras impressões. E quem diria…

É na nata da sociedade que encontra-se o leite mais azedo.

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