Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Baile de despedida

Sou um jovem de pouco mais de 25 anos, mas a previsão de viver sozinho para o resto da vida me desconcerta e para tentar mudar o destino apontado pela vidente, só me resta frequentar todos e quaisquer locais de aglomeração de pessoas.

E foi nessa perspectiva que errei; (e ao encontrar a tal cigana, arrastá-la-ei pelos cabelos até o cartório mais próximo e casarei com ela, nem que preciso colocar uma arma na cabeça dela e de todo mundo, mas que casarei, casarei! E em últimos casos com ela, com essa desgraçada vidente; Mas que casarei a isso eu farei!).E foi num almoço seguindo de tarde dançante, que duraria até o começo do anoitecer, numa comunidade rural chamado Linha ponte dos pecados, interior de uma minúscula cidade, onde estive presente e donde minha desgraça de viver solitário aconteceu.

O almoço foi servido com uma deliciosa comida caseira e com acompanhamento do chamado “Espeto corrido”, (minha sorte que na época estava começando a deixar a carne de lado, pois hoje fico a pensar, sabe-se lá que tipo de animal que fora sacrificado para ser servido).

Mas é da dança que emerge o perigo; Muitas pessoas solteiras, descomprometidas e como eu, ali estavam para conseguir uma companhia e quem sabe sair dali já com um compromisso firmado que poderia levar a fugir da solidão na velhice, o que tanto me assustava, depois que a tal cigana leu minha mão e pronunciou meu solitário futuro.

Convidei várias moças para dançar, algumas aceitavam outras não, mas nada de conseguir repetir a dança, dar sequência para a próxima música, para poder trocar uma ideia, bater um papo, mas pelo visto, só foram educadas em aceitar a dança. E olha que eu não era de se jogar fora.

Num instante inusitado do nada surge uma tempestade, escurecendo repentinamente o ambiente que teve as luzes do salão acessas quase que imediatamente.

A força do vento fez com que as grandes janelas de madeiras fossem fechadas rapidamente pelos frequentadores, uma a uma e com o barulho ensurdecedor do granizo caindo sobre o telhado de zinco, a banda obrigou-se a parar de tocar e mesmo se não parecem naquela hora, logo parariam, pois não demorou para que a luz viesse a cair, deixando todos no escuro.

Mas o surpreendente, fora um jovem, 19 anos talvez, que havia saído da cidade ainda mais jovem para fazer faculdade e ali adentrou no salão com sua caminhonete milionária clareando todo o ambiente com seus faróis e retomando com a potência quase ensurdecedora de seu som no carro, indiferentemente do que lá fora estivesse acontecendo, a festa continuou com a penumbra aos arredores, mas com a pista brilhando pelos faroletes da caminhoneta.

As mais belas mulheres o cercaram prontamente e mais distantes ficaram as demais. Pensei comigo mesmo, as que o cercaram, certamente não me serve, pois estão demonstrando interesse pelo dinheiro do afortunado então vou procurar as outras, pois procuro uma que tenha cérebro.

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Carli Bortolanza
Baile de despedida

Sou um jovem de pouco mais de 25 anos, mas a previsão de viver sozinho para o resto da vida me desconcerta e para tentar mudar o destino apontado pela vidente, só me resta frequentar todos e quaisquer locais de aglomeração de pessoas.

E foi nessa perspectiva que errei; (e ao encontrar a tal cigana, arrastá-la-ei pelos cabelos até o cartório mais próximo e casarei com ela, nem que preciso colocar uma arma na cabeça dela e de todo mundo, mas que casarei, casarei! E em últimos casos com ela, com essa desgraçada vidente; Mas que casarei a isso eu farei!).E foi num almoço seguindo de tarde dançante, que duraria até o começo do anoitecer, numa comunidade rural chamado Linha ponte dos pecados, interior de uma minúscula cidade, onde estive presente e donde minha desgraça de viver solitário aconteceu.

O almoço foi servido com uma deliciosa comida caseira e com acompanhamento do chamado “Espeto corrido”, (minha sorte que na época estava começando a deixar a carne de lado, pois hoje fico a pensar, sabe-se lá que tipo de animal que fora sacrificado para ser servido).

Mas é da dança que emerge o perigo; Muitas pessoas solteiras, descomprometidas e como eu, ali estavam para conseguir uma companhia e quem sabe sair dali já com um compromisso firmado que poderia levar a fugir da solidão na velhice, o que tanto me assustava, depois que a tal cigana leu minha mão e pronunciou meu solitário futuro.

Convidei várias moças para dançar, algumas aceitavam outras não, mas nada de conseguir repetir a dança, dar sequência para a próxima música, para poder trocar uma ideia, bater um papo, mas pelo visto, só foram educadas em aceitar a dança. E olha que eu não era de se jogar fora.

Num instante inusitado do nada surge uma tempestade, escurecendo repentinamente o ambiente que teve as luzes do salão acessas quase que imediatamente.

A força do vento fez com que as grandes janelas de madeiras fossem fechadas rapidamente pelos frequentadores, uma a uma e com o barulho ensurdecedor do granizo caindo sobre o telhado de zinco, a banda obrigou-se a parar de tocar e mesmo se não parecem naquela hora, logo parariam, pois não demorou para que a luz viesse a cair, deixando todos no escuro.

Mas o surpreendente, fora um jovem, 19 anos talvez, que havia saído da cidade ainda mais jovem para fazer faculdade e ali adentrou no salão com sua caminhonete milionária clareando todo o ambiente com seus faróis e retomando com a potência quase ensurdecedora de seu som no carro, indiferentemente do que lá fora estivesse acontecendo, a festa continuou com a penumbra aos arredores, mas com a pista brilhando pelos faroletes da caminhoneta.

As mais belas mulheres o cercaram prontamente e mais distantes ficaram as demais. Pensei comigo mesmo, as que o cercaram, certamente não me serve, pois estão demonstrando interesse pelo dinheiro do afortunado então vou procurar as outras, pois procuro uma que tenha cérebro.

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