A Metamorfose - D.A. Potens
D. A. Potens
D.A. Potens, pseudônimo de Danilo de Almeida, 23 anos, reside à Capital de São Paulo, é escritor de terror, horror, suspense, drama e fantasia; sendo suas inspirações os filmes de terror japoneses, bem como os grandes clássicos como Sexta-feira 13, além de animes do gênero. Atualmente escreve contos imersos no estilo gore e os publica na plataforma de publicação Wattpad. Alguns deles são: A Dama de Branco, Sursum Corda, Soterrados e A Oração da Cabra Preta, seu texto mais contemplado. Acredita que o terror é uma sublime ferramenta dos demônios humanos, por mais que tentem escondê-los a todo custo por baixo de máscaras etéreas.





A Metamorfose

      Roberto deu de costas e caminhou até a janela, de onde se jogou, sentindo a brisa do vento sobre seu rosto. Ao bater seu corpo contra a calçada, relógios de pulso caíram de sua roupa, espalhando-se pelo chão. De olhos abertos, ele podia ver seu outro eu o observar com sua mãe da janela do apartamento enquanto ao redor dele pessoas passavam e pegavam um a um de seus relógios, colocando-os nos pulsos.
Roberto viu os indivíduos desaparecerem na multidão quando ao meio dia o carro do churros passou, emitindo o som agudo de chamada. Ao lado de cada pessoa com seu relógio um Roberto e uma Marcela surgiram, sorrindo e conversando como não faziam há muito tempo.

      — Preciso voltar pra casa… — ele balbuciou, levantando-se do chão e batendo na roupa para limpar a poeira.

      Ajeitou sua camisa, a calça e o cinto.

      Atravessou a calçada, pegou uma bacia de maçãs e retornou à sua casa.

      Ao tocar a campainha, foi recebido por sua mãe:

      — Pensei que você não viria…

      — Você sabe que eu sempre volto, não sabe? — afirmou, chutando um velho jornal colocado em sua entrada para o lado. Na Manchete, a notícia: mulher entra em coma após explosão de gás em unidade domiciliar no Centro de São Paulo.

      Marcela avistou o jornal e o colocou debaixo do braço quando seu filho adentrou seu lar.

      Roberto deixou as maçãs sobre o vasilhame e adormeceu com o barulho da tevê.

      Ao acordar, deparou-se com um quadro de sua mãe sobre a mesa. Pegou-o e sentiu uma pontada em seu peito. Lágrimas verteram de seus olhos e com uma dor aguda faleceu.

      Um grito prolongado se deu dentro do banheiro; lá, um dos Robertos acordou, correu até o quarto de sua mãe e encontrou mais de cinquenta corpos amontoados sobre a cama.

      — Mãe? — ele perguntou.

      Uma mão saiu do meio dos corpos adormecidos, segurando entre os dedos um relógio de pulso prateado.

      — Acho que você se esqueceu de ver a hora. Está tarde, vai dormir.

      Roberto pegou o objeto da mão de sua mãe, dirigiu-se até a sala, degustou suas maçãs e dormiu enquanto via o ponteiro de horas rolar para frente ao passo que o ponteiro de minutos rolava para trás.

 

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D. A. Potens
A Metamorfose

      Roberto deu de costas e caminhou até a janela, de onde se jogou, sentindo a brisa do vento sobre seu rosto. Ao bater seu corpo contra a calçada, relógios de pulso caíram de sua roupa, espalhando-se pelo chão. De olhos abertos, ele podia ver seu outro eu o observar com sua mãe da janela do apartamento enquanto ao redor dele pessoas passavam e pegavam um a um de seus relógios, colocando-os nos pulsos.
Roberto viu os indivíduos desaparecerem na multidão quando ao meio dia o carro do churros passou, emitindo o som agudo de chamada. Ao lado de cada pessoa com seu relógio um Roberto e uma Marcela surgiram, sorrindo e conversando como não faziam há muito tempo.

      — Preciso voltar pra casa… — ele balbuciou, levantando-se do chão e batendo na roupa para limpar a poeira.

      Ajeitou sua camisa, a calça e o cinto.

      Atravessou a calçada, pegou uma bacia de maçãs e retornou à sua casa.

      Ao tocar a campainha, foi recebido por sua mãe:

      — Pensei que você não viria…

      — Você sabe que eu sempre volto, não sabe? — afirmou, chutando um velho jornal colocado em sua entrada para o lado. Na Manchete, a notícia: mulher entra em coma após explosão de gás em unidade domiciliar no Centro de São Paulo.

      Marcela avistou o jornal e o colocou debaixo do braço quando seu filho adentrou seu lar.

      Roberto deixou as maçãs sobre o vasilhame e adormeceu com o barulho da tevê.

      Ao acordar, deparou-se com um quadro de sua mãe sobre a mesa. Pegou-o e sentiu uma pontada em seu peito. Lágrimas verteram de seus olhos e com uma dor aguda faleceu.

      Um grito prolongado se deu dentro do banheiro; lá, um dos Robertos acordou, correu até o quarto de sua mãe e encontrou mais de cinquenta corpos amontoados sobre a cama.

      — Mãe? — ele perguntou.

      Uma mão saiu do meio dos corpos adormecidos, segurando entre os dedos um relógio de pulso prateado.

      — Acho que você se esqueceu de ver a hora. Está tarde, vai dormir.

      Roberto pegou o objeto da mão de sua mãe, dirigiu-se até a sala, degustou suas maçãs e dormiu enquanto via o ponteiro de horas rolar para frente ao passo que o ponteiro de minutos rolava para trás.

 

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