Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




E a vida como está?

Hó! Ana Amanda Ama. Há dias que parece não existir, e outros que sai com a saliva num cuspe catarrento dos amores engolidos em noites de tavernas escurecidas pela clandestinidade dos emigrantes alienígenas dessa cidade sufocante pelos agrotóxicos dos carros e dos alimentos.
Não há esperança de dias melhores e nem esperança de um extermínio, tudo está como precisa e deve estar para aqueles que governam do alto de suas torres ou no subsolo da “Umbrella Corporation”.
Eis me aqui, não como uma puta barata de bordel de quinta, mas como uma sobrevivente desse sistema capitalista que eu busco sugar como a uma boa chupada, pois as oportunidades, embora sejam poucas, elas existem. Não que vá melhorar a minha situação; que vou estar do outro lado da moeda. Não, isso não. Estarei do mesmo lado, só que às vezes batendo e às vezes apanhando, mas sempre se fodendo com os mesmos escrotos nos mesmos recintos esgotos dessa vida infame e medíocre.
Falam em revolução, mas o que muda é que em algumas noites estou por baixo, recebendo as babás, e em outras estou por cima, babando ou vomitando os espermas alheios que uso como lubrificante anal. Mas em ambas as posições, sempre virando a cara ou tendo ela virada para que não venhamos a nos afogar, bêbados com o álcool que nos cicatriza as feridas do nosso corpo e da nossa alma.
Sei que não há causa sem efeito, mas ainda em meus ébrios sonhos despertos, desejo em não estar escorada de quatro no balcão dessa espelunca, ou deitada em cama de palha sobre o lodo da pocilga, fétidas de úlceras e bílis, e muito menos do lado de lá do balcão, para ser responsável pela limpeza; que não se faz; de toda essa nojeira que nós bêbados fizemos devido a decomposição de nossos corpos políticos e sociais.
Sonho em estar num cemitério sozinha, mas limpa das injustiças sociais que excrementam esse e qualquer outro planeta que possam vir habitar, esses afortunados de valores e poderes. Poder conseguir repousar meu corpo maltratado pelos tapas e pela fome dos chefes, patrões e barões; e finalmente descansa-lo em berço esplêndido, mas enquanto isso não acontece, sigo sendo penetrada pela miséria e pela ignorância (que me rasga o ventre e as tripas), e que tanto fazem questão de mantê-la e ampliá-la.

Carli Bortolanza
E a vida como está?

Hó! Ana Amanda Ama. Há dias que parece não existir, e outros que sai com a saliva num cuspe catarrento dos amores engolidos em noites de tavernas escurecidas pela clandestinidade dos emigrantes alienígenas dessa cidade sufocante pelos agrotóxicos dos carros e dos alimentos.
Não há esperança de dias melhores e nem esperança de um extermínio, tudo está como precisa e deve estar para aqueles que governam do alto de suas torres ou no subsolo da “Umbrella Corporation”.
Eis me aqui, não como uma puta barata de bordel de quinta, mas como uma sobrevivente desse sistema capitalista que eu busco sugar como a uma boa chupada, pois as oportunidades, embora sejam poucas, elas existem. Não que vá melhorar a minha situação; que vou estar do outro lado da moeda. Não, isso não. Estarei do mesmo lado, só que às vezes batendo e às vezes apanhando, mas sempre se fodendo com os mesmos escrotos nos mesmos recintos esgotos dessa vida infame e medíocre.
Falam em revolução, mas o que muda é que em algumas noites estou por baixo, recebendo as babás, e em outras estou por cima, babando ou vomitando os espermas alheios que uso como lubrificante anal. Mas em ambas as posições, sempre virando a cara ou tendo ela virada para que não venhamos a nos afogar, bêbados com o álcool que nos cicatriza as feridas do nosso corpo e da nossa alma.
Sei que não há causa sem efeito, mas ainda em meus ébrios sonhos despertos, desejo em não estar escorada de quatro no balcão dessa espelunca, ou deitada em cama de palha sobre o lodo da pocilga, fétidas de úlceras e bílis, e muito menos do lado de lá do balcão, para ser responsável pela limpeza; que não se faz; de toda essa nojeira que nós bêbados fizemos devido a decomposição de nossos corpos políticos e sociais.
Sonho em estar num cemitério sozinha, mas limpa das injustiças sociais que excrementam esse e qualquer outro planeta que possam vir habitar, esses afortunados de valores e poderes. Poder conseguir repousar meu corpo maltratado pelos tapas e pela fome dos chefes, patrões e barões; e finalmente descansa-lo em berço esplêndido, mas enquanto isso não acontece, sigo sendo penetrada pela miséria e pela ignorância (que me rasga o ventre e as tripas), e que tanto fazem questão de mantê-la e ampliá-la.