A Metamorfose - D.A. Potens
D. A. Potens
D.A. Potens, pseudônimo de Danilo de Almeida, 23 anos, reside à Capital de São Paulo, é escritor de terror, horror, suspense, drama e fantasia; sendo suas inspirações os filmes de terror japoneses, bem como os grandes clássicos como Sexta-feira 13, além de animes do gênero. Atualmente escreve contos imersos no estilo gore e os publica na plataforma de publicação Wattpad. Alguns deles são: A Dama de Branco, Sursum Corda, Soterrados e A Oração da Cabra Preta, seu texto mais contemplado. Acredita que o terror é uma sublime ferramenta dos demônios humanos, por mais que tentem escondê-los a todo custo por baixo de máscaras etéreas.





A Metamorfose

      O outro Roberto caminhou até o quarto de sua mãe, onde mais de vinte corpos femininos, cujas faces aludiam a quarenta ou mais anos, vestidos com o mesmo pijama azul, dormiam, uns jogados sobre os outros, ora movendo-se, ora balbuciando palavras incompreensíveis.

      — Mãe, acorda… — Roberto pediu.

      Mais de vinte pares de olhos se abriram repentinamente.

      Entreolhando-se, somente uma se levantou.

      — Deixem comigo essa porcaria — disse, aproximando-se do filho para lhe dar um beijo. — Já comeu hoje, menino?

      Ele fez que não com a cabeça.

      — Deixa que eu faço uma torta pra gente — ela respondeu, caminhando ao lado do filho até a cozinha.

      No ambiente sujo da copa coberta de formigas e mosquitos, Marcela abriu a geladeira e encontrou algumas maçãs podres dentro de um pote de plástico azul. Mordiscou uma delas e gemeu de prazer ao sentir o doce e azedo da massa escura. Remexeu mais alguns potes da geladeira, onde encontrou relógios de pulso imersos sobre a água.

      — Vou fazer uma torta mesmo. Esses relógios não estão bons… — Marcela disse ao passo que Roberto lavava alguns pratos na pia com a ajuda de uma espátula de Hambúrguer.

      — Os relógios ainda não estão bons? — ele perguntou.

      — Ainda não, precisamos de mais tempo até a torta estar boa. Me ajuda aqui — ela pediu, amassando as frutas com as mãos e jogando-as dentro de uma forma enferrujada.

      O adolescente então retirou um dos relógios da geladeira e o colocou dentro da forma em meio aos pedaços de maçã.

      — Vai ficar pronto logo, logo — disse ao sentar-se sobre uma cadeira ao lado de uma mesa branca, onde sua mãe também estava. Ali permaneceram vinte minutos sem dizer sequer uma palavra, até que o relógio apitou dentro do forno branco.

      O ruído cadenciado acelerou gradualmente à medida que o ambiente também se transformava, como se lavado por baldes d’água, tirando o bolor e manchas de café dos azulejos, o pó de café e açúcar jogados sobre o chão, bem como o rosto de Roberto e Marcela, que assistiam impassíveis a mudança.

      — Ficou pronto… — ela disse ao abrir o forno com luvas de pano. Lá dentro avistou pequenos bonecos que se mexiam sozinhos, reclamando sobre o movimento do recipiente. Ao focar sua visão, percebeu que os homúnculos tratavam-se dela mesma e de seu filho. — Aí meu Deus, mais visitantes desnecessários! — esbravejou, pegando os minúsculos corpos com a luva e jogando-os dentro de seu quarto, sobre os demais corpos.

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D. A. Potens
A Metamorfose

      O outro Roberto caminhou até o quarto de sua mãe, onde mais de vinte corpos femininos, cujas faces aludiam a quarenta ou mais anos, vestidos com o mesmo pijama azul, dormiam, uns jogados sobre os outros, ora movendo-se, ora balbuciando palavras incompreensíveis.

      — Mãe, acorda… — Roberto pediu.

      Mais de vinte pares de olhos se abriram repentinamente.

      Entreolhando-se, somente uma se levantou.

      — Deixem comigo essa porcaria — disse, aproximando-se do filho para lhe dar um beijo. — Já comeu hoje, menino?

      Ele fez que não com a cabeça.

      — Deixa que eu faço uma torta pra gente — ela respondeu, caminhando ao lado do filho até a cozinha.

      No ambiente sujo da copa coberta de formigas e mosquitos, Marcela abriu a geladeira e encontrou algumas maçãs podres dentro de um pote de plástico azul. Mordiscou uma delas e gemeu de prazer ao sentir o doce e azedo da massa escura. Remexeu mais alguns potes da geladeira, onde encontrou relógios de pulso imersos sobre a água.

      — Vou fazer uma torta mesmo. Esses relógios não estão bons… — Marcela disse ao passo que Roberto lavava alguns pratos na pia com a ajuda de uma espátula de Hambúrguer.

      — Os relógios ainda não estão bons? — ele perguntou.

      — Ainda não, precisamos de mais tempo até a torta estar boa. Me ajuda aqui — ela pediu, amassando as frutas com as mãos e jogando-as dentro de uma forma enferrujada.

      O adolescente então retirou um dos relógios da geladeira e o colocou dentro da forma em meio aos pedaços de maçã.

      — Vai ficar pronto logo, logo — disse ao sentar-se sobre uma cadeira ao lado de uma mesa branca, onde sua mãe também estava. Ali permaneceram vinte minutos sem dizer sequer uma palavra, até que o relógio apitou dentro do forno branco.

      O ruído cadenciado acelerou gradualmente à medida que o ambiente também se transformava, como se lavado por baldes d’água, tirando o bolor e manchas de café dos azulejos, o pó de café e açúcar jogados sobre o chão, bem como o rosto de Roberto e Marcela, que assistiam impassíveis a mudança.

      — Ficou pronto… — ela disse ao abrir o forno com luvas de pano. Lá dentro avistou pequenos bonecos que se mexiam sozinhos, reclamando sobre o movimento do recipiente. Ao focar sua visão, percebeu que os homúnculos tratavam-se dela mesma e de seu filho. — Aí meu Deus, mais visitantes desnecessários! — esbravejou, pegando os minúsculos corpos com a luva e jogando-os dentro de seu quarto, sobre os demais corpos.

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