Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Dia qualquer 01

…são vinte e três horas de uma quinta-feira qualquer. Acabo de chegar em casa.
Preso nesse apartamento fico a observar a mobília, percebendo os detalhes da cama que a dois dias não me deixa dormir.
Dirijo-me à sacada com vista para a garagem vazia e escura. Logo irei tomar um banho e não pretendo comer, já que fome não sinto a anos. O aperto no peito pode ser consequência do aperto que recebo dessas estruturas de cimento e ferro que não escolhemos morar, mas tivemos que o faze-lo.
Hoje, por mais uma vez, tentarei dormir, deitar-me-ei na cama nua e despida de abstração, fecharei meus olhos na busca do sono e dos sonhos.
No céu não há estrelas e no horizonte de meus pensamentos não vejo nada além das distantes luzes amarelas dos postes a iluminar os trilhos de uma ferrovia a muito esquecida.
O banho há de me relaxar e acalmar o ente. Talvez até nem mais venha a escrever quando o sono e os sonhos virão.
Nas paredes, a tinta se desgasta, os móveis com o tempo se deterioram, a caneta pode vir a falhar, mas é só troca-la.
Os pensamentos serão os mesmos, o papel não e a realidade e os sentimentos talvez possam mudar quando eu conseguir apagar em sono e amimar meu ser.

 

Carli Bortolanza
Dia qualquer 01

…são vinte e três horas de uma quinta-feira qualquer. Acabo de chegar em casa.
Preso nesse apartamento fico a observar a mobília, percebendo os detalhes da cama que a dois dias não me deixa dormir.
Dirijo-me à sacada com vista para a garagem vazia e escura. Logo irei tomar um banho e não pretendo comer, já que fome não sinto a anos. O aperto no peito pode ser consequência do aperto que recebo dessas estruturas de cimento e ferro que não escolhemos morar, mas tivemos que o faze-lo.
Hoje, por mais uma vez, tentarei dormir, deitar-me-ei na cama nua e despida de abstração, fecharei meus olhos na busca do sono e dos sonhos.
No céu não há estrelas e no horizonte de meus pensamentos não vejo nada além das distantes luzes amarelas dos postes a iluminar os trilhos de uma ferrovia a muito esquecida.
O banho há de me relaxar e acalmar o ente. Talvez até nem mais venha a escrever quando o sono e os sonhos virão.
Nas paredes, a tinta se desgasta, os móveis com o tempo se deterioram, a caneta pode vir a falhar, mas é só troca-la.
Os pensamentos serão os mesmos, o papel não e a realidade e os sentimentos talvez possam mudar quando eu conseguir apagar em sono e amimar meu ser.