Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
David Gomes
Desabafo, nos destroços.




A casa, o cemitério e o espelho gigante

Envolvido em um pesadelo
Que de surreal parecia tão real
Encontrava-me trancado em uma enorme casa, de apenas um vasto vão
Impressionante era o chão
Não era de cerâmica ou madeira rústica, era de barro, repleto de lápides, covas e sepulturas
Asquerosas cruzes de madeira
Buracos rasos e vermes em caveiras.
Estranho era uma sacola de ossada canina, por mais que eu tentasse enterrá-la não conseguia.
Uma parede dessa casa era feita completamente de um gigante espelho, com espessura do teto ao chão
Por mais que eu evitasse, sempre me enxergava e isso me causava aflição.
A cada passo me olhava, me envergonhava, renegava minha própria imagem
Por que me encontrava nessa situação?
De repente o desespero passava, não sabia mais o que fazer
Então coloquei a sacola de ossos pendurada em um prego preso a parede.
Permaneci no local sem incômodo, imundo
Trancado no cemitério diante do meu reflexo moribundo.

 

 

David Gomes
A casa, o cemitério e o espelho gigante

Envolvido em um pesadelo
Que de surreal parecia tão real
Encontrava-me trancado em uma enorme casa, de apenas um vasto vão
Impressionante era o chão
Não era de cerâmica ou madeira rústica, era de barro, repleto de lápides, covas e sepulturas
Asquerosas cruzes de madeira
Buracos rasos e vermes em caveiras.
Estranho era uma sacola de ossada canina, por mais que eu tentasse enterrá-la não conseguia.
Uma parede dessa casa era feita completamente de um gigante espelho, com espessura do teto ao chão
Por mais que eu evitasse, sempre me enxergava e isso me causava aflição.
A cada passo me olhava, me envergonhava, renegava minha própria imagem
Por que me encontrava nessa situação?
De repente o desespero passava, não sabia mais o que fazer
Então coloquei a sacola de ossos pendurada em um prego preso a parede.
Permaneci no local sem incômodo, imundo
Trancado no cemitério diante do meu reflexo moribundo.