Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Sendo observado por verdes olhares voadoras

Suei e não pelejei

Mas uma forte gripe peguei

Sofri e sobrevivi

 

Na ausência das mãos demorou, mas escrevi

Cegas as minhas vistas; não li

Leram mas sem ouvidos não pude escutar.

Tampouco sem pernas, consegui correr e pular.

 

Não entenderam e eu não quis explicar

Não são analfabetos para o texto mastigar

Nem voz tenho sobretudo para poder gritar

Pelas dores no corpo que vem a me perfurar

 

Sofri, sofro e sofrerei para muito além

Como jamais pudessem pensar outrem

Até quando no fim as verdes moscas me visitarem.

Carli Bortolanza
Sendo observado por verdes olhares voadoras

Suei e não pelejei

Mas uma forte gripe peguei

Sofri e sobrevivi

 

Na ausência das mãos demorou, mas escrevi

Cegas as minhas vistas; não li

Leram mas sem ouvidos não pude escutar.

Tampouco sem pernas, consegui correr e pular.

 

Não entenderam e eu não quis explicar

Não são analfabetos para o texto mastigar

Nem voz tenho sobretudo para poder gritar

Pelas dores no corpo que vem a me perfurar

 

Sofri, sofro e sofrerei para muito além

Como jamais pudessem pensar outrem

Até quando no fim as verdes moscas me visitarem.