Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Tédio virtude da virilidade tediosa

…caminho ao redor do açude por vários dias, meus pés descalços estão a criar bolhas e sangrar. O trilho que sigo está cada vez mais fundo.
Disseram-me que o mundo dá voltas em torno de nós. Estou igualmente voltando essas voltas ao redor de meu açude salgado e retangular.
Cada volta completada é um dia que volto ao meu passado, que se faz novamente presente no instante em que eu parar de girar ao redor de meu açude cósmico.
Os peixes nadam como se estivessem livres, mas nada mais é do que um aquário enorme, assim como o oceano é um imenso cercado de água.
Olho para o céu refletido na água cristalina, ou nas águas cristalinas do açude e me vem a ideia de como poder classificar o que tem dentro do açude, as ou a água, o que faz ser mais ou menos água? Plural ou singular?
Entristeço-me por não conseguir achar a unidade da água e responder a essa minha pergunta, me fazendo caminhar cada vez mais rápido.
As horas passam junto com dias e meses.
Meus pés desgastados já não suportam mais o peso do meu corpo faminto. Desmaio caindo dentro de meu açude estrelar.
O pouco de H2O que engoli fez-me recuperar parte de minhas forças e de refrescar meu corpo e minha mente.
Levanto-me meio tonto e me arrasto até minha casa que fica ali, a alguns metros.
Em meu quarto a cama ainda desarrumada me espera gloriosamente fofa e macia.
O sono sei que virá devido a fraqueza e ao cansaço, o sonho não importa, mas a realidade ao acordar será outra vez a mesma que vivi em meu passado distante que fui buscar.
Espero que quando chegar novamente no futuro em que resolvi voltar ao passado, girando em torno de meu açude, me dê as lembranças de que necessito para que, dá próxima vez, não necessito voltar para a mesmice tediosa em que o círculo do vício nos leva.

Carli Bortolanza
Tédio virtude da virilidade tediosa

…caminho ao redor do açude por vários dias, meus pés descalços estão a criar bolhas e sangrar. O trilho que sigo está cada vez mais fundo.
Disseram-me que o mundo dá voltas em torno de nós. Estou igualmente voltando essas voltas ao redor de meu açude salgado e retangular.
Cada volta completada é um dia que volto ao meu passado, que se faz novamente presente no instante em que eu parar de girar ao redor de meu açude cósmico.
Os peixes nadam como se estivessem livres, mas nada mais é do que um aquário enorme, assim como o oceano é um imenso cercado de água.
Olho para o céu refletido na água cristalina, ou nas águas cristalinas do açude e me vem a ideia de como poder classificar o que tem dentro do açude, as ou a água, o que faz ser mais ou menos água? Plural ou singular?
Entristeço-me por não conseguir achar a unidade da água e responder a essa minha pergunta, me fazendo caminhar cada vez mais rápido.
As horas passam junto com dias e meses.
Meus pés desgastados já não suportam mais o peso do meu corpo faminto. Desmaio caindo dentro de meu açude estrelar.
O pouco de H2O que engoli fez-me recuperar parte de minhas forças e de refrescar meu corpo e minha mente.
Levanto-me meio tonto e me arrasto até minha casa que fica ali, a alguns metros.
Em meu quarto a cama ainda desarrumada me espera gloriosamente fofa e macia.
O sono sei que virá devido a fraqueza e ao cansaço, o sonho não importa, mas a realidade ao acordar será outra vez a mesma que vivi em meu passado distante que fui buscar.
Espero que quando chegar novamente no futuro em que resolvi voltar ao passado, girando em torno de meu açude, me dê as lembranças de que necessito para que, dá próxima vez, não necessito voltar para a mesmice tediosa em que o círculo do vício nos leva.